sexta-feira, 26 de maio de 2017

JOSEFA DE ÓBIDOS - Pintora

 
 
 
 
JOSEFA DE ÓBIDOS
(Sevilha, Espanha,1630 — Óbidos, Portugal, 1684),

 Pintora

Ao longo de quase quatro décadas, Josefa de Óbidos criou algumas das imagens mais reconhecíveis da História da Arte portuguesa. Fascinante pela sua condição de género mas também pela individualidade do seu percurso artístico, Josefa é o alicerce desta grande exposição que nos desvenda, em oito núcleos, o Barroco português nos anos que se seguiram à Restauração da Independência.

Mais de 130 peças (pintura, escultura e artes decorativas) vindas de várias instituições nacionais e internacionais, como os museus do Prado e de Bellas Artes de Sevilha, o Mosteiro do Escorial e de inúmeras colecções privadas, portuguesas e estrangeiras, compõem uma mostra inovadora, que o Museu Nacional de Arte Antiga, em parceria com a Ritmos, preparou para o verão de 2015.

Revisitar a sua obra tem várias justificações. Mostrar a um novo público as suas pinturas, muitas em colecções privadas, e voltar a interrogar essas obras à luz dos contributos críticos entretanto colhidos, em exposições nacionais e internacionais onde a presença da pintora foi particularmente forte, são apenas algumas.
Afastar de Josefa o mito da artista curiosa, porém provinciana, e apresentá-la como uma mulher emancipada e culta, cuja fé reflecte a espiritualidade do século XVII, e como o mais eficaz e reputado expoente do Barroco português no ciclo que se seguiu à Restauração, é outro dos objetivos.

 
Fonte: Texto de apresentação da mostra da obra de Josefa de Óbidos realizada no Museu Nacional de Arte Antiga em 2015 – Lisboa.

 
 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

ÁLVARO PAIS – Filósofo

 
 
 
ÁLVARO PAIS
(Galiza, Espanha, 1275/80 – Sevilha, 1352)

Jurista, teólogo, filósofo e canonista

Cursou direito na Universidade de Bolonha, onde foi discípulo de Guido de Baisio, leccionando mais tarde nessa mesma Universidade e chegando a ser Bispo de Silves, Algarve (1333).
O seu pensamento é de difícil caracterização, já que carece de unidade e da coerência que o sistematizaria. A generalidade dos eruditos que têm abordado a sua obra interpreta o seu pensamento predominantemente no âmbito da filosofia política e, nesta, inserem-no na corrente hierocrática medieval – ou seja, entendendo todo o poder temporal como subordinado ao poder espiritual do Papa.
Do reconhecimento e sagração do monarca pelo Papa, dependeria o Rei ou Imperador ficarem investidos do poder espiritual, do direito ou da legitimação divina de reinarem sobre o povo – Rei ou Imperador pela graça de Deus! -, daí resultando como objectivo final a bem-aventurança eterna dos súbditos e a protecção divina do reino - a tese é a de toda a filosofia política medieval. O Poder possui uma origem divina – omnis potestas a Deo.

Algumas das suas obras:Collyrium fidei Adversus haereses (Colirio da Fé contra os hereges);De statu et planctu Ecclesiae (Do estado e do pranto da Igreja); Speculum regum (Espelho de reis),escrita em Tavira entre 1341 e 1344.

 
in “Didacta – Filosofia”
Imagem: Álvaro Pais, em gravura do século XIX - Biblioteca Nacional de Portugal.


quarta-feira, 24 de maio de 2017

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE SINTRA

 
 
 

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE SINTRA
O MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DE SINTRA (Portugal) localiza-se em pleno Centro Histórico da Vila Velha de Sintra, na Rua do Paço, num edifício do século XIX, mais concretamente de 1893. Nele, está patente ao público uma exposição de longa duração, cuja génese deu-se nas mãos do coleccionador Miguel Barbosa e de sua mulher, Fernanda Barbosa, os quais, durante cerca de 50 anos, reuniram um acervo único composto por milhares de fósseis de valor cultural e científico incalculável.

O Serviço Educativo tem como ponto de partida a exposição permanente para “contar uma história” que começa com a formação da Terra Primitiva e as mutações que esta sofreu ao longo de milhões de anos no decorrer das diferentes Épocas Geológicas, desde o Pré-Câmbrico ao Quaternário, mostrando toda a evolução da vida através das Colecções Municipais de Paleontologia, Mineralogia, Malacologia e Petrografia oriundas das mais diversificadas partes do mundo.

A constituição deste estabelecimento museológico, inaugurado em Agosto de 2009, teve e tem por base os milhares de peças de enorme importância científica que o Colecionador Miguel Barbosa e a sua mulher reuniram ao longo de décadas e que, em boa hora, doaram ao Município de Sintra.

