quarta-feira, 27 de novembro de 2019

GUILHERME DE FARIA – Soneto da minha ânsia



GUILHERME DE FARIA
(Guimarães, Portugal, 1907 – 1929)
Poeta

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Profundamente saudosista e arreigadamente monárquico integralista, o seu lirismo musical manteve-se na linha da poesia dos cancioneiros e da obra de alguns dos melhores poetas do classicismo.

in “Grande Livro dos Portugueses”

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SONETO DA MINHA ÂNSIA

Subir! Subir! Subir! – Eis o ideal
Único desta vida de imperfeito!
Quero subir, meu Deus, tenho o direito
De subir! Que, em minha alma de Imortal,

Sinto, às vezes, dourada e triunfal,
Uma luz singular! E sou perfeito
Embora sinta o Mar dentro do peito!
Sou divino, supremo e desigual!

Então ulula o vento da loucura…
E a voz eterna e clara da Aventura
Chama por mim, gritando, sem cessar…

Subir! Subir! Subir! Hei-de subir!
Que, em minha alma, Senhor!, ’stou já a sentir
Uma sombra de génio a perpassar!



3 comentários:

  1. Eis um belo soneto onde o poeta se mostra num estado elevado da alma que, entre o desejo de atingir a perfeição, supera a realidade das suas limitações, chega a um momento íntimo superior e, entra no devaneio da sua alma ansiosa e inquieta.

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  2. Boa noite. Concordo com o seu excelente comentário. Obrigado. Cumprimentos.

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