domingo, 28 de maio de 2017

ALMA NACIONAL – Revista Republicana

 
 
 
 
ALMA NACIONAL

 Iniciou a sua publicação em 10 de Fevereiro e terminou em 29 de Setembro de 1910, correspondendo a 34 números. Foi dirigida por António José de Almeida (1866-1929). Teve como finalidade servir a propaganda anti-monárquica e ajudar na doutrinação republicana.
Contou com as colaborações de intelectuais prestigiados opositores ao regime monárquico, como Aquilino Ribeiro, Basílio Teles, Guerra Junqueiro, Miguel Bombarda, Teixeira de Queirós, Teófilo Braga, Tomás da Fonseca e o ilustrador Francisco Valença, entre outros.
António José de Almeida no manifesto publicado no primeiro número da revista, refere: “Qual o programa da Alma Nacional? Ele se saltará das páginas que ora se iniciam. De que maneira vai ela combater? Não sei. Instrumento de propaganda e arma de guerra nas mãos de um rebelde, nem eu posso dizer o que ela fará, nem eu calculo o que ela será”.

              

in “Hemeroteca Municipal de Lisboa”

 

sábado, 27 de maio de 2017

CATEDRAL DE PISA

 
 
 
 
CATEDRAL DE PISA

 
A riqueza e o prestígio dos estabelecidos centros de adoração cristã durante a época românica estão reflectidos nas proporções cada vez maiores das igrejas construídas nessa altura. O que está perfeitamente ilustrado pelo famoso conjunto de catedral, campanário e baptistério de Pisa, em Itália.
O progresso na construção de abóbadas em pedra e a utilização de arcadas periféricas (que ajudam a reduzir a grossura da parede exterior) utilizam-se para explorar as possibilidades de iluminação e decoração, mais tarde realizadas com grande efeito na arquitectura gótica europeia.
Em Itália, os restos da arquitectura romana foram uma fonte de material arquitectónico e precedentes estilísticos. Juntamente com as influências da cultura bizantina, fornecem a continuidade entre os mundos antigo e medieval. A forma simples e rectangular de basílica da primitiva igreja cristã, do século IV, tem uma nave central e naves laterais e mais tarde adaptou-se a cerimónias que necessitavam de transeptos, numa planta cruxiforme.

 

in “Arquitectura” – Neil Stevenson

 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

JOSEFA DE ÓBIDOS - Pintora

 
 
 
 
JOSEFA DE ÓBIDOS
(Sevilha, Espanha,1630 — Óbidos, Portugal, 1684),

 Pintora

Ao longo de quase quatro décadas, Josefa de Óbidos criou algumas das imagens mais reconhecíveis da História da Arte portuguesa. Fascinante pela sua condição de género mas também pela individualidade do seu percurso artístico, Josefa é o alicerce desta grande exposição que nos desvenda, em oito núcleos, o Barroco português nos anos que se seguiram à Restauração da Independência.

Mais de 130 peças (pintura, escultura e artes decorativas) vindas de várias instituições nacionais e internacionais, como os museus do Prado e de Bellas Artes de Sevilha, o Mosteiro do Escorial e de inúmeras colecções privadas, portuguesas e estrangeiras, compõem uma mostra inovadora, que o Museu Nacional de Arte Antiga, em parceria com a Ritmos, preparou para o verão de 2015.

Revisitar a sua obra tem várias justificações. Mostrar a um novo público as suas pinturas, muitas em colecções privadas, e voltar a interrogar essas obras à luz dos contributos críticos entretanto colhidos, em exposições nacionais e internacionais onde a presença da pintora foi particularmente forte, são apenas algumas.
Afastar de Josefa o mito da artista curiosa, porém provinciana, e apresentá-la como uma mulher emancipada e culta, cuja fé reflecte a espiritualidade do século XVII, e como o mais eficaz e reputado expoente do Barroco português no ciclo que se seguiu à Restauração, é outro dos objetivos.

 
Fonte: Texto de apresentação da mostra da obra de Josefa de Óbidos realizada no Museu Nacional de Arte Antiga em 2015 – Lisboa.

