sexta-feira, 24 de março de 2017

PEDRO HISPANO - Filósofo





PEDRO HISPANO
(Lisboa, Portugal 1215 – Viterbo, Itália, 1277)

Papa, médico, filósofo, professor e matemático


"Petrus Hispanus" é seguramente o nome mais importante associado à Filosofia durante a Idade Média em Portugal. Contudo, subsistem inúmeras questões quanto à identificação deste autor e à extensão do seu corpus escrito. 

Autor (ou autores) provavelmente activo em meados do século XIII, estão-lhe atribuídas obras de Lógica, de Filosofia da natureza, de Psicologia, de Zoologia, de Medicina, de Alquimia, de Mística, e também Sermões. 

Durante a Idade Média e início da Idade Moderna algumas dessas obras tiveram uma extraordinária influência e difusão. De facto a Petrus Hispanus são atribuídos: o primeiro comentário latino escrito sobre o De anima de Aristóteles, o mais extenso tratado escrito em latim sobre o De anima, o manual de lógica mais copiado e editado de sempre e que entre os séculos XIII e XVII esteve em uso em boa parte das universidades continentais, o mais popular receituário de medicina que foi usado até ao século XVI, um dos mais extensos comentários à Articella, um conjunto de obras centrais na formação médica universitária, e também um dos primeiros comentários latinos sobre a obra zoológica de Aristóteles. 

O filósofo e cientista a quem é atribuída toda esta extensa e influente obra é o português Pedro Julião que em 1276 foi eleito Papa João XXI, função que ocupou até à sua morte em 1277. Mas, quase tudo está por confirmar quanto a esta atribuição e à unidade ou pluralidade de autores encobertos por este nome Petrus Hispanus.



in “Petrus Hispanus”



quinta-feira, 23 de março de 2017

ANNA AKHMATOVA - O canto do último encontro





ANNA AKHMATOVA
(Odessa, Ucrânia, 1889 – Leninegrado, Rússia, 1966)

Poetisa, especialista em literatura e tradutora


Em 1941, com a II Guerra Mundial, encontrava-se em Leninegrado. Tendo sofrido os horrores do cerco da cidade, foi evacuada para Tachkent, onde continuou a escrever os seus poemas. Porém, em 1946, o seu nome estava na lista dos «suspeitos do regime». Apesar de todas estas obstinações, continuava a escrever, mas os seus livros só muito mais tarde tiveram ordem de circular.

Pertenceu ao movimento denominado de akmeísmo, corrente oposta ao simbolismo e ao futuro, em voga naquele tempo. O seu nome figura ao lado dos grandes nomes literários da sua pátria: Pasternak, Ivan Bunin e Alexandre Tvarclovski. A tiragem das suas obras atingiu a cifra de oito milhões de exemplares.

O seu filho foi preso em 1936. Dessa angústia nasceu o poema, em livro, Requiem.


in “Dicionário de Mulheres Célebres”


Palavras 
de 
Anna Akhmatova

“Era uma época em que só os mortos sorriam, felizes na sua paz.”



O CANTO DO ÚLTIMO ENCONTRO

Sentia-me sem forças, gelada,
mas os meus passos eram leves.
Na mão direita tinha a luva
da mão esquerda, ao partir.

Eram realmente tantos degraus?
Eu sabia que eram só três!
O outono abraçava os plátanos
e murmurava: “Morre comigo!"

É o meu destino
que me enganasse e me traísse.
Eu respondi: "Oh, meu amor!
Eu também...Contigo morrerei..."

Este é o canto do último encontro.
Olhei para a casa escura,
Só no meu quarto, amarelo e indiferente,
ardia o fogo das velas.



Tradução: Manuel de Seabra


quarta-feira, 22 de março de 2017

MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA





MUSEU NACIONAL DE ARTE ANTIGA

Lisboa - Portugal


Criado em 1884, habitando, há quase 130 anos, o Palácio Alvor e cumprindo mais de um século da actual designação, o Museu Nacional de Arte Antiga alberga a mais relevante colecção pública portuguesa, entre pintura, escultura, ourivesaria e artes decorativas, europeias, de África e do Oriente.

Composto por mais de 40 000 itens, o acervo do Museu compreende o maior número de obras classificadas pelo Estado como “tesouros nacionais”. Engloba também, nos diversos domínios, obras de referência do património artístico mundial.

Herança da História (com realce para as incorporações dos bens eclesiásticos e dos provenientes dos palácios reais), a colecção do Museu Nacional de Arte Antiga foi sendo engrandecida por generosas doações e importantes compras, ilustrando, em patamar de objectiva excelência, o que de melhor se produziu ou acumulou em Portugal, nos domínios acima enunciados, entre a Idade Média e os alvores da Contemporaneidade.

Parceiro incontornável na actividade museológica internacional, ao Museu pertence, historicamente, a dignidade de museu nacional normal: o que define a norma, as boas práticas, em acordo, uma vez mais, com os padrões internacionais, seja em matéria de conservação e de museografia, seja no âmbito do seu serviço de educação, pioneiro no País.



Fonte: Museu Nacional de Arte Antiga
Imagem: fotografia de Hugo M. Carriço


terça-feira, 21 de março de 2017

ALUÍSIO DE AZEVEDO - Pobre amor





ALUÍSIO DE AZEVEDO
(Maranhão, Brasil, 1857 - Argentina, 1913)

Romancista, caricaturista, jornalista e poeta


Aos 17 anos, parte para o Rio de Janeiro e começa a estudar pintura na Academia Imperial de Belas Artes. Logo passa a colaborar, com caricaturas e poesias, em jornais e revistas. 