Destacam-se, de entre os mais de 10.000 fósseis do Museu, uma soberba Colecção de Trilobites e alguns exemplares raros e muito bem conservados de Dinossáurios. Também a grande beleza dos minerais com peças ainda em rocha, e outras isoladas e lapidadas que são uma atracção para o visitante, tanto nacional como estrangeiro.

É no Museu de História Natural de Sintra que se pode ver o holótipo, espécime tipo, Barbosannia Gracillirostris. Esta nova espécie e género de pterossauro deve o seu nome cientifico a Miguel Barbosa, pois foi ele que trouxe até ao mundo cientifico este exemplar fóssil o qual foi estudado na Alemanha, no Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe, através de uma parceria estabelecida entre a Edilidade e o referido Museu.

 

in “Câmara Municipal de Sintra” (excertos/adaptação)

 


terça-feira, 23 de maio de 2017

TRISTAN TZARA - Receita para fazer um poema dadaísta

 
 
 
 TRISTAN TZARA
(Moinesti, Roménia, 1896 – Paris, França,1963)

Poeta e ensaísta

Participou na fundação do movimento dadaísta em Zurique, em 1916. Proclamou a sua vontade de destruir a sociedade, os seus valores e a linguagem em obras como Coração de gás, A anticabeça e O homem aproximativo.

Após o declínio do movimento dadá, Tzara envolveu-se no surrealismo, juntou-se ao Partido Comunista e à Resistência Francesa. Tudo isto fez com que em obras como A Fuga, O Fruto Permitido, A Rosa e o Cão, esteja patente uma consciência lírica, na qual traduziu as suas preocupações sociais e testemunhou a sua ânsia de defender o homem contra todas as formas de servidão.

 
in “SlideShare” (excertos)

 
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 Palavras deTristan Tzara
Olhe para mim! Eu sou estúpido, sou uma farsa, sou um palhaço. Eu sou como todos vocês!”

 
RECEITA PARA FAZER UM POEMA DADAÍSTA

 Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo com o comprimento que pensa dar ao seu poema.

Recorte o artigo.

Depois, recorte cuidadosamente todas as palavras que formam o artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Seguidamente, tire os recortes um por um.

Copie conscienciosamente pela ordem em que saem do saco.

O poema será parecido consigo.

E pronto: será um escritor infinitamente original e duma adorável sensibilidade, embora incompreendido pelo vulgo.

 

 

 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

ADÁGIOS

 
 
 
 ADÁGIOS

 Há na literatura portuguesa diversos trabalhos dedicados aos Adágios, devendo considerar-se os mesmos Adágios como máximas, sentenças, rifões populares, e não como provérbios.

Alguns livros dos mais conhecidos sobre Adágios: Adágios, Provérbios, Rifões e Anexins da Língua Portuguesa, atribuído a Francisco Rolland; Colecção dos Primeiros Adágios Portugueses, por Damião de Fróis Perim, manuscrito; Sentenças, de D. Francisco de Portugal; Feira de Anexins, de D. Francisco Manuel de Melo, e, mais modernamente, por exemplo, A Eufrósina, de J. Ferreira de Vasconcelos, e que representa um autêntico repositório de provérbios.

Outros trabalhos: História Geral dos Adágios Portugueses, por Ladislau Batalha; Rifoneiro Português, por Pedro Chaves, e Dicionário de Máximas, Adágios e Provérbios, por Jaime Rebelo Hespanha.

 
in “Literatura Portuguesa”

Imagem: Rosto da edição de Eufrósina, de autoria de Jorge Ferreira de Vasconcelos.

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Alguns Exemplos:

- Homem sem abrigo, pássaro sem ninho.

- Não te exaltes por riqueza, nem te abaixes por pobreza.

- Um abismo chama outro abismo.

- Velho que não adivinha, não vale uma sardinha.

- Guarda pão para Maio, lenha para Abril.

 


domingo, 21 de maio de 2017

MÁRIO NEVES – “A Matança de Badajoz”

 
 



MÁRIO NEVES
(Lisboa, Portugal, 1912 — Lisboa, 1999)
Repórter

 O REPÓRTER MÁRIO NEVES NA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

Quando Mário Neves, com apenas 24 anos, e ainda estudante de Direito, foi incumbido da sua primeira e derradeira prova como repórter do Diário de Lisboa, nunca iria imaginar as repercussões internacionais que iria ter o seu testemunho da tomada violenta de Badajoz por parte das tropas nacionalistas.

 A “Matança de Badajoz” foi presenciada em primeira mão por três jornalistas: Reynolds Packard, da United Press, Jacques Berthet, do Temps, acompanhados por Mário Neves. Estes jornalistas, e mais tarde Jay Allen, correspondente do Chicago Tribune, foram os primeiros a denunciar a violência e a “inflexível justiça militar” realizada pelo Exército de África, comandado pelo tenente-coronel Yagüe.

