terça-feira, 17 de outubro de 2017

JORNALISMO

 
 
 

JORNALISMO

 
- MIA COUTO (escritor):
Temos que ter cautela sobre a facilidade com que invadimos a alma dos outros. Quem nos autoriza a falar com tanta ligeireza dos outros? Nenhuma cidadania me pode dar esse direito de falar em público sobre a intimidade de seja quem for. Podemos discutir casos gerais, princípios, ideias, mas não temos o direito de trazer para o jornal os assuntos da alma e do coração de qualquer cidadão.

 
- EÇA DE QUEIRÓS (escritor):
O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia.

 
- OSCAR WILDE (escritor):
O jornalismo moderno tem uma coisa a seu favor. Ao nos oferecer a opinião dos deseducados, ele mantém-nos em dia com a ignorância da comunidade.

 
- ADLAI STEVENSON (político):
Um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo - e publica o joio.

 
- GUSTAVE FLAUBERT (escritor):
Considero como uma das felicidades da minha vida não escrever nos jornais; isto faz mal ao meu bolso, mas faz bem à minha consciência.

 
- JOAQUIM NABUCO (historiador):
Uma das maiores burlas dos nossos tempos terá sido o prestígio da imprensa. Atrás do jornal, não vemos os escritores, compondo a sós o seu artigo. Vemos as massas que o vão ler e que, por compartilhar dessa ilusão, o repetirão como se fosse o seu próprio oráculo

 
- HENRY THOREAU (poeta):
Benditos os que nunca lêem jornais, porque verão a Natureza e, através dela, Deus.

 
- HONORÉ DE BALZAC (escritor):
O jornalismo é uma catapulta imensa, posta em movimento por ódios mesquinhos.

 
- VICTOR HUGO (escritor):
Uma calúnia na imprensa é como a relva num belo prado: cresce por si mesma.

 
- BERNARD SHAW (dramaturgo):
Um jornal é um instrumento incapaz de discernir entre uma queda de bicicleta e o colapso da civilização.

 
- JOEL NETO (escritor):
Colecção de perplexidades e obsessões, cada crónica de jornal é, no essencial, um fragmento da biografia do seu autor.

 
-  CLARICE LISPECTOR (escritora):
Não gosto de dar entrevistas: as perguntas me constrangem, custo a responder, e, ainda por cima, sei que o entrevistador vai deformar fatalmente minhas palavras.

 
- CARLOS MALHEIRO DIAS (escritor):
A coragem de afirmar asneiras é uma das características da improvisação jornalística.

 
- CASIMIRO BRITO (poeta):
Raramente leio jornais. O que dizem ter acontecido ontem já aconteceu há muito tempo

 
- JULES D'AUREVILLY (escritor) :
Os jornais, que deveriam ser os educadores do público, nada mais são que cortesãos dele, quando não suas cortesãs.

 
- MARCEL PROUST (escritor):
O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que nós lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais.

 

in “Citador”
Imagem:Net

 

 
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

CARLOS REIS - Pintor

 


CARLOS REIS
(Torres Novas, Portugal, 1863 – Coimbra, 1940)

Pintor

Mestre Carlos Reis, como era conhecido, fez a instrução primária em Torres Novas e, ainda bastante jovem começou a revelar a sua arte em esboços e desenhos, desenvolvendo talentos que o levariam à sua inscrição em 1881, na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa.
Foi um pintor notável pela sua aptidão para transmitir luminosidades. Trabalhador incansável, pintou numerosos quadros, alguns de grandes dimensões, como os painéis decorativos da Sala de Baile do Hotel do Buçaco e um retrato de D. Carlos, que se encontra no paço de Vila Viçosa.
 
Outra obra de relevo encontra-se na Sala do Senado do Palácio de S. Bento. Pintou também retratos da realeza e nobreza contemporânea, bem como cenas da vida quotidiana do povo português nos seus aspectos típicos, bodas e festas. São disso exemplo, Uma Saúde aos Noivos, a Talha Vidrada e o Primeiro Filho.
 
