terça-feira, 22 de agosto de 2017

PEDRO CALDERÓN DE LA BARCA - A las flores

 
 

PEDRO CALDERÓN DE LA BARCA
(Viveda, Espanha, 1600 –Madrid, 1681)

Dramaturgo e poeta

Numa altura em que a ópera italiana se impunha em toda a Europa, fez surgir uma nova forma musical em Espanha: a zarzuela.
As suas obras O jardim de Falerina e o Louro de Apolo são consideradas as primeiras manifestações do género. No entanto, a principal colaboração com Juan Hidalgo foram as óperas A púrpura da rosa, cuja música original se extraviou, e Zelos mesmo do ar matam, reestreada em 2000 no Teatro Real de Madrid.

 

in “Auditorium”
***
Palavras de Pedro Calderón de la Barca
“O poder é como o raio, fere antes de avisar”

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A LAS FLORES
 
Éstas que fueron pompa y alegría
despertando al albor de la mañana,
a la tarde serán lástima vana
durmiendo en brazos de la noche fría.
 
Este matiz que al cielo desafía,
Iris listado de oro, nieve y grana,
será escarmiento de la vida humana:
¡tanto se emprende en término de un día!
 
A florecer las rosas madrugaron,
y para envejecerse florecieron:
cuna y sepulcro en un botón hallaron.
 
Tales los hombres sus fortunas vieron:
en un día nacieron y espiraron;
que pasados los siglos, horas fueron.
 
 
 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MAX ERNST - Pintor

 
 
 
 
MAX ERNST
(Brühl, Alemanha, 1891 — Paris, França,1976)

 Pintor, escultor e poeta

Depois de ser soldado alemão na Primeira Guerra Mundial, Max Ernst, o garoto que aprendera a pintar copiando paisagens de Van Gogh, passou por uma breve fase cubista após a guerra. No ano seguinte, 1919, fundou o grupo Dada em sua terra natal (Colónia) e propôs-se destruir todos os valores estéticos de então.

Em 1922, emigrou para França, onde conheceu André Breton e ingressou no movimento surrealista. Publicou livros de poesia ilustrados e, em 1929, fez a colagem "A Mulher de 100 Cabeças", um dos ícones do surrealismo.

Em seus quadros de cores brilhantes, Max Ernst associava imagens de elementos demoníacos e absurdos com outros eróticos e fabulosos. Unia de forma irracional esses símbolos para expressar seu subjectivismo. Da mesma forma que em suas colagens, as esculturas mesclavam objectos quotidianos, como peças de automóvel e garrafas de leite, a blocos de cimento, que depois fundia em bronze.

Em 1948, obteve a cidadania americana. Voltou à Europa em 1958, naturalizando-se francês.

 

in “ComjeitoeArte”


domingo, 20 de agosto de 2017

TEATRO NACIONAL DA ÓPERA DE PARIS

 
 
 
 
TEATRO NACIONAL DA ÓPERA DE PARIS

 
A 5 de Janeiro de 1875 foi inaugurado, com uma representação que incluiu o primeiro acto de A Judia, de Halévy, uma cena de Os huguenotes, de Meyerbeer, e o ballet La source, de Minkus e Delibes. O edifício foi projectado pelo arquitecto Charles Garnier, e daí o nome de Palais Garnier que se deu ao teatro. O edifício capturou a imaginação dos seus contemporâneos com design arrojado, eclético e opulento do arquiteto.

A sala, com capacidade para mais de 2000 espectadores, tem um enorme palco, um dos maiores do mundo.

Em 1963, o pintor Marc Chagall foi contratado para pintar o tecto da Ópera de Paris.

A tela final tem cerca de 220 metros quadrados. Tem cinco secções que foram coladas a painéis de poliéster e içadas até ao tecto de 21 m. As imagens que Chagall pintou na tela prestam homenagem aos compositores Mozart, Wagner, Mussorgsky, Berlioz e Ravel, entre outros, bem como a actores famosos e dançarinos.