 
 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

ÁLVARO PAIS – Filósofo

 
 
 
ÁLVARO PAIS
(Galiza, Espanha, 1275/80 – Sevilha, 1352)

Jurista, teólogo, filósofo e canonista

Cursou direito na Universidade de Bolonha, onde foi discípulo de Guido de Baisio, leccionando mais tarde nessa mesma Universidade e chegando a ser Bispo de Silves, Algarve (1333).
O seu pensamento é de difícil caracterização, já que carece de unidade e da coerência que o sistematizaria. A generalidade dos eruditos que têm abordado a sua obra interpreta o seu pensamento predominantemente no âmbito da filosofia política e, nesta, inserem-no na corrente hierocrática medieval – ou seja, entendendo todo o poder temporal como subordinado ao poder espiritual do Papa.
Do reconhecimento e sagração do monarca pelo Papa, dependeria o Rei ou Imperador ficarem investidos do poder espiritual, do direito ou da legitimação divina de reinarem sobre o povo – Rei ou Imperador pela graça de Deus! -, daí resultando como objectivo final a bem-aventurança eterna dos súbditos e a protecção divina do reino - a tese é a de toda a filosofia política medieval. O Poder possui uma origem divina – omnis potestas a Deo.

Algumas das suas obras:Collyrium fidei Adversus haereses (Colirio da Fé contra os hereges);De statu et planctu Ecclesiae (Do estado e do pranto da Igreja); Speculum regum (Espelho de reis),escrita em Tavira entre 1341 e 1344.

 
in “Didacta – Filosofia”
Imagem: Álvaro Pais, em gravura do século XIX - Biblioteca Nacional de Portugal.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE SINTRA

 
 
 

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE SINTRA
O MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE SINTRA (Portugal) localiza-se em pleno Centro Histórico da Vila Velha de Sintra, na Rua do Paço, num edifício do século XIX, mais concretamente de 1893. Nele, está patente ao público uma exposição de longa duração, cuja génese deu-se nas mãos do coleccionador Miguel Barbosa e de sua mulher, Fernanda Barbosa, os quais, durante cerca de 50 anos, reuniram um acervo único composto por milhares de fósseis de valor cultural e científico incalculável.

O Serviço Educativo tem como ponto de partida a exposição permanente para “contar uma história” que começa com a formação da Terra Primitiva e as mutações que esta sofreu ao longo de milhões de anos no decorrer das diferentes Épocas Geológicas, desde o Pré-Câmbrico ao Quaternário, mostrando toda a evolução da vida através das Colecções Municipais de Paleontologia, Mineralogia, Malacologia e Petrografia oriundas das mais diversificadas partes do mundo.

A constituição deste estabelecimento museológico, inaugurado em Agosto de 2009, teve e tem por base os milhares de peças de enorme importância científica que o Colecionador Miguel Barbosa e a sua mulher reuniram ao longo de décadas e que, em boa hora, doaram ao Município de Sintra.

Destacam-se, de entre os mais de 10.000 fósseis do Museu, uma soberba Colecção de Trilobites e alguns exemplares raros e muito bem conservados de Dinossáurios. Também a grande beleza dos minerais com peças ainda em rocha, e outras isoladas e lapidadas que são uma atracção para o visitante, tanto nacional como estrangeiro.

É no Museu de História Natural de Sintra que se pode ver o holótipo, espécime tipo, Barbosannia Gracillirostris. Esta nova espécie e género de pterossauro deve o seu nome cientifico a Miguel Barbosa, pois foi ele que trouxe até ao mundo cientifico este exemplar fóssil o qual foi estudado na Alemanha, no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe, através de uma parceria estabelecida entre a Edilidade e o referido Museu.

 

in “Câmara Municipal de Sintra” (excertos/adaptação)

 


terça-feira, 23 de maio de 2017

TRISTAN TZARA - Receita para fazer um poema dadaísta

 
 
 
 TRISTAN TZARA
(Moinesti, Roménia, 1896 – Paris, França,1963)

Poeta e ensaísta

Participou na fundação do movimento dadaísta em Zurique, em 1916. Proclamou a sua vontade de destruir a sociedade, os seus valores e a linguagem em obras como Coração de gás, A anticabeça e O homem aproximativo.

