segunda-feira, 2 de março de 2015

CÉSAR VALLEJO - Os Passos Distantes

 
 
 
 
 

César Vallejo (Santiago de Chuco, Peru, 1892 – Paris, França, 1938).

Foi romancista, dramaturgo e poeta de tendência vanguardista. Evidenciou, nas suas obras, as condições de vida dos trabalhadores índios e as implicações políticas, sociais e morais da Guerra Civil Espanhola.

Publicou, em 1919, o seu primeiro livro, Los Heraldos Negros, um dos mais representativos exemplos do pós-modernismo.

Trilce, publicada em 1922, é considerada uma obra fundamental pela renovação da linguagem poética hispano-americana.

D.P. Gallagher, crítico literário e Gallagherestudioso da literatura latino-americana, escreveu sobre o poeta: “Não há nenhum poeta na América Latina como Vallejo. Ele será lembrado por descobrir uma linguagem poética única que expressa o que ele percebeu da frustração inerente à condição humana e do caos do Mundo”.

 

Palavras de César Vallejo:

“Eu nasci num dia em que Deus estava doente.”
 
 
              Os Passos Distantes
 
 
Dorme meu pai. E seu semblante augusto
parece um aprazível coração;
está agora tão doce...
se há nele algo de amargo, serei eu.
 
Há solidão no lar; nele se reza,
e notícia dos filhos não se tem.
Meu pai desperta, ausculta
a fuga para o Egito, o estancador adeus.
Está agora tão perto;
se algo distante há nele, serei eu.
 
E minha mãe passeia no quintal,
saboreando um sabor já sem sabor.
Está agora tão suave,
tão asa, tão saída, tão amor.
 
Há solidão no lar, assim sem bulha,
sem notícias, sem verde, sem infância.
E se há algo quebrado nesta tarde,
e que desce e que range,               
são dois velhos caminhos brancos, curvos.
Por eles vai meu coração a pé.      
 
César Vallejo
Tradução: Anderson Braga Horta

 
 


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