quinta-feira, 27 de abril de 2017

JOSÉ SIMÕES DE ALMEIDA (Sobrinho) - Escultor




JOSÉ SIMÕES DE ALMEIDA (Sobrinho)
(Figueiró dos Vinhos, Portugal, 1880 - Lisboa, 1950)

Escultor 

Formou-se na Escola de Belas-Artes de Lisboa em 1903, onde veio a leccionar.
Esculpiu bustos e monumentos, executando os baixos-relevos do Monumento ao Marquês de Pombal (na Praça do mesmo nome em Lisboa), o frontão do Palácio de São Bento, os bustos do Duque de Ávila e Bolama, de Fontes Pereira de Melo e da República, bem como as alegorias à Constituição e à Justiça (no interior do mesmo Palácio), e as estátuas Relembrando e Escrava (ambas no Museu do Chiado).


in “Assembleia da República”




Busto da República, 1908


quarta-feira, 26 de abril de 2017

BERNARDETTE PESSANHA - Bailarina





BERNARDETTE PESSANHA
(Faro, Portugal, 1928 - Lisboa, 2015)

Bailarina

Fez parte do grupo de nove elementos que fundou o Grupo Experimental de Ballet, que acabou por originar o Ballet Gulbenkian.
Ao longo da sua carreira como bailarina, estudou no Conservatório Nacional e fez parte do Círculo de Iniciação Coreográfica, fundado e dirigido por Margarida de Abreu, nos anos 40. Entre 1950 e 1958, integrou o Grupo de Bailados Portugueses Verde Gaio, sob a direcção de Francis Graça.

No Grupo Experimental de Ballet, foi bailarina, ensaiadora e assistente do mestre Norman Dixon. Em 1965, no Grupo Gulbenkian de Bailado, foi assistente dos coreógrafos Walter Gore e Milko Sparemblek. Já no Ballet Gulbenkian, em 1975, foi assistente de Jorge Salavisa. 

Fez parte de Companhias com digressões em França, Suíça, Bélgica, Alemanha, Holanda, Dinamarca, Suécia e Egipto.

No cinema, participou no filme O Cantor e a Bailarina de Armando Miranda, em 1960. Ao seu lado estiveram também os bailarinos Jorge Salavisa, Fernando Isasca, Albino Morais e Fernando Lima, com coreografia de Fernando Lima.



in “A Magia da Dança”


Imagem: retrato de Bernardette Pessanha – óleo do pintor Eduardo Malta (1900-1967).


terça-feira, 25 de abril de 2017

LUZIA MARIA MARTINS - Uma Mulher no Teatro e no Mundo





LUZIA MARIA MARTINS 
(Lisboa, Portugal, 1927 – 2000).

Dramaturga, encenadora e tradutora

Foi uma das primeiras mulheres portuguesas do teatro a singrar como encenadora e autora e a ter o seu mérito reconhecido a nível não só artístico, mas também intelectual e político.

Viveu parte da sua vida em Londres, onde estudou e contactou com um meio cultural muito diferente do que então se vivia em Portugal, o que a inspirou a fundar, juntamente com Helena Félix, o TEL – Teatro Estúdio de Lisboa, em 1964. 

Foi uma das figuras da resistência ao regime do Estado Novo e, através da sua força de vontade, proporcionou ao público português o contacto com autores e textos centrais da dramaturgia europeia – Strindberg, John Osborne, Edward Bond, Marguerite Duras – incluindo no seu repertório autores proibidos pela censura, como foi o caso de Sttau Monteiro e Maxwell Anderson.

Saiu do país em 1953 com destino a Londres, com pouco mais que 10 libras no bolso, passando aí a viver com a sua irmã.

Em Londres seguiu os impulsos quiméricos da juventude e, numa vontade de conhecer tudo, frequentou diversos cursos que lhe abriram as portas para as mais diferentes áreas: encenação de teatro e ballet, cinema, filosofia e luminotecnia. 

Foi também em Londres que contactou com as novas tendências do teatro, como o teatro narrativo e épico, e conheceu novos autores e encenadores.
Em Londres conheceu também Helena Félix, que aí frequentava um curso de teatro.