Após o declínio do movimento dadá, Tzara envolveu-se no surrealismo, juntou-se ao Partido Comunista e à Resistência Francesa. Tudo isto fez com que em obras como A Fuga, O Fruto Permitido, A Rosa e o Cão, esteja patente uma consciência lírica, na qual traduziu as suas preocupações sociais e testemunhou a sua ânsia de defender o homem contra todas as formas de servidão.

 
in “SlideShare” (excertos)

 
***

 Palavras deTristan Tzara
Olhe para mim! Eu sou estúpido, sou uma farsa, sou um palhaço. Eu sou como todos vocês!”

 
RECEITA PARA FAZER UM POEMA DADAÍSTA

 Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.

Recorte o artigo.

Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Seguidamente, tire os recortes um por um.

Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.

O poema será parecido consigo.

E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.

 

 

 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

ADÁGIOS

 
 
 
 ADÁGIOS

 Há na literatura portuguesa diversos trabalhos dedicados aos Adágios, devendo considerar-se os mesmos Adágios como máximas, sentenças, rifões populares, e não como provérbios.

Alguns livros dos mais conhecidos sobre Adágios: Adágios, Provérbios, Rifões e Anexins da Língua Portuguesa, atribuído a Francisco Rolland; Colecção dos Primeiros Adágios Portugueses, por Damião de Fróis Perim, manuscrito; Sentenças, de D. Francisco de Portugal; Feira de Anexins, de D. Francisco Manuel de Melo, e, mais modernamente, por exemplo, A Eufrósina, de J. Ferreira de Vasconcelos, e que representa um autêntico repositório de provérbios.

Outros trabalhos: História Geral dos Adágios Portugueses, por Ladislau Batalha; Rifoneiro Português, por Pedro Chaves, e Dicionário de Máximas, Adágios e Provérbios, por Jaime Rebelo Hespanha.

 
in “Literatura Portuguesa”

Imagem: Rosto da edição de Eufrósina, de autoria de Jorge Ferreira de Vasconcelos.

 ***
Alguns Exemplos:

- Homem sem abrigo, pássaro sem ninho.

- Não te exaltes por riqueza, nem te abaixes por pobreza.

- Um abismo chama outro abismo.

- Velho que não adivinha, não vale uma sardinha.

- Guarda pão para Maio, lenha para Abril.

 


domingo, 21 de maio de 2017

MÁRIO NEVES – “A Matança de Badajoz”

 
 



MÁRIO NEVES
(Lisboa, Portugal, 1912 — Lisboa, 1999)
Repórter

 O REPÓRTER MÁRIO NEVES NA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Quando Mário Neves, com apenas 24 anos, e ainda estudante de Direito, foi incumbido da sua primeira e derradeira prova como repórter do Diário de Lisboa, nunca iria imaginar as repercussões internacionais que iria ter o seu testemunho da tomada violenta de Badajoz por parte das tropas nacionalistas.

 A “Matança de Badajoz” foi presenciada em primeira mão por três jornalistas: Reynolds Packard, da United Press, Jacques Berthet, do Temps, acompanhados por Mário Neves. Estes jornalistas, e mais tarde Jay Allen, correspondente do Chicago Tribune, foram os primeiros a denunciar a violência e a “inflexível justiça militar” realizada pelo Exército de África, comandado pelo tenente-coronel Yagüe.

Estes testemunhos directos e oculares iriam ter um impacto muito forte na imagem que os rebeldes nacionalistas queriam dar ao mundo, de libertadores da barbárie e da anarquia.

Para Mário Neves significou a última oportunidade de apresentar a verdade, já que depois do seu artigo de 16 de Agosto de 1936, a crónica do dia seguinte foi integralmente censurada e ele próprio envolvido numa polémica internacional sobre a veracidade dos relatos, que se arrasta até aos nossos dias.

Se em Portugal a faceta violenta do Exército de África foi facilmente neutralizado pela censura, no estrangeiro as repercussões foram enormes, e o Governo Português foi associado e condenado pela colaboração com a facção nacionalista, num período em que ainda estava a ser delineada a política de “neutralidade” assumida oficialmente por Salazar.

