terça-feira, 19 de setembro de 2017

PEDRO NUNES - Matemático

 
 
 
PEDRO NUNES
(Alcácer do Sal, Portugal, 1502 - Coimbra, 1578)

Matemático

Pedro Nunes era de ascendência judaica e fez os seus estudos em artes, medicina e matemática, de 1520 a 1526, ano em que se tornou bacharel. Pensa-se que, posteriormente, terá frequentado a Universidade de Alcalá de Henares.
Já em Lisboa, foi nomeado, por alvará régio de 16 de Novembro de 1529, cosmógrafo do reino, sendo então admitido, através de concurso para a Universidade de Lisboa (4 de Dezembro de 1529) para leccionar filosofia  moral, vindo posteriormente a assegurar também as cadeiras de lógica e metafísica.
Pedro Nunes foi, sem dúvida, um competente mestre e um dos grandes expoentes da ciência portuguesa do século XVI.
Publicou numerosas obras, como o Tratado da Sphera(1537), De Crepusculis (Lisboa, 1542) e De Arte Navigandi libri duo, entre outros. Foi contudo a obra De Crepusculis, onde descreve a sua descoberta — o nónio, aparelho utilizado para medir fracções de grau no astrolábio — a que lhe valeu maior êxito.
"O século XVI pode ser chamado, na história da Matemática Ibérica, o século de Pedro Nunes. Portugal teve neste século a hegemonia das Matemáticas na nossa Península, não porque Pedro Nunes por si só vale por muitos. Nos variados ramos da referida ciência de que tratou, nenhum outro matemático português o igualou."

 
in “Panegíricos e Conferências” de Francisco Gomes Teixeira ( Armamar, Portugal, 1851 - Porto, 1933), matemático.

 

 

 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

MARTHA GRAHAM - A mulher que revolucionou a dança

 
 
 
MARTHA GRAHAM
(Pensilvânia, EUA, 1894 –Nova Iorque, 1991)

 Dançarina e coreógrafa

Doutora «honoris causa» pelo Hills College e pela Universidade de Harvard.
Inventora duma linguagem plástica da dança que acabou por dominar genialmente.
Fundadora e expoente máximo da chamada moderna dança norte-americana.
 
Formou companhia e com ela correu todo o mundo.
Em Abril de 1967, deu dois espectáculos, um no Teatro Nacional de S. Carlos e outro no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde apresentou o seu moderno corpo de baile, que teve estrondos êxito.
 
Vinha de fazer uma digressão artística à Europa e tinha actuado em Londres, no Saville, durante mais de três semanas de enchentes.
 
Entre as muitas cenografias que este corpo de bailado apresentou no seu reportório, há várias das suas criações coreográficas. Assinalem-se: Poemas de 1917 e Imediaty Tragedie, entre outros.
 
Há vários livros acerca de Martha Graham e do movimento vanguardista da sua dança.

 

in “Dicionário de Mulheres Célebres”   

 ***
Palavras de Martha Graham
“Não aguento mais dançar divindades hindus ou ritos astecas. Quero tratar dos problemas actuais."

 


domingo, 17 de setembro de 2017

O ARTISTA PERANTE O ESTADO

 
 
 
O ARTISTA PERANTE O ESTADO

Em Abril de 1947, um tribunal americano declara «desnazificado» o compositor e director de orquestra alemão Wilhelm Furtwängler, requisito imprescindível para que lhe seja permitido iniciar a carreira.
Idêntico processo tiveram de seguir numerosas figuras da cena musical alemã, como o também director Herbert von Karajan, «desnazificado» e, 1945, o eminente compositor Richard Strauss, que o foi em 1948.
 
O caso de Furtwängler, no entanto, faz duvidar da legitimidade de processos desta índole. Embora seja certo que renunciou ao exílio e continuou a desempenhar as suas funções artísticas durante todo o conflito bélico, a sua atitude foi sempre claramente antinazi (negou-se sempre a efectuar a saudação obrigatória, de mão estendida, em qualquer dos seus aparecimentos públicos) e ajudou mesmo  a fugir do país  numerosos artistas e intelectuais, com grave risco para a sua própria segurança pessoal.
 
Poucas vezes na história se deu um caso tão indiscutível de um artista que nas circunstâncias do seu tempo tenha sido colocado perante o difícil dilema de apoiar a sua arte e a sua pátria contra as instituições que controlam uma e governam a outra.
 
in “Crónica da Música”
***
Imagem: ilustração da capa do catálogo da exposição de Música degenerada de 1938.