O projecto artístico de ambas era divulgar em Portugal novos autores, desenvolver um trabalho de actor com grande contenção de gestos e rigor na elocução, bem como apresentar um teatro mais vivo e empenhado na intervenção social.

Nos vários textos que escreveu para os programas dos seus espectáculos, confessou a sua “filiação” no teatro épico e mencionou Brecht, Piscator e Artaud como encenadores e teóricos de referência. As suas encenações foram também exercícios de modernidade, com a integração harmoniosa de outras artes, como o cinema, a dança e a rádio.
Pelo seu trabalho no TEL foi galardoada com vários prémios

No entanto, apesar dos prémios, Luzia Maria Martins queixava-se do afastamento do público e do seu desinteresse por um tipo de teatro menos comercial, por falta de uma cultura teatral na sociedade portuguesa. E apesar de – juntamente com Helena Félix – se manter fiel aos seus princípios, o desgaste de uma luta contra a constante falta de apoios financeiros, a dificuldade em manter um elenco estável ou em investir na divulgação promocional levou a que os seus espectáculos fossem perdendo algum vigor. 

Quando em 1991 o TEL encerrou definitivamente a sua actividade e Helena Félix morreu, Luzia Maria Martins decidiu abandonar o teatro, recusando não só vários trabalhos como encenadora, como deixando igualmente de assistir a espectáculos.




in “Instituto Camões” (excertos)






segunda-feira, 24 de abril de 2017

NÓS, OS DE “ORPHEU”




NÓS, OS DE “ORPHEU”

Anunciou Almada Negreiros, no segundo número de “Sudoeste”, que neste terceiro se inseriria colaboração dos que foram de Orpheu. Cumpre-se.
Procurámos coordenar, Almada e eu, produções inéditas de quantos figuraram literáriamente na revista extinta e inextinguível a que ambos pertencemos. Excluídos, por motivos de estreiteza de tempo e largueza de distância, os dois colaboradores brasileiros – Ronald de Carvalho e Eduardo Guimarães – conseguimos que estivessem presentes todos os outros, com duas excepções, uma delas atenuada com o sacrifício do ineditismo.

De Ângelo Lima, como nada descobríssemos de inédito, decidimos publicar aquele extraordinário soneto – um dos maiores da língua portuguesa – em que o poeta descreve a sua entrada na loucura, em que longos anos viveu e em que morreu. O soneto, se não é inédito, está contudo esquecido. Publicando-o, não deixamos de, saudosamente, fazer lembrar quem, não sendo nosso, todavia se tornou nosso.

Nada porém foi possível incluir de Côrtes-Rodrigues que é directamente de Orpheu, e os poemas de cuja personalidade inventada, Violante de Cysneiros, são uma maravilha subtil de criação dramática. Neste caso a dificuldade foi, como no dos brasileiros, geográfica: estas produções foram coordenadas à pressa, Côrtes-Rodrigues vive nos Açores. Aqui lhe deixamos, num abraço, a expressão da nossa camaradagem de sempre: e o perpetrador destas linhas, velho amigo seu, acrescenta a ela o desejo de que Côrtes-Rodrigues se não embrenha demasiado, como de há tempos se vai embrenhando, no catolicismo campestre, pelo que facilmente se aumenta o número de vítimas literárias da pieguice fruste e asiática de S. Francisco de Assis, um dos mais venenosos e traiçoeiros inimigos da mentalidade ocidental.
Quanto ao mais, nada mais. Cá estamos sempre.

Orpheu acabou. Orpheu continua


FERNANDO PESSOA (Lisboa, Portugal, 1888 – 1935), poeta, escritor, tradutor.



in “Revista Sudoeste” – (1935) – dirigida por Almada Negreiros.

Imagem: Fernando Pessoa – pintura de JÚLIO POMAR (Lisboa, Portugal, 1926), artista plástico/pintor modernista.


domingo, 23 de abril de 2017

JOHN ASBURY - Cadeiras de aluguer




JOHN ASBURY
(Nova Iorque, 1927)

Poeta

Publicou mais de vinte livros de poemas e ganhou quase todos os principais prémios americanos para a poesia.
É considerado o expoente máximo da escola poética nova-iorquina.