Em 1880, lança o romance Uma Lágrima de Mulher, em estilo romântico. Fortemente influenciado pelas leituras de Eça de Queiroz e de Émile Zola, que lhe apontam um novo caminho, publica em 1881 O Mulato, obra que inaugura o Naturalismo na literatura brasileira. Por tratar-se de um libelo contra a vida e os costumes maranhenses no período abolicionista, o romance provoca violenta reacção da sociedade provinciana e do clero.

Na carreira literária de Aluísio de Azevedo, podemos distinguir duas posições estéticas simultâneas: de um lado, os romances românticos, que o próprio autor chamava de "comerciais", destinados a alimentar os jornais e a agradar a um público acostumado aos sentimentalismos e às extravagâncias da moda; de outro, os romances "artísticos", em que o autor adere ao espírito naturalista, produzindo verdadeiras obras-primas. 

À linha folhetinesca pertencem Memórias de um Condenado, Girândola dos Amores, Filomena Borges, entre outros. 

À linha artística pertencem os romances maiores de Aluísio: O Mulato, Casa de Pensão e O Cortiço, considerada sua obra-prima, onde narra, em linguagem vigorosa, a vida miserável dos moradores de duas habitações colectivas.

Há nas principais obras do autor uma preocupação constante com a denúncia de situações sociais desumanas e injustas, que o tornam, acima de tudo, um romancista social.


Fonte: L&M (excertos)

***

   Palavras 
de 
Aluísio de Azevedo

“Triste viagem é a da vida, que termina sempre por um naufrágio; ou da qual ainda ninguém saiu sem levar a mastreação partida, o farol apagado, e as velas estraçalhadas pelos terríveis vendavais que se encontram no caminho."


POBRE AMOR


Calcula, minha amiga, que tortura!
Amo-te muito e muito, e, todavia,
Preferira morrer a ver-te um dia
Merecer o labéu de esposa impura!

Que te não enterneça esta loucura,
Que te não mova nunca esta agonia,
Que eu muito sofra porque és casta e pura,
Que, se o não foras, quanto eu sofreria!

Ah! Quanto eu sofreria se alegrasses
Com teus beijos de amor, meus lábios tristes,
Com teus beijos de amor, as minhas faces!

Persiste na moral em que persistes.
Ah! Quanto eu sofreria se pecasses,
Mas quanto sofro mais porque resistes!



segunda-feira, 20 de março de 2017

TEATRO LA FENICE - Veneza – Itália





TEATRO LA FENICE 

Veneza – Itália

Inaugurado a 16 de Maio de 1792


O Teatro La Fenice é uma das mais importantes instituições culturais da cidade. Um espaço cultural extremamente popular, não só pelos venezianos, mas em todo o mundo.

Foi vítima de três incêndios, o mais recente em 29 de Janeiro de 1996. Naquela noite, a maioria dos venezianos de todas as idades e origens acompanharam com tristeza a destruição criminosa da bela sala do teatro.

A opinião pública mundial imediatamente manifesta a vontade de reconstruir o teatro, permanecendo fiel ao estilo original. O trabalho foi confiado ao arquitecto Aldo Rossi e a reconstrução durou oito anos. Em 14 de Dezembro de 2003 foi inaugurado com um concerto dirigido por Riccardo Muti.

“La Traviata”, de Giuseppe Verdi, marca o início da nova vida do teatro veneziano.



in “Teatro La Fenice”







domingo, 19 de março de 2017

ÉLISABETH-LOUISE VIGÉE-LE BRUN - Pintora





ÉLISABETH-LOUISE VIGÉE-LE BRUN
(Paris, França,1755 - 1842)

Pintora


Com precoce talento, foi uma exímia retratista. Viveu na corte de França, pintou inúmeras telas da malograda família de Luís XVI. Conhecemos a rainha Maria Antonieta em mais de trinta retratos de sua autoria. 

Viveu entre dois séculos e numa época de profundas mudanças sociais. Esteve exilada doze anos e foi convidada a pintar em diversas cortes europeias. 

Pertenceu a diversas Academias de Belas Artes como as de Florença, Roma, Bolonha, e São Petersburgo. Viveu seis anos na Rússia. 

Está representada em praticamente todos os museus do mundo. Pintou mais de novecentas telas das quais setecentos retratos. Afável e generosa foi também uma pessoa muito estimada. Deixou diversos auto-retratos.



in “O Leme”
Imagem: auto-retrato 


sábado, 18 de março de 2017

GERVÁSIO LOBATO - Dramaturgo




GERVÁSIO LOBATO
(Lisboa, Portugal, 1850-1895)

Dramaturgo, jornalista e professor de declamação


Tinha o curso superior de Letras e fez a cadeira de Direito Internacional da Escola Naval em ordem à carreira diplomática. Dedicou-se, porém, à literatura dramática. Foi professor de Declamação no Conservatório de Lisboa. 

Escreveu comédias, operetas e novelas. 

Pela vivacidade e humanismo, o seu teatro tornou-se muito popular. Comediógrafo engenhoso e desenfastiado evocador dos costumes lisboetas, escreveu, entre outras obras, as operetas musicadas por Ciríaco de Cardoso O Burro do Senhor Alcaide e O Solar dos Barrigas, as peças de teatro A Burguesa, Sua Excelência, O Seguro de Vida, O Comissário de Polícia, e as novelas em episódios humorísticos Lisboa em Camisa (a sua obra mais reeditada), os Mistérios do Porto, em cinco volumes e O Grande Circo.


in “Grande Livro dos Portugueses”