O catálogo da exposição de Música degenerada deixa clara a questão. Elaborada pelo diretor do Teatro Nacional de Weimar, Hans Severus Ziegler, o catálogo é um verdadeiro ataque grosseiro e aleatório a algumas tendências e indivíduos, tornando-se um documento revelador do vazio intelectual e do discurso ensandecido e violento dos nazistas. A própria capa da exposição revela o tamanho da brutalidade. Nela podemos observar um saxofonista negro portando na lapela uma estrela de Davi, simbolizando em uma só imagem algumas das principais vítimas dos ataques nazistas: o judeu, o negro e, enquanto música, o jazz.

in ”Música e Sociedade” (excerto)

sábado, 16 de setembro de 2017

CAROLINE HERSCHEL - Astrónoma

 
 
 
CAROLINE HERSCHEL
(Hanôver, Alemanha,1750 - 1848)

 Astrónoma

Em 1772 juntou-se a seu irmão, Sir Guilherme Herschel, astrónomo, criador da astronomia estelar, dedicando-se, com ele, a estudos da astronomia.
Descobriu sete cometas (1786 a 1797).

Foi nomeada astrónoma-assistente da corte inglesa de Jorge III.
Em 1875, foi publicado, em Londres, um volume autobiográfico: Memoir and Correspondence of Caroline Herschel.

 

in “Dicionário de Mulheres Famosas”

 ***
Em 1968, a poetisa e feminista Adrienne Rich  (EUA, 1929 – 2012) publicou, em homenagem à vida e à contribuição de Caroline Herschel para a ciência, um poema intitulado Planetarium.

***
Palavras de Caroline Herschel
“Assim como necessitamos de prosperidade económica, também necessitamos de prosperidade no comportamento e na decência.”

 


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PAIXÃO PELOS RITUAIS

 
 

 
PAIXÃO PELOS RITUAIS

Natália Correia bate-se pela recuperação do sagrado, do politeísmo, do feminismo, do barroco, do diferente, e pelo repúdio da crucificação, do consumismo, do descontrolo demográfico, da arrogância  indiferenciadora.
 
«Como atingir a paz com os olhos postos num só deus, se as guerras são fornecidas pela nossa fé na vitória sobre a fé dos outros?» interrogava-se.

Os grandes mitos portugueses encontraram nela uma celebrante incomum: o mito do Andrógino (o ser completo, uno e plural), do Desejado (o que contém a resistência, não a desistência), de Pedro e Inês (a paixão, a volúpia pela morte), da Ilha (o espaço da esfinge, da iniciação), do Espírito Santo (metáfora de um socialismo de raiz portuguesa), a todos dedicando obras próprias, reformuladas à dimensão do futuro.

 As causas, as pessoas do coração e do sonho, e da fé, tinham-na do seu lado; as causas, as pessoas da manipulação, do utilitarismo, da serventia, conheciam-lhe a cólera, o chiste, a indignação. Sabia indignar-se com grandeza – e indignar os outros à sua altura.

Muitas vezes perdia a cabeça connosco e nós com ela. Sufocava-nos. Muitas vezes apetecia-nos fugir. Não aguentávamos a sua lucidez, a sua exigência, o seu empenhamento, a sua implacabilidade. Muitas vezes tentámos matá-la em nós para sermos nós – até isso nos ajudou. Era uma mulher inigualável. Nos caprichos, nos excessos, nas iras, nas premonições, nos exibicionismos, na sedução, na coragem, na esperança. Cantava, dançava, declamava, improvisava, discursava, polemizava como poucos entre nós alguma vez o fizeram, o somaram.

 
FERNANDO DACOSTA (Caxito, Angola, 1945), romancista, dramaturgo e jornalista, in “O Botequim daLiberdade”

NATÁLIA CORREIA (Fajã de Baixo, São Miguel, Açores, Portugal, 1923 — Lisboa, 1993), poetisa, escritora, política, figura marcante da cultura e da literatura portuguesas contemporâneas.

Imagem: Natália Correia - escultura esculpida em pedra vulcânica dos Açores – Parque dos Poetas – Oeiras – Portugal.