A polémica surgiu com a publicação em 1937 do livro The epic of the Alcazar: A History of the siege of the Toledo Alcazar, do comandante inglês Geoffrey McNeill-Moss, que continha um capítulo intitulado “The legend of Badajoz” onde o autor, utilizando tendenciosamente as crónicas de Mário Neves, através da sua transcrição parcial e fragmentada, as compara com as crónicas dos seus colegas franceses e norte-americano, procurando contradições nelas, tendo em vista desmentir o próprio massacre de Badajoz.

Mário Neves viu-se assim envolvido involuntariamente num processo de manipulação da verdade histórica, o que o levou a escrever uma carta ao director do Diário de Lisboa, publicada no dia 6 de Dezembro de 1937, onde, apesar da censura, é bem claro sobre a indignação provocada por aquele autor, que “não teve escrúpulos em transcrever um artigo [de Mário Neves] a que subtraiu precisamente passagens que não lhe convinham, sem fazer sequer referência às mutilações”, visando retirar credibilidade aos colegas que “procederam com a mesma preocupação de honestidade profissional que me norteou.”

Esta manipulação foi claramente posta em causa em 1937 por Arthur Koestler, também jornalista, correspondente do News Chronicle, no livro Dialogue with death – A Spanish Testament. A polémica foi mais tarde retomada, em 1963, por Herbert Southworth, no seu livro El Mito de la cruzada de Franco, onde estuda as deturpações da propaganda franquista que visava encobrir as atrocidades cometidas.

Segundo o próprio Mário Neves, o livro de Southworth foi o mais conseguido na aclaração dos acontecimentos de Badajoz. Foi também onde se publicou pela primeira vez o artigo censurado de Mário Neves, que fechava a crónica da tomada da cidade. Outros autores, como Hugh Thomas, apoiaram a narrativa presencial de Mário Neves, amplamente confirmada pela mais recente historiografia – apesar do manifesto incómodo das versões “nacionalistas” que periodicamente voltam a pôr em causa, sem argumentos válidos, a veracidade do seu testemunho.

A firme promessa feita naquele último artigo censurado de que não mais voltaria a Badajoz foi quebrada em Maio de 1982 por Mário Neves, quando se dirigiu à cidade dos seus tormentos com uma equipe de televisão britânica para prestar o seu testemunho sobre os trágicos acontecimentos por ele presenciados, testemunho que entendeu como um dever para o apuramento da verdade histórica e a preservação da Memória, deixando-nos ainda o livro “A Matança de Badajoz”.


Fonte: “Fundação Mário Soares”

 


sábado, 20 de maio de 2017

MANUELA PORTO - Escritora

 
 
 
 MANUELA PORTO
(Lisboa, Portugal, 1908 – 1950)

Declamadora, actriz, escritora, encenadora e tradutora

Em 1933, terminou o curso de Arte de Representar, no Conservatório Nacional de Lisboa, com a classificação de 20 valores e prémio. Em seguida, iniciou a sua carreira artística no Teatro Experimental Juvénia. Actuou depois no Teatro Ginásio e fez parte do elenco da empresa Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro.
Retirou-se de cena para se dedicar a recitais de declamação, revelando vários poetas modernos, e orientou amadores para o teatro experimental e clássico. Também se dedicou à conferência, pronunciando, entre outras, uma de grande interesse: Teatro Dell´Arte fonte de inspiração à reteatralização do Teatro.

O músico Fernando Lopes Graça consagrou-lhe, postumamente, uma composição de piano: Pranto à Memória de Manuela Porto.

Algumas das suas obras: Um Filho Mais e Outras Histórias, Doze Histórias Sem Sentido, Uma ingénua: a história de Beatriz.

 

in “Dicionário de Mulheres Célebres”

 


sexta-feira, 19 de maio de 2017

PALÁCIO DE BELAS ARTES - México

 




PALÁCIO DE BELAS ARTES

 
Teatro da Cidade do México, chamado também Palácio de Belas Artes. Este templo da ópera foi concebido depois da demolição, em 1901, do Teatro Principal, com o objectivo de construir um grande teatro apto para representações operistas, que se ajustasse melhor às necessidades sociais do México de princípios do século XX.
 