Muitas das telas e o tecto da Ópera representam imagens sublimes que se classificam entre as melhores poesias visuais do nosso tempo.

 
in “Auditorium” e “Arte Histórica e Contemporânea”.

 

sábado, 19 de agosto de 2017

RICARDO ALBERTY - Escritor

 
 
 
 
RICARDO ALBERTY
(Lisboa, Portugal, 1919 – 1992)

Escritor e tradutor

Frequentou o Curso Superior de Letras e o Conservatório Nacional. Concluiu o curso de Desenho e Pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes.
Traduziu obras de grandes autores, como as de Shakespeare. A sua melhor produção literária situa-se no domínio da literatura infantil, no qual se revelou um autor original e fecundo, galardoado com prémios de prestígio.
Escreveu contos, fábulas e teatro infantil e de fantoches.

Obras principais: A Galinha Verde, Os Quatro Corações do Coração, Relógio de Sol, Brincos de Cerejas, O Príncipe de Ouro, Fábulas que Ninguém me Contou e O Guarda-Chuva e a Pomba.

 

in “Livro dos Portugueses”

 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ALFREDO GUISADO - Quando eu nasci…

 

 
ALFREDO GUISADO
(Lisboa, Portugal, 1891 - 1975)

Poeta, político e jornalista

QUANDO EU NASCI…

Que mistério se ergueu quando eu nasci!
Alguém com branco giz num quadro preto
Desenhou meu perfil triste e completo.
E só desde esse dia eu existi.


Depois, não sei porquê, Alguém esquecido
Apagou co´uma esponja o risco a giz
Do meu velho perfil, e esse Alguém quis
Que eu voltasse ao meu nunca ter vivido.

Só ter-me desenhado aquela vez
Bastou p´ra que eu ficasse e não partisse
E teimasse existir-me em altivez.

A porta do meu Ser ficou aberta…
O risco a giz dentro em minha alma o disse.
O quadro preto a minha sombra incerta…

 

 
 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ENTRE DOIS ESCRITORES DE TEATRO

 
 
 
ENTRE DOIS ESCRITORES DE TEATRO
 

 
No dia da primeira representação do Íntimo chegava a Lisboa um número do Figaro com esta nouvelle à la main:
«Entre dois escritores de teatro:
   - Porque não vais nunca às primeiras representações?
  - Porque as peças, quando são más, aborrecem-me, e, se são boas, irritam-me.»
Cá vão; irritam-se e denunciam-no nos jornais, elogiando calorosamente, excessivamente, em artigos cheios de mas … e de porém ... As más não os aborrecem, como ao outro de Paris, - alegram-nos e tanto que voltam a vê-las ... a ver como está a casa. Vazia a plateia; nos camarotes algumas familias borlistas; a voz dos actores mal humorados reboa pelo casarão, duma frieza congeladora. Sentem-se mesmo ao pé da orquestra arrepios de frio. E, com a gola dó casaco levantada, sempre se goza uma tal satisfação !
 
 
in  BALAS ... DE PAPEL” – Publicação bimensal – 20 de Janeiro de 1891, dirigida por Gualdino Gomes e Carlos Sertório.
Imagem: pintura de Wassily Kandinsky (Rússia, 1866 – França, 1944).
 
 

 
 


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

HENRI MICHAUX – Que repouse em revolta

 
 
 
HENRI MICHAUX
(Bélgica,1899 – França,1984)

Poeta, escritor e pintor

Autor de poemas que são a narrativa de suas viagens imaginárias, de seus sonhos ou alucinações: Viagem à grande Garabândia; Pena; Aqui, Poddema.
Seus desenhos e suas pinturas ligam-se às mesmas pesquisas.

 
in, “Dicionário Larrousse”

***

Palavras de Henri Michaux
“A aprendizagem da aranha não é para a mosca.”