Palavras 
de 
John Ashbery
“Eu não tenho ideia do que fala a minha poesia"


CADEIRAS DE ALUGUER

Sabia-se muito pouco sobre qualquer coisa
antigamente. Era como o que é um vocalize
para uma sonata, as crianças à luz da ribalta
e água correndo sobre pedras
como se tivesse pressa para chegar a algum lugar.
É possível fazer piada sobre isso agora
que o período probatório já passou.
Não admitir estar no papel errado.

As velhas igrejas da América foram vistas como uma nova
filosofia de rivalidade:
jogando, sem, no entanto, serem parte do jogo.
Assim muitas coisas resistem, e ninguém
fica muito ansioso com elas: manchas
como moedas numa árvore que quem diabos
poderia ter previsto em sua época, afinal?
Fique aí só. Me chame de batatas
e sabão. Me chame de sabão e batatas.

A noiva do meu marido desejava que não fosse assim.
Aí vai.


Tradução: Adriano Scandolara

sábado, 22 de abril de 2017

ALEXANDRE HERCULANO - A Caricatura





 A CARICATURA


Já lá vão muitos anos.

Rafael Bordalo Pinheiro começava a traçar umas figuras grotescas, finamente lançadas, com uma gracil intenção irónica.
Era o inicio do grande caricaturista que depois, durante o período de 1878-1899, de enorme degradação política e moral, se afirmou um grande destruidor de várias porcarias políticas e literárias.

Rafael Bordalo encontrava Alexandre Herculano na livraria Bertrand e o notável historiador, com bonomia perguntou a Rafael Bordalo, um rapazote, o que andava ele por ali a fazer.

Bordalo explicou a Herculano que tinha planeado a publicação d'um álbum de caricaturas que expusessem à curiosidade do público as maiores individualidades da nossa terra.

O historiador achou excelente a ideia, e com aquele seu feitio catedrático, tanto à moda do tempo, desatou a expor ao jovem caricaturista… a história da caricatura. Foi essa exposição rodeada de lances eruditos. Herculano afirmava que a caricatura é antiga, muito mais antiga que a coluna de Pasquino, mas que tem uma função nova nas sociedades modernas, entregues á triunfante democracia, porque visa a destruir pelo ridículo as individualidades perniciosas que o preconceito engendra.

Rafael depois de ouvir com atenção a erudita conversa de Herculano, tirou do bolso uma carteira, e da carteira uma caricatura de um grotesco achincalhador.

- Sr. Herculano - disse Rafael - para começar o meu álbum lembrei-me de começar por esta caricatura... que é a de V.Exª , diga-me se o ofendo com ela. - E mostrou a caricatura ao historiador.

Herculano fitou a caricatura, corou porque ali se via amesquinhado nas suas ambições de grande homem; mas não quis confessar o seu desgosto ao rapaz que o expunha na ponta do seu lápis à hilaridade pública, e limitou-se a dizer a Bordalo:

- Claro está que me não ofende, porque se me ofendesse... dava-lhe dois pontapés.

E ficou-se com a recôndita vontade de lhos dar.



Carneiro de Moura


in “A Farça ”- quinzenário humorístico ilustrado – 25 de Janeiro de 1910.
Imagem: caricatura de Alexandre Herculano por Rafael Bordalo Pinheiro (1870).


sexta-feira, 21 de abril de 2017

TEATRO COLÓN – Argentina





TEATRO COLÓN

O Teatro Colón da cidade de Buenos Aires, é considerado um dos melhores teatros do mundo. Reconhecido pela sua acústica e o valor artístico da sua construção, o seu actual edifício fez anos em 2008.

Na sua primeira sede, o Teatro Colón funcionou desde 1857 até 1888, ano em que foi fechado para a construção de uma nova sala, que foi inaugurada a 25 de Maio de 1908 com a ópera Aida de Giuseppe Verdi.

Ao longo de sua história, todos os artistas importantes do século XX actuaram no Teatro Colón.

A partir do ano 2010, o Teatro Colón exibe um edifício restaurado em todo seu esplendor original. É um orgulho da cultura argentina e um centro de referência para a ópera, a dança e a música académica no mundo inteiro.


Fonte: Teatro Colón (excertos/adaptação)