terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MÁRIO QUINTANA - Poema de Fim de Ano

 
 

 
                                        ESPERANÇA

 

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
- Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

 

Mário Quintana, in “Literatura Comentada”.
Ilustração: Quadro “Esperança”, do pintor inglês George Frederick Watts (1817-1904)

 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CAROLINA TAVEIRA

 
 

        Carolina Taveira nasceu em Lisboa, no dia 30 de Dezembro de 1986.

        Possui um mestrado integrado em Psicologia Clínica e uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos.

        Realizou Psicoterapias de apoio a Vítimas de violência doméstica, durante o seu estágio e consequente voluntariado.

        É consultora numa empresa de formação profissional.

        Participou em inúmeras coletâneas literárias nacionais e internacionais.

        Em 2009, publicou o livro de poesia "Palavras Intemporais".
 
 

As palavras já não são verdadeiras

As palavras já não são verdadeiras.
Dançam pelo ar,
Fugindo de boca para boca.
São pedaços de mentira
Que se colam a uma verdade.
A sua pureza já não existe
Naqueles locais em que tudo parece perfeito.
As palavras já não são verdadeiras.
São réplicas de réplicas,
Que divagam sem destino.
Procuram alcançar alguém,
mas distorcem-nas,
como se fossem peças soltas
Que precisam de ser formatadas.
Não,
As palavras já não são verdadeiras.
Sentimo-las junto ao nosso ouvido,
Num sussuro profundo
Proferido por outrem.
Mas a sua verdade foi retira,
Filtrada pelo narcisismo de cada um.
As palavras já não são verdadeiras,
São colagens,
Cópias,
Reflexos de diálogos outrora construídos.
Não,
As palavras já não são verdadeiras.

Carolina Taveira, in “Palavras Intemporais”

       

domingo, 29 de dezembro de 2013

À TUA PORTA HÁ UM PINHEIRO MANSO

 
 
 

 
À Tua Porta Há um Pinheiro Manso

 
À tua porta há um pinheiro manso
De cabeça pendida, a meditar,
Amor! Sou eu, talvez, a contemplar
Os doces sete palmos do descanso.

Sou eu que para ti atiro e lanço,
Como um grito, meus ramos pelo ar,
Sou eu que estendo os braços a chamar
Meu sonho que se esvai e não alcanço.


Eu que do sol filtro os ruivos brilhos
Sobre as louras cabeças dos teus filhos
Quando o meio-dia tomba sobre a serra...

E, à noite, a sua voz dolente e vaga
É o soluço da minha alma em chaga:
Raiz morta de sede sob a terra!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas”

sábado, 28 de dezembro de 2013

ROSAS E CANTIGAS

 

 
 
          
       Rosas e Cantigas

 

 
Eu hei-de despedir-me desta lida,
Rosas? - Árvores! hei-de abrir-vos covas
E deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!  
 
A palavra de adeus é a mais sentida
Deste meu coração cheio de trovas...
Só bens me dê o céu! eu tenho provas
Que não há bem que pague o desta vida.
 
E os cravos, manjerico, e limonete,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios do corpete!
 
Como és, nuvem dos céus, água do mar,
Flores que eu trato, rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me fareis voltar.
 

 
Afonso Duarte, (1884-1958) poeta português.
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

CREIO NOS ANJOS QUE ANDAM PELO MUNDO

 

 
Creio nos anjos que andam pelo Mundo

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.


Natália Correia, in "Sonetos Românticos"
Ilustração: "The tree of life", de Gustav Klimt“"

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

POESIA INFANTIL (V)

 
 
Presente
A girafa deu
ao seu
marido
no dia
de Natal
um lenço
colorido
de seda natural.
Que alegria!
– disse o marido –
ponha a pata
nesta pata,
com um pescoço
tão comprido
você não podia
ter-me comprado
uma gravata.
Matilde Rosa Araújo  
Ilustração: Pedro Abarca

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

DIA DE NATAL

 


                    Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeus enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha se uma roupagem diáfana a desembrulhar se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor – o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
Do Menino Jesus.

Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá.

Já está!
E fazia as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.


António Gedeão

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A PALAVRA MAIS BELA

 

 
       A Palavra mais Bela

Fui ver ao dicionário de sinónimos
a palavra mais bela e sem igual,
perfeita como a nave dos Jerónimos...
E o dicionário disse-me Natal.

Pergunto aos poetas que releio:
Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,
Lorca, Olegário...E a resposta veio:
E é Christmas...Natividad...Noël...Natal.

Interroguei o firmamento todo!
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
O aço em chispa, o "pipe-line", o lodo!
E a voz das coisas respondeu Natal!

