quarta-feira, 13 de novembro de 2019

ABADE DE JAZENTE – A carestia da vida



 ABADE DE JAZENTE
(Amarante, Portugal, 1719 - 1789)
                                       Poeta
                                    
***

A CARESTIA DA VIDA


A trinta e cinco reis custa a pescada:
O triste bacalhau a quatro e meio:
A dezasseis vinténs corre o centeio:
Do verde a trinta reis custa a canada.

A sete, e oito tostões custa a carrada
Da torta lenha, que do monte veio:
Vende as sardinhas o galego feio
Cinco ao vintém; e seis pela calada.

O cujo regatão vai com excesso,
Revendendo as pequenas iguarias,
Que da pobreza são todo o regresso.

Tudo está caro: só em nossos dias,
Graças ao Céu! Temos em bom preço
Os tramoços, o arroz e as Senhorias.
 





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