Estes testemunhos directos e oculares iriam ter um impacto muito forte na imagem que os rebeldes nacionalistas queriam dar ao mundo, de libertadores da barbárie e da anarquia.

Para Mário Neves significou a última oportunidade de apresentar a verdade, já que depois do seu artigo de 16 de Agosto de 1936, a crónica do dia seguinte foi integralmente censurada e ele próprio envolvido numa polémica internacional sobre a veracidade dos relatos, que se arrasta até aos nossos dias.

Se em Portugal a faceta violenta do Exército de África foi facilmente neutralizado pela censura, no estrangeiro as repercussões foram enormes, e o Governo Português foi associado e condenado pela colaboração com a facção nacionalista, num período em que ainda estava a ser delineada a política de “neutralidade” assumida oficialmente por Salazar.

A polémica surgiu com a publicação em 1937 do livro The epic of the Alcazar: A History of the siege of the Toledo Alcazar, do comandante inglês Geoffrey McNeill-Moss, que continha um capítulo intitulado “The legend of Badajoz” onde o autor, utilizando tendenciosamente as crónicas de Mário Neves, através da sua transcrição parcial e fragmentada, as compara com as crónicas dos seus colegas franceses e norte-americano, procurando contradições nelas, tendo em vista desmentir o próprio massacre de Badajoz.

Mário Neves viu-se assim envolvido involuntariamente num processo de manipulação da verdade histórica, o que o levou a escrever uma carta ao director do Diário de Lisboa, publicada no dia 6 de Dezembro de 1937, onde, apesar da censura, é bem claro sobre a indignação provocada por aquele autor, que “não teve escrúpulos em transcrever um artigo [de Mário Neves] a que subtraiu precisamente passagens que não lhe convinham, sem fazer sequer referência às mutilações”, visando retirar credibilidade aos colegas que “procederam com a mesma preocupação de honestidade profissional que me norteou.”

Esta manipulação foi claramente posta em causa em 1937 por Arthur Koestler, também jornalista, correspondente do News Chronicle, no livro Dialogue with death – A Spanish Testament. A polémica foi mais tarde retomada, em 1963, por Herbert Southworth, no seu livro El Mito de la cruzada de Franco, onde estuda as deturpações da propaganda franquista que visava encobrir as atrocidades cometidas.

Segundo o próprio Mário Neves, o livro de Southworth foi o mais conseguido na aclaração dos acontecimentos de Badajoz. Foi também onde se publicou pela primeira vez o artigo censurado de Mário Neves, que fechava a crónica da tomada da cidade. Outros autores, como Hugh Thomas, apoiaram a narrativa presencial de Mário Neves, amplamente confirmada pela mais recente historiografia – apesar do manifesto incómodo das versões “nacionalistas” que periodicamente voltam a pôr em causa, sem argumentos válidos, a veracidade do seu testemunho.

A firme promessa feita naquele último artigo censurado de que não mais voltaria a Badajoz foi quebrada em Maio de 1982 por Mário Neves, quando se dirigiu à cidade dos seus tormentos com uma equipe de televisão britânica para prestar o seu testemunho sobre os trágicos acontecimentos por ele presenciados, testemunho que entendeu como um dever para o apuramento da verdade histórica e a preservação da Memória, deixando-nos ainda o livro “A Matança de Badajoz”.


Fonte: “Fundação Mário Soares”

 


sábado, 20 de maio de 2017

MANUELA PORTO - Escritora

 
 
 
 MANUELA PORTO
(Lisboa, Portugal, 1908 – 1950)

Declamadora, actriz, escritora, encenadora e tradutora

Em 1933, terminou o curso de Arte de Representar, no Conservatório Nacional de Lisboa, com a classificação de 20 valores e prémio. Em seguida, iniciou a sua carreira artística no Teatro Experimental Juvénia. Actuou depois no Teatro Ginásio e fez parte do elenco da empresa Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro.
Retirou-se de cena para se dedicar a recitais de declamação, revelando vários poetas modernos, e orientou amadores para o teatro experimental e clássico. Também se dedicou à conferência, pronunciando, entre outras, uma de grande interesse: Teatro Dell´Arte fonte de inspiração à reteatralização do Teatro.

O músico Fernando Lopes Graça consagrou-lhe, postumamente, uma composição de piano: Pranto à Memória de Manuela Porto.

Algumas das suas obras: Um Filho Mais e Outras Histórias, Doze Histórias Sem Sentido, Uma ingénua: a história de Beatriz.

 

in “Dicionário de Mulheres Célebres”