 
***
QUE REPOUSE EM REVOLTA
 
No escuro, no escuro será sua memória
no que sofre, no que cheira mal
no que procura e não encontra
no barco que se racha no areal
na partida sibilante da bala perfurante
na ilha de enxofre será sua memória.
No que tem em si a sua febre e a quem não importam as paredes
no que se lança e só tem cabeça para bater nas paredes
no ladrão não arrependido
no fraco para sempre recalcitrante
no pórtico desventrado será sua memória.
 
Na estrada que obceca
no coração que procura a sua praia
no amante a quem o corpo foge
no viajante que o espaço rói.
No túnel
no tormento girando sobre si próprio
no que ousa roçar por cemitérios.
Na órbita inflamada dos astros que se chocam
no barco fantasma, na noiva desonrada
na canção crepuscular será sua memória.
Na presença do mar
na distância do juiz
na cegueira
na taça de veneno.
No capitão dos sete mares
na alma do que lava a adaga
no órgão do canavial que chora por todo um povo
no dia do escarro sobre a oferenda.
No fruto de inverno
no pulmão das batalhas incessantes
no louco na chalupa.
Nos braços torcidos dos desejos para sempre insaciados
será sua memória.
 
(Da colecção Poètes d'aujourd' hui)
Tradução de António Ramos Rosa
 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

EMILY GREENE BALCH - Prémio Nobel da Paz

 
 
 
EMILY GREENE BALCH
(Boston, EUA, 1867 — Cambridge, 1961)

Economista, socióloga e pacifista

 
Estudou economia e literatura. Obteve uma bolsa de estudo no estrangeiro, bolsa jamais atribuída a uma aluna. Emily era demasiado dotada e de forte carácter. Viajou para Paris onde se dedicou a estudar a pobreza e medidas sociais. Regressa aos EUA e com Jane Adam fundou casas onde as trabalhadoras das fábricas de tabaco e manufactura de sacas podiam ter o seu espaço, depois dos dias de árduo trabalho, com horários prolongados.
 
Em 1896 começou a preparar o doutoramento, enquanto ensinava economia e sociologia. Foi docente no “Wellesley College”. Paralelamente Emily desenvolveu intensa actividade como pacifista e lutou contra as leis discriminatórias para com os imigrantes.
 
Foi delegada ao Congresso Feminino Internacional de Haia, em 1915 e participou nos Congressos da Escandinávia e Rússia. Amiga de Jane Addams esteve na origem da criação da Liga Feminina Internacional para a Paz e a Liberdade tendo chegado a Presidente.
 
Fundou o jornal "A Nação". Visitou diversos países, esteve nos Balcãs, Viena e Praga.

Em 1946 recebeu, com Elisabeth Morrow, o “Prémio Nobel da Paz”.

 

in “O Leme”


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

LUÍS AMARO - Canção efémera

 
 
 
LUÍS AMARO
(Aljustrel, Portugal, 1923)

Poeta e crítico literário

Foi um dos fundadores e directores das folhas de poesia Árvore (1951-1953). Colaborou na Távola Redonda e nas revistas Seara Nova e Portucale.

Publicou os livros Dádiva, 1949, e Diário Íntimo, 1975.

Influenciada pelo movimento da Presença, a sua poesia intimista de penumbra exprime-a com musicalidade numa linguagem simbolista.


in “Grande Livro dos Portugueses”

 ***
CANÇÃO EFÉMERA

Meu sonho dum momento
Que o engano teceu
E um imperceptível vento
Nas asas envolveu...

Nem fixei a imagem
Ora desfeita e vã:
Ondula na aragem,
Faz parte da manhã.

Quando passou seu rosto
Impressentido, breve,
Que a nuvem dum desgosto
Não fixou nem teve,

Logo uma luz ardente
Em minha alma nasceu:
Imagem finda, ausente,
Dum sonho que foi meu!


