terça-feira, 8 de outubro de 2013

CANCIONEIRO POPULAR (I)

 
 

 
                           Fado da Severa
 

Chorai, fadistas, chorai,
Que uma fadista morreu.
Hoje mesmo faz um ano
Que a Severa faleceu.
 
Chorai, fadistas, chorai
Que a Severa já morreu.
E como ela
Nunca no Mundo apareceu.
 
O Conde de Vimioso
Um duro golpe sofreu
Quando lhe foram dizer
Tua Severa morreu.
 
Corre à sua sepultura
O seu corpo ainda vê:
“Adeus, ó minha Severa,
Boa sorte Deus te dê.”
 
“Lá nesse reino celeste
Com tua banza na mão,
Farás dos anjos fadistas
Porás tudo em confusão.”
 
                            Até o próprio S. Pedro
Às portas do céu sentado
Ao ver entrar a Severa
Bateu e cantou o fado.
 
 Ponde no braço da banza
Um sinal de negro fumo,
Que diga por toda a parte
O fado perdeu seu rumo.
 
Morreu já, faz hoje um ano
Das fadistas a rainha.
Com ela perdeu o fado
O gosto que o fado tinha.
 
                            Chorai, fadistas, chorai,
Que a Severa se finou.
O gosto que o fado tinha
Tudo com ela acabou.
 
Nota: Este fado está incluído no “Cancioneiro Popular” de 1867, no qual estão coligidos, por Teófilo Braga, fados, canções de rua, orações, profecias, etc. É atribuída a Sousa do Casacão, a autoria do “Fado da Severa”.
 
                    
 
 
 

 
 
 
 
 

 
 

 

                              

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