 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ALBERTO CARNEIRO - Escultor

 
 
 
ALBERTO CARNEIRO
(São Mamede do Coronado, Portugal, 1937 – Porto, 2017)

 
Escultor e professor

Estreou-se a expor ainda nos tempos de estudante: colectivamente, em 1963; a título individual, em 1967, na ESBAP.

A sua atividade artística teve início na década de setenta. Foi professor de Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (1972-1976), assumiu a direção pedagógica e artística do Círculo de Artes Plásticas da Universidade de Coimbra (1972-1985) e lecionou na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (1985-1994).   

É autor e co-autor de textos e livros sobre Arte e Pedagogia e participou em cursos, debates e seminários sobre Arte e dinâmica corporal.

Dedicou-se, também, ao estudo da Psicologia Profunda, do Zen, do Tantra e do Tao, matérias sobre as quais lecionou cursos, proferiu conferências e escreveu. Recebeu a influência da "poética da matéria", do filósofo e ensaísta francês Gaston Bachelard (1884-1962).

Foi o grande impulsionador da criação do Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso (MIEC), do qual foi director artístico nacional. Criado oficialmente a 20 de Outubro de 1996, o Museu tem por base o espólio recebido dos simpósios internacionais de escultura contemporânea ao ar livre, realizados em Santo Tirso desde 1991.
 
 
in “Universidade do Porto” (excertos)


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ANATOLE FRANCE - A morte de uma libélula

 


ANATOLE FRANCE
(Paris, França, 1844 - Saint-Cyr-sur-Loire, 1924)

Escritor e poeta

Publicou o seu primeiro livro, Alfred de Vigny, em 1868. A sua produção literária é vasta e fecunda, especialmente entre 1876 e 1890, período durante o qual desempenhou funções como assistente na biblioteca do Senado e publicou o seu primeiro volume de poemas, instigado por Leconte de Lisle, Les Poémes Dorés (1873).
 
De facto, apesar de ser mais conhecido enquanto romancista, experimentou quase todos os géneros literários. Em 1881, e por Le Crime de Sylvestre Bonnard, recebeu o prémio da Académie Française, da qual se tornaria membro em 1896. Em 1890, já era France crítico literário no jornal Le Temps, surge Thaïs, a «história de uma pecadora salva por um eremita condenado», que conheceu um sucesso singular e a partir da qual, quatro anos mais tarde, Massenet compôs a ópera com o mesmo nome.
 
Nos últimos anos de vida, interessou-se cada vez mais pelas questões políticas e sociais, unindo a sua voz, em protesto, à de Émile Zola contra o veredicto do caso Dreyfus (1896), por exemplo, e escrevendo os quatro volumes (1897-1901) da Histoire Contemporaine, um retrato da Belle Époque.
 
Em 1921, apenas três anos antes de morrer, recebe o Prémio Nobel da Literatura, cujo discurso de apresentação o exortava nestes termos: «Hoje, quando, neste nosso velho país germânico, concedemos o prémio internacional dos poetas a este mestre gaulês, seguidor fiel da verdade e da beleza, herdeiro do humanismo, da linhagem de Rabelais, Montaigne, Voltaire, Renan, lembramo-nos das palavras que ele um dia disse aos pés da estátua de Renan – a sua profissão de fé fica assim completa: ‘De forma lenta mas segura, a humanidade realiza os sonhos dos sábios.’»

 
in “Antígona”

***

Palavras de Anatole France
“O dinheiro é um dos fins para se viver feliz: os homens transformaram-no no único fim.”

***
A MORTE DE UMA LIBÉLULA

Certa vez, vi essas esbeltas mocinhas,
Como as chamamos, orgulho das águas calmas,
Deliciando-se no ar puro do brilho de suas asas
Evadirem-se e se  procurarem por sobre os caniços.
 
Uma criança, o olho afogueado, veio até ao vaso,
E, através dos íris uma rede verde, estender
Sobre uma libélula e a rede de gaze
Impedir do inseto surpreendido o voo.

Foi, por um alfinete espetado, o fino corpinho verde;
Porém, a frágil criatura ferida, com um enorme esforço,
Alento recobrou e, alçando voo, estridente singrou,
Em direção aos juncos, levando o alfinete e a morte.

Sobre uma cortiça infame, não lhe convinha,
Aos olhos dos escolares, a beleza exibir:
Abriu, então, pra morrer, as quatro asas de chama
E, nos juncos familiares, o corpo secou.


Tradução: Cunha e Silva Filho