Imagem: retrato de Luís Amaro  «a partir de uma fotografia de 1950», pelo artista plástico Luís Manuel Gaspar.


domingo, 13 de agosto de 2017

MAXIMO GORKI E LEON TOLSTOI

 



MAXIMO GORKI E LEON TOLSTOI

 
«Todos os homens que lutam pela vida e estão sujeitos às suas contingências são mais filósofos do que Schopenhauer porque jamais uma ideia abstracta tomará uma forma tão precisa como a que a dor arranca d'um cérebro».
 
Estas palavras, que o punho de Gorki atirou pelo caminho dos Vagabundos fora, são a síntese da sua obra e da sua autobiografia.
 
Tolstoi é evidentemente um demolidor... místico, mas a sua dor, a dor que descreve, não sangra como a dor humana, é aprendida de cor.
 
Entre Tolstoi e Gorki há a distância que vai d'um homem que dá a sua fortuna voluntariamente, a outro que nunca a teve, d'um homem que se abstém, a outro que necessita, d'um homem que tem um sofá e se deita no chão, a outro que é forçado a dormir ao relento sobre uma fraga ou sobre a terra alagada.
 
Tolstoi sabe que há desgraçados, como um confessor em cujo coração os infelizes vão transvasar as suas amarguras.
 
Gorki é um próprio, um autêntico membro d'essa família de espoliados e espesinhados.
E da sua condição nasce o alto valor da sua obra.
É uma obra literária?
De modo nenhum!
Tem durezas e na sobriedade do descritivo e do ritmo se vê que o autor não se sentou á banca com os punhos de renda de Buffon ou os cigarros doirados indispensáveis aos semicúpios poéticos d'esse sacristão político que dá nas várias avenidas Friveland pela alcunha de François Copée.
 
Gorki não vem da Academia; Gorki vem da miséria, d'esse pântano cristalino onde «tudo é corrupto, é certo» - diz ele- «mas onde tudo é também sincero e simples ».
 
Na literatura de Maximo não há essa forma construída de orquestrações sensuais dos in 8.º Jesus da vitrine francesa; não se tropeça com os requintes arqueológicos dos dramaturgos portugueses, meros repórteres da malandragem histórica– ali ouve-se, vê-se apenas, nua e crua, a grande Dor Humana.
E tanto assim que as multidões moscovitas não elegeram para símbolo das suas remetidas outro senão esse vagabundo de génio que é Gorki.
 
Na literatura dum país, como Portugal, em que toda a gente vive a pedir um cigarro ao amigo, para não pedir dinheiro emprestado até para fumar, Gorki seria um escândalo.
A justificação da obra de Gorki está evidentemente na sua vida.
Mas nenhum valor teria Máximo se todos os homens que veem da sargeta tivessem a franca coragem de pintar a sarjeta.
Ele pinta-a, e pinta-a com a veemência e a verdade que só os depoimentos das pessoas dão.
Por isso mesmo, Gorki tem assegurado o amor, a estima fraternal de todos os que, como eu, apesar destas luvas e deste chapéu alto que são o meu apêndice caudal da civilização, - amam profundamente, fraternalmente o povo.
 
E o Povo é igual em toda a parte, na Rússia e na América, na França ou na Itália, em Londres ou no Carvalhido ou aqui em Xabregas.
 
 
JOAQUIM LEITÃO, in “Luz e Vida” – revista de Sociologia, Arte e Crítica - 1905


sábado, 12 de agosto de 2017

ANTERO DE QUENTAL - Espiritualismo

 
 
 
 
ANTERO DE QUENTAL
(Ponta Delgada, Açores, Portugal, 1842 -1891)

Escritor e poeta

ESPIRITUALISMO

I

Como um vento de morte e de ruína,
A Dúvida soprou sobre o Universo.
Fez-se noite de súbito, imerso
O mundo em densa e algida neblina.


Nem astro já reluz, nem ave trina,
Nem flor sorri no seu aéreo berço.
Um veneno subtil, vago, disperso,
Empeçonhou a criação divina.