Após muitas vicissitudes, o teatro foi inaugurado finalmente em 1934. Durante todos estes anos, o Teatro de Belas Artes, com uma capacidade de cerca de 2000 lugares, tem conseguido o devido prestígio graças à contratação dos melhores artistas e espectáculos do momento.

 
in “Auditorium”

quinta-feira, 18 de maio de 2017

FLORENCE NIGHTINGALE - "A Dama da lâmpada"

 
 
 
 
FLORENCE NIGHTINGALE

(Florença, Itália, 1820 — Londres, Inglaterra, 1910)

Educadora e filantropa

Licenciada em Medicina e Cirurgia.
Em 1854, partiu, juntamente com mais quarenta senhoras, para o Médio Oriente, juntando-se aos hospitais militares ingleses, em Estári (Turquia), e, daqui, foi para Balaclava, a fim de organizar o serviço das ambulâncias, tendo feito toda a guerra da Crimeia (1854-1855), como «Lady-in-Chief» (Superior-Geral do Serviço Sanitário do Exército Inglês).
Foi notável a sua dedicação para com os feridos, e, apesar de ter sido atacada pela cólera, nunca quis abandonar o seu posto. De regresso a Inglaterra, instituiu e dirigiu, em Londres, uma escola destinada a preparar enfermeiras e vigilantes laicas.
Foi ela quem inspirou as leis internacionais posteriores sobre o tratamento dos feridos de guerra e contribuiu para a fundação da Cruz Vermelha, como o seu fundador Dunant foi o primeiro a reconhecer.
Fundou outras instituições, como as de protecção  à infância, ao ensino técnico e moral de amas e enfermeiras; e, a expensas suas, organizou o hospício de Harley-Street, em Londres.
O poeta norte-americano Henrique Wadsworth Longfellow (1807-1882) chamou-lhe «the woman with the lampe».
O governo inglês, reconhecendo os seus prestimosos serviços à Pátria e à Humanidade, concedeu-lhe, em 1907, a Ordem do Mérito, pela primeira vez concedido a uma senhora. Era muito estimada por todos, e o seu funeral constituiu uma grande manifestação de pesar.

in “Mulheres Célebres”

 

 

 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

JUAN EDUARDO CIRLOT - Las aves infinitas del amor...

 
 
 

JUAN EDUARDO CIRLOT

(Barcelona, Espanha, 1916 - 1973)

Poeta, crítico literário, de arte e de cinema, músico

É considerado um dos mais importantes poetas do período pós Guerra Civil Espanhola.
Algumas das suas obras: En la llama, Ochenta años, 44 sonetos de amor, Diccionario de los símbolos.

 
 LAS AVES INFINITAS DEL AMOR...

 
Las aves infinitas del amor
están petrificadas en sus lechos
de roca cristalina y solitaria.
Son aves vivas pero muertas. Son.

Sus alas ya no tiemblan ni en el cielo
e sabe que fue el vuelo de las aves.
Unas son transparentes como vidrios.
Otras son de basalto impenetrable.

Vivieron en los árboles y ardieron
entre los gritos ávidos del júbilo.
Pero todas cayeron desde lo alto.
Están petrificadas para siempre.

 

 
 

terça-feira, 16 de maio de 2017

ERICH MARIA REMARQUE - Escritor

 
 
 
 
ERICH MARIA REMARQUE
(Osnabrück, Alemanha,1898 - Locarno, Suíça, 1970)

 Escritor
 
Foi um dos mais importantes escritores do séc. XX. Banido pelos nazis por ser alegadamente descendente de judeus franceses, viu os seus livros serem atirados para a fogueira. Foi exilado em 1933 sob acusação de fazer propaganda contra o nacionalismo alemão.

Possuidor de uma escrita exemplar e de um profundo conhecimento da alma humana, ficará na história da literatura.