A sua pintura, cheia de luz e cor, é sobretudo inspirada na natureza, como se pode admirar por exemplo, em Raios de Sol Ardente e Pôr-do-Sol.
Mas, se Carlos Reis foi um pintor popular, é também considerado o mágico do branco, para comunicar as transparências da luz, em expressões inigualáveis, como as de Primeira Comunhão, Asas e Comungantes.
Fundou o grupo “Ar Livre”, antecessor do “Grupo Silva Porto”, onde se reuniram muitos dos seus discípulos. Em 1940, foi-lhe concedida a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e, em 1942, é atribuído o seu nome ao Museu Municipal de Torres Novas.
 
in “Museu Municipal Carlos Reis”(excertos)
Imagem: Carlos Reis – auto-retrato


domingo, 15 de outubro de 2017

O MAIOR MILAGRE É A VIDA QUOTIDIANA

 
 

 
 O MAIOR MILAGRE É A VIDA QUOTIDIANA

Se eu procurasse algum milagre no mundo, não seriam os acontecimentos extraordinários que eu chamaria de milagres, mas bem mais o curso normal das estações e a forma invariável das constelações. Se algo pudesse provar que há um deus, seria a ordem e não a desordem, e o retorno constante dos dias e das estações, mais do que o espectáculo de um homem caminhando sobre o mar.

 
in “Considerações II” – (Citador)

ÉMILE-AUGUSTE CHARTIER (França, 1808 – 1951), ensaísta e filósofo.  
Imagem: pintura de Joan Miró (Barcelona, Espanha, 1893 – Palma de Maiorca, 1983).

 

sábado, 14 de outubro de 2017

JOÃO DE DEUS - A Vida

 
 
 
JOÃO DE DEUS
(S. Bartolomeu de Messines, Portugal, 1830 – Lisboa, 1896)

Poeta e Pedagogo

A VIDA

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa.

A vida é sonho tão leve,
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai.
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
- Voa mais leve que a ave:

Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

 
 
in “Campo de Flores”


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

ALBA -Composição trovadoresca provençal

 
 
 
ALBA
 
Composição trovadoresca provençal muito frequente na Idade Média, destinada a exprimir a saudade pela despedida de dois amantes felizes, a cujo idílio o raiar da alva punha fim, como no caso de Romeu e Julieta. O tema, aliás muito antigo, entrou em Portugal através da poesia trovadoresca galaico-portuguesa e maravilhosa cantiga de amigo de Nuno Fernandes Turneol: «Levad, amigo, que dormides as manhanas frias».
Mas uma das mais belas Albas provençais, pertence a Giraut de Bornelh, Reis Glorios.

 

in “Literatura Portuguesa”

 

 

 

 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ISE LOSA - Poesia



ILSE LOSA
(Melle-Buer, Alemanha, 1913 - Porto, Portugal, 2006)

Escritora e tradutora

POESIA

Quando me aproximo do teu leito, em bicos dos pés, para não te acordar
quando me debruço sobre o teu rosto, flor de amendoeira
e beijo os teus olhos como quem beija rosas,
quando subtilmente te aconchego as roupas
e escuto, cheia de ânsia, a tua respiração,
quando as minhas mãos passam de leve sobre a quentura da tua testa
e milhares de receios por ti me torturam,
quando tudo o que sou se converte num rogo pela tua felicidade,
quando me lembro que em mim estiveste e de mim nasceste,
então sei que há sentido na vida e poesia também.




quarta-feira, 11 de outubro de 2017

FRANCAMENTE QUERIDA…

 
 
 
FRANCAMENTE QUERIDA…

Ao prolífico Max Steiner coube compor a música para E Tudo o Vento Levou, o fabuloso filme de Victor Fleming que decorre no ambiente da Guerra da Secessão americana e protagonizado por Clark Gable e Vivien Leigh. Este músico de origem austríaca só precisou de doze semanas, entre Setembro e Dezembro, para a composição da extensa banda sonora, cujo motivo principal tanto contribuirá para a lenda do filme: o tema de Tara, talvez o mais famoso de toda a história da música cinematográfica.
Por outro lado, Steiner criou um fio condutor, à maneira de leimotiv, para cada uma das personagens, uma melodia que muda de registo à medida que variam as situações e os sentimentos.
A riqueza e variedade da composição traduzem-se também na utilização de uma série de hinos, marchas e melodias que recriam os próprios da época em que se situa a acção do filme.

 

in “Auditorium”