E, no meio da noite monstruosa,
Do silêncio glacial, que paira e estende
O seu sudário, d'onde a morte pende,

Só uma flor humilde, misteriosa,
Como um vago protesto da existência,
Desabroxa no fundo da Consciência.

II

Dorme entre os gelos, flor imaculada!
Luta, pedindo um ultimo clarão
Aos sóis que ruem pela imensidão,
Arrastando uma auréola apagada...

Em vão! Do abismo a boca escancarada
Chama por ti na gélida amplidão...
Sobe do poço eterno, em turbilhão,
A treva primitiva conglobada...

Tu morrerás também. Um ai supremo,
Na noite universal que envolve o mundo,
Ha-de ecoar, e teu perfume extremo

No vácuo eterno se esvairá disperso,
Como o alento final d'um moribundo,
Como o último suspiro do Universo.

 

in "Sonetos"

 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

MORTE EM VENEZA

 
 
 
 
MORTE EM VENEZA

 
A 16 de Junho de 1973, no Festival de Aldeburgh, estreia-se a última ópera de Benjamin Britten: Death in Venice (Morte em Veneza). Nesta ocasião, e contra o que nele é habitual, o compositor não se coloca à frente da orquestra para dirigir a sua obra. Uma grave doença cardíaca obrigou-o a ser hospitalizado, após ter sofrido uma intervenção de coração aberto. O papel principal da ópera, o do escritor Aschenbach, é encarnado pelo tenor Peter Pears, companheiro de Britten desde a década de 40.
 
Baseada no romance do mesmo título de Thomas Mann, Morte em Veneza é uma das obras mais autobiográficas do compositor, que parece ver no seu protagonista (um artista maduro que se sente atraído por um rapazito no ambiente de uma Veneza decadente) uma espécie de alter ego.

 

in “Auditorium”

Imagem: fotografia de Clive Barda


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

MANUEL LARANJEIRA - Vendo a morte

 


MANUEL LARANJEIRA
(Mozelos, Portugal, 1877 - Espinho, 1912)

Médico, poeta e dramaturgo

Com o auxílio financeiro do irmão e da cunhada, Manuel Laranjeira inscreveu-se, já com 18 anos, num liceu portuense. Nesta fase da vida escreveu o primeiro poema, Tenho inveja de Cristo… (1898), e, depois de concluir os estudos liceais, realizou a primeira incursão pela criação dramática com O Filósofo.
Em 1899 ingressou na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, para seguir medicina.

Manuel Laranjeira vivia insatisfeito, escrevia muito - sobre crítica social, artística, literária e política -, e proferia eloquentes conferências.
Em 1908 conheceu Miguel de Unamuno, escritor, poeta e filósofo espanhol, que esteve em sua casa e se tornou um dos seus maiores amigos e assíduos correspondentes (1864-1936). Unamuno escreverá um dia que "foi Laranjeira quem me mostrou a alma trágica de Portugal (…) e não poucos lugares dos abismos tenebrosos da alma humana".

A sua saúde deteriorara-se durante os últimos anos de vida. Vivia doente e isolado e obcecado pelo suicídio, que considerava a forma perfeita de "redenção moral".


in “Universidade do Porto” (excertos)

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Palavras de Manuel Laranjeira
“Crer...! Em Portugal, a única crença ainda digna de respeito é a crença — na morte libertadora.”
 
 
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VENDO A MORTE
 
Em tudo vejo a morte! e, assim, ao ver
que a vida já vem morta cruelmente
logo ao surgir, começo a compreender
como a vida se vive inutilmente...
 
Debalde (como um náufrago que sente,
vendo a morte, mais fúria de viver)
estendo os olhos mais avidamente
e as mãos prà vida... e ponho-me a morrer.
 
A morte! sempre a morte! em tudo a vejo
tudo ma lembra! e invade-me o desejo
de viver toda a vida que perdi...
 
E não me assusta a morte! Só me assusta
ter tido tanta fé na vida injusta
... e não saber sequer pra que a vivi!