Algumas da suas obras: A Oeste Nada de Novo, O Obelisco Negro,Tempo para Amar e Tempo para Morrer, Uma Noite em Lisboa, Arco do Triunfo.

 
in “Escritores”
 
 
        Palavras de Erich Maria Remarque:
 
"Eu sou jovem, tenho vinte anos. No entanto, nada sei da vida senão o desespero, a morte, o medo e a superficialidade fátua lançada sobre um abismo de tristeza. Eu vejo como os povos são postos uns contra os outros, e em silêncio, inconscientemente, tolamente, obedientemente, inocentemente para se matarem uns aos outros. "
 

 

 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

PRIMEIROS LIVROS DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

 

 
PRIMEIROS LIVROS DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

Nem sempre o livro, no que diz respeito exclusivamente ao modelo actual e forma de divulgar o melhor possível um texto, foi o que é hoje. Os primeiros livros da história da Humanidade foram executados em rolos de papiro pelos egípcios, rolos que chegavam a atingir por vezes vinte metros. O mais antigo rolo conhecido data de 2400 anos a.C.

Muitos séculos depois, isto no ano 500 a.C., surgiu o pergaminho, lançado no mercado da escrita pelo rei de Pérgamo (daí o nome de pergaminho), Euménio, com a finalidade de se subtrair ao monopólio egípcio do papiro. Mas foram os chineses que idealizaram e fizeram circular pela primeira vez o livro em folhas de pergaminho, juntas e, mais tarde, em cadernos (fins do século I), o que veio dar origem ao volume. E enquanto não surgiu o papel, foi o pergaminho o material mais adoptado para a feitura de livros manuscritos, tanto pelo seu preço, muito mais barato que o papiro, como pelo facto de receber com mais facilidade a escrita.

Os primeiros livros portugueses em folhas de que há conhecimento, são manuscritos e pertencem à Idade Média. Começaram por surgir nos mosteiros e foram copiados de outros por hábeis copistas. A estes seguiram-se os livros gravados que, segundo Seizins, apareceram na Europa em 1431. Já então existia uma tal ânsia de cultura que o mais precioso presente que se podia oferecer era um livro. A arte de copista era, por essa altura, das mais principescamente remuneradas. Até que surgiu Gutenberg e a descoberta dos caracteres tipográficos móveis. É a época da tipografia. E com ela um enorme salto dado na técnica e divulgação do livro.

O mais antigo livro impresso pelo sistema dos caracteres móveis inventados por Gutenberg, foi o Excerto do Juízo Final (1445), seguido da famosa Bíblia de 42 linhas, também conhecida pela Bíblia de Mogúncia, e que teria sido impressa pelo próprio Gutenberg, entre 1450 e 1455. Desta Bíblia existem, actualmente, 40 exemplares dispersos pelo mundo, um dos quais se encontra na Biblioteca Nacional de Lisboa, sendo 28 em papel e 12 em pergaminho.

Quanto ao aparecimento da imprensa em Portugal, temos que a primeira obra de impressão saída das nossas tipografias medievais foi o Tratado de Confissão, livro de 59 páginas impressas a duas colunas, em Chaves, a 8 de Agosto de 1489. Por consequência mais velha cinco anos do que o Breviarium Bracarence (1494).

O primeiro jornal a circular em Portugal, foi a Gazeta, no ano de 1641, ligada ao movimento da Restauração da Independência. Em 1663, apareceu o primeiro número do Mercúrio, jornal a que sucedeu vinte e cinco depois, o Mercúrio da Europa.

 

in “Dicionário da Literatura Portuguesa”

 

domingo, 14 de maio de 2017

CARTA DE AMOR

 
 
 
 