Pedi ao vento e trouxe-me, dispersos,
- riscos de luz, fragmentos de papel -
cânticos, sinos, lágrimas e versos:
Um N, um A, um T, um A, um L...

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo...
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para quê perguntar se tudo, tudo,
diz Natal, diz Natal e diz Natal?!

Adolfo Simões Müller, in
Moço, Bengala e Cão” – Poemas

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

POEMA DE NATAL

 
 
 

    Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.


Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.


Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

 

Vinícius de Moraes, in “Antologia Poética”
 
                            
 

 

 

domingo, 22 de dezembro de 2013

CANCIONEIRO POPULAR - IV

 
 
 

Canção do Marinheiro
 
Perdido lá no mar alto
Um pobre navio andava;
Já sem bolaxa e sem rumo
A fome a todos matava.
 
Deitaram as negras sortes
A vêr qual d´elles havia
Ser pelos outros matado
P´ro jantar d´aquelle dia.
 
Caiu a sorte maldita
No melhor moço que havia
Ai como o triste chorava,
Resando á Virgem Maria.
 
Mas de repente o gageiro,
Vendo terra pela prôa,
Grita alegre lá da gávea:
Terras, terras de Lisboa.

Nota: Esta canção está incluída no “Cancioneiro Popular” de 1867, coligida por Teófilo Braga.





 
 

 

sábado, 21 de dezembro de 2013

AL BERTO

 

        Al Berto nasceu em Coimbra, no dia 11 de Janeiro de 1948. Viveu até 13 de Junho de 1997.

        Foi poeta, editor e pintor.

        Estudou pintura, em Bruxelas, na “École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels”.

        A perspectiva marginal da sociedade, reflecte-se na temática da sua poesia.

        A obra de Al Berto foi reunida no volume “O Medo”.

        No dia 10 de Junho de 1992 foi-lhe concedido o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant´Iago da Espada.


Euforia
 
Cai neve no cérebro vivo do imaculado - dizem
que este milagres só são possíveis com rosas e
enganos - precisamente no segundo em que a insónia
transmuda os metais diurnos em estrume do coração
dizem também
que um duende dança na erecção do enforcado - o fulgor
dos sémenes venenosos alastra no brilho dos olhos e
um sussurro de tinta preta aflora os lábios
fere a mão de gelo que se aproxima da boca
o vómito da luz ergue-se
das palavras ditas em surdina
a seguir vem o sono
e o miraculado entra no voo dos cisnes
o dia cansa-se
na brutalidade com que a voz se atira contra as paredes
abrindo fendas
em toda a extensão das veias e dos tendões
quando desperta com o crepúsculo
o miraculado olha-nos fixamente e sorri
dá-nos uma rosa em forma de estilete - fechamos os olhos
sabendo que este é o maior engano
da eternidade.

Al Berto, in “Horto de Incêndio”





sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

POESIA VISUAL

 

          A Poesia Visual, é um tipo de poesia em que o arranjo visual do texto, imagens e símbolos é fundamental para a representação do tema poética, que o autor pretende comunicar, considerando a sua configuração universal.

         O poema visual mais antigo que se tem informação é "O Ovo", de Simmias de Rodes, três séculos antes de Cristo. Nesse poema, o texto distribui-se em um formato de ovo.
 

Reconheça
essa adorável pessoa é você

sem o grande chapéu de palha

olho
nariz
boca

aqui o oval do seu rosto

seu lindo pescoço

um pouco
mais abaixo
é seu coração
que bate

aqui enfim
a imperfeita imagem
de seu busto adorado
visto como
se através de uma nuvem.

Guillaume Apollinaire – poeta francês (1880-1918)
                          

 Nota: Pode ler este poema, em francês, na imagem acima publicada.

 

 

 


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O RATO E O CAMELO – Conto Tuaregue

 

                
                “Um rato, que fugia de um homem, saltou para a garupa de um camelo e, imitando o dono, estalou a língua, chicoteou as duas bossas, dando-lhe ordem para se levantar e andar. O camelo não disse nada e saiu bamboleante.

                 O rato, orgulhoso, seguro do seu poder, dava pulos de alegria sobre a montanha de pêlos.

                Ao chegar à margem de um riacho, o camelo pediu ao rato que descesse e fosse à sua frente, para guiá-lo puxando os arreios.

               - Rato, meu cameleiro, mostra-me o caminho, pois sou apenas uma montaria. Tu, sim, sabes o caminho.

               - É que… neste riacho…tenho medo de me afogar!

                Então, o camelo disse:

              - Eu também nunca fiz isto sozinho. Gostaria que hoje tu tentasses.