CARTA DE AMOR

Ouve-me!, se é que ainda
Me podes tolerar.
Neste papel rasgado
Das arestas da minh'alma,
Ai!, as absurdas intrigas
Que te quisera contar!
Ai os enredos,
Os medos,
E as lutas em que medito,
Quer dê, quer não dê por isso,
Sem descansar
Um momento...!
Quem sofre - pensa; e o tormento
Não é sofrer, é pensar.
O pensamento
Faz engolir o vómito de fel...
Ouve! se sou cruel
Neste papel queimado
Dos incêndios da minh'alma,
é de raiva de que embalde
Te procure dizer sem falsidade
Coisas que, ditas, já não são verdade...
E procuro eu dizê-las,
Ou procuro escondê-las?
E procuro eu dizer-tas,
Ou procuro a vaidade
De mas dizer, a mim, de modo que mas ouçam
Esses mesmos que desprezo,
E cujo louvor me é caro?
Não me acredites!
O que digo,
Antes ou depois, o peso;
E não!, não é a ti que me eu declaro!
Sei que me não entendes.
Sei que quanto melhor te revelar
O meu mundo profundo,
O fundo do meu mar,
Os limos do meu poço,
O antro que é só meu (sendo, apesar de tudo, nosso)
Menos me entenderás,
Tu..., - a minha metade!
Por isso me não és senão vaidade,
Meu amor!, meu pretexto
Deste miserável texto...
Vês como sou?
Mas sou pior do que isto.
Sabe que, se me acuso,
é só por vício antigo
De me lamber as mãos e agatanhar o peito,
De me exibir a Cristo!
Sabe que a meu respeito
Vou além de quanto digo.
Sabe que os males que ora uso,
Como quem usa
Cabeleira ou dentadura,
São a pintura
Que esconde os mais verdadeiros,
e outro teor...
E sabe que sou pior!:
Sabe (se é que o não sabes)
Que ao teu amor por mim foi que ganhei amor.
Que a ti..., sei lá se te amo.
Sei que me deixam sozinho
Ante o girar dos mundos e dos séculos;
Sei que um deserto é o meu caminho;
Sei que o silêncio
Me há-de sepultar em vida;
Sei que o pavor, a noite, o frio,
Serão jardim da minha ermida;
Sei que tenho dó de mim...
Fica tu sabendo assim,
Querida!,
Porque te chamo.
Mas amar-te?!
Não!, minha vida.
Não! Reduziram-me a isto:
Só a mim amo.

 
JOSÉ RÉGIO (Vila do Conde, Portugal, 1901 – 1969), escritor, poeta, dramaturgo, ensaísta, historiador.
Imagem: pintura de Delphin Enjolras (França, 1857-1945).

 

 

 

 

sábado, 13 de maio de 2017

ARGENTINA SANTOS - Fadista

 
 
 
 
ARGENTINA SANTOS

(Mouraria, Lisboa, Portugal, 1926)

 Fadista

Argentina Santos cantou, essencialmente, no restaurante de que sempre foi proprietária, “A Parreirinha de Alfama”.

Mulher corajosa e de muito trabalho dedicou-se à cozinha do espaço que abriu. Aí se juntavam muitos fadistas para petiscar e cantar e, a pouco e pouco, criaram o ambiente do restaurante que ainda hoje se mantém.

Deslocou-se ao Brasil, a S. Luís do Maranhão, em 1995, e a S. Paulo, em 1999 actuando na Casa de Portugal, à Grécia, à Escócia, a França, à Holanda, ao País de Gales, a Londres e a Itália.

A sua “Parreirinha de Alfama” tem sido cenário de muitos afectos: por lá têm passado grandes poetas do fado e compositores que lhe têm oferecido todo o reportório que possui. E, consciente da importância de ter um reportório próprio, Argentina Santos faz questão de cantar temas exclusivos, à excepção do fado "A Lágrima", de Amália Rodrigues, e do "Lisboa Casta Princesa", do repertório de Ercília Costa.

Temas como "A Minha Pronúncia", o "Chafariz d' El Rei", “As Duas Santas” e “Juras” são a sua imagem de marca, os quais foram registados nos seus primeiros trabalhos discográficos, ainda em formato de 78 rpm, gravados para a editora Estoril, logo no ano da sua estreia, em 1953.

Em 1999, no dia 28 de Novembro, foi-lhe prestada uma festa de homenagem no Museu do Fado.

No ano seguinte, a 28 de Abril, foi-lhe prestada uma homenagem no Coliseu dos Recreios em Lisboa, onde participaram inúmeros fadistas das várias gerações, que lhe teceram elogiosos comentários, demonstrativos do grande respeito inspirado pela fadista Argentina Santos aos seus colegas..

A Fundação Amália Rodrigues, na sua primeira atribuição de prémios, em 2005, distinguiu Argentina Santos com o prémio "Carreira".

 
in “Museu do Fado” (excertos)

 
***

Palavras de Argentina Santos:

“Canto quando é preciso cantar, quando tenho público que gosta de fado. Agora se é público que gosta de marchas e palminhas, eu não sei fazer isso. Claro que há gente que bate palmas a tudo. Essas pessoas vêm ao fado por vaidade, não é porque gostam. “