                E, de seguida, molha os pés afirmando que a água não é funda, que nem chega à parte de baixo dos seus jarretes.

             - Sim, mas – diz o rato – o que para ti é minúsculo para mim é uma montanha, e a pulga que te pica para mim é um elefante dos trópicos. O que é um fio de água para ti, para os ratos é um oceano revolto. Não posso guiar-te.

             - Então - diz o camelo – deixa de te comportar como se fosses superior, desce da montaria para pensares numa forma de escapares ao homem que está atrás de ti e não tarda a chegar.

             - Perdão – diz o rato – faço-te mil súplicas de joelhos: atravessa-me. Vou percorrer montes e dunas cantando-te louvores e dizendo que o camelo é o mais sábio dos animais.”

 
Karl Schmit, in “O Elogio da Sabedoria”.
 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

PARA AS RAPARIGAS DE COIMBRA

 
 

 
Para as Raparigas de Coimbra
 
 
 
Ó choupo magro e velhinho,
Corcundinha, todo aos nós:
És tal qual meu avozinho,
Falta-te apenas a voz.

Minha capa vos acoite
Que é p'ra vos agasalhar:
Se por fora é cor da noite,
Por dentro é cor do luar...

Ó sinos de Santa Clara,
Por quem dobrais, quem morreu?
Ah, foi-se a mais linda cara
Que houve debaixo do céu!

A sereia é muito arisca,
Pescador, que estás ao sol:
Não cai, tolinho, a essa isca...
Só pondo uma flor no anzol!

A lua é a hóstia branquinha,
Onde está Nosso Senhor:
É d'uma certa farinha
Que não apanha bolor!
 
Vou a encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu'é da tua água?
Qu'é dos prantos que eu chorei?

A cabra da velha Torre,
Meu amor, chama por mim:
Quando um estudante morre,
Os sinos chamam, assim.

- E só porque o mundo zomba
Que pões luto? Importa lá!
Antes te vistas de pomba...
- Pombas pretas também há!

Terezinhas! Ursulinas!
Tardes de novena, adeus!
Os corações ás batinas
Que diriam? sabe-o Deus...

Teu coração é uma igreja:
N'uma essa dorme, ali,
Manoel, bendito seja,
Que morreu d'amor por ti.

Manoel no Pio repoisa:
Todos os dias, lá vou
Ver se quer alguma coisa,
Perguntar como passou

Agora, são tudo amores
A roda de mim, no Cais,
E, mal se apanham doutores,
Partem e não voltam mais...

Aos olhos da minha fronte
Vinde os cântaros encher:
Não há, assim, segunda fonte
Com duas bicas a correr!

Nossa Senhora faz meia
Com linha feita de luz:
O novelo é a lua-cheia,
As meias são p'ra Jesus.

Meu violão é um cortiço,
Tem por abelhas os sons
Que fabricam, valha-me isso,
Fadinhos de mel, tão bons...

Ó fogueiras, ó cantigas,
Saudades! recordações!
Bailai, bailai, raparigas!
Batei, batei, corações!

 
António Nobre, in “Só”


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

FERNANDO SYLVAN



         Fernando Sylvan nasceu em 1917, em Dili, capital  do Timor Leste.  Viveu até 1993 em Portugal, onde residiu desde os seis anos de idade.

        Poeta, prosador, ensaísta, dramaturgo e professor, foi um nome destacado da literatura de língua portuguesa.

        Foi professor convidado de Universidades brasileiras, francesas e portuguesas.

        Alguns dos seus livros publicados: “Vendaval”; “7 Poemas de Timor”; “A Voz Fagueira de Oan Timor”.

        Foi Presidente da “Sociedade de Língua Portuguesa” e o criador do “Dia Internacional da Língua Portuguesa”.

        No Brasil, recebeu, em 1965, a medalha "Pereira Passos", pela sua profícua actividade em prol da fraternidade universal.

        Foi-lhe concedida, postumamente, a “Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique”
 
 
Meninos e Meninas
 
Todos jávimo já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninas e meninos
que morreram a defender a liberdade
de armas na mão.
Todos já vimos!
E então? 
 
Fernando Sylvan

 
 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A POESIA E A PAZ – (IV)

 
 

 
Paz, Poetas e Pombas
 
 
A Paz viajou em busca da silêncio
Sitiou Berlim
Abdicou em Londres
A Paz saltou dos olhos do poeta
Atacada de psicose maníaco-depressiva
 
 
 
Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas nao viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa

 
 
A Paz saiu aos saltos para a rua
Comeu mostarda
Bebeu sangria
A Paz sentou-se em cima duma grua
Atacada de astenia

 
 
Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas nao viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa.

 
José Afonso