segunda-feira, 7 de outubro de 2013

JOAQUIM PAÇO D´ARCOS

 
 

Joaquim Paço d´Arcos nasceu em Lisboa, no dia 14 de Junho de 1908. Viveu até 10 de Junho de 1979.

 Foi poeta, dramaturgo, romancista, ensaísta e crítico.

 Presidiu à Sociedade Portuguesa de Autores.

 Foi um dos escritores portugueses do século XX mais traduzidos internacionalmente.

        Algumas das obras do autor: “Crónicas da Vida Lisboeta” (seis romances); ”Poemas Imperfeitos”; “Patologia da Dignidade”; “O Cúmplice”; “Neve sobre o Mar”; “O Ausente”; “Paulina Vestida de Azul”; “Espelho de Três Faces”; “Memórias da Minha Vida e do Meu Tempo”. (3 volumes)

        Recebeu os seguintes Prémios: “Eça de Queirós”; “Ricardo Malheiros”; “Fialho de Almeida”; “Gil Vicente” e “Casa da Imprensa”.

 
Escrever é vencer a morte
 
 
Escrever é projectar-se além da Vida
É vencer a Morte.
Um dia esta virá, de surpresa, ou tardia,
Mas uma coisa não levará, não reduzirá a cinzas,
E sobre ela a sua álgida mão não terá poder.

 
Ó Morte, eu sei que tu me aniquilarás,
Mas não destruirás esta página
em que escrevo o teu nome,
O teu nome odiado e cruel.
Quantos seres derrubaste em volta de mim!
A todos apavoras.
Mas outras vidas há que não estão à tua mercê,
E essas, que nós criamos
Com a música das nossas palavras,
Com a febre do nosso espírito,
Com a ambição do nosso sonho,
Essas - sobreviver-nos-ão
E o teu amplexo não as envolverá.

 
O que fica do artista, para além dele, não te pertence;
Basta que nós te pertençamos.

 
 
Joaquim Paço d´Arcos, in “Poemas Imperfeitos”.


domingo, 6 de outubro de 2013

OLAVO BILAC

 

Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 16 de Dezembro de 1865. Viveu até 28 de Dezembro de 1918.

 Foi poeta, jornalista e tradutor.

 Membro fundador da Academia Brasileira de Letras, foi o primeiro poeta a ser eleito, em 1907, “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, pela revista “Fon-Fon”. 

 Foi considerado o mais importante dos poetas parnasianos brasileiros.

 É de sua autoria a letra do Hino da Bandeira do Brasil.

 

                                                 Mater

 
Tu, grande Mãe!... do amor de teus filhos escrava,
Para teus filhos és, no caminho da vida,
Como a faixa de luz que o povo hebreu guiava
À longe Terra Prometida.


Jorra de teu olhar um rio luminoso.
Pois, para baptizar essas almas em flor,
Deixas cascatear desse olhar carinhoso
Todo o Jordão do teu amor.

E espalham tanto brilho as asas infinitas
Que expandes sobre os teus, carinhosas e belas,
Que o seu grande dano sobe, quando as agitas,
E vai perder-se entre as estrelas.

E eles, pelos degraus da luz ampla e sagrada,
Fogem da humana dor, fogem do humano pé,
E, à procura de Deus, vão subindo essa escada,
Que é como a escada de Jacó.

 

Olavo Bilac, in “Poesias”.


sábado, 5 de outubro de 2013

QUERIA QUE OS PORTUGUESES

 

                                   Queria que os Portugueses

                                   
                                    Queria que os portugueses
                                    tivessem senso de humor
                                    e não vissem como génio
                                    todo aquele que é doutor

                                    sobretudo se é o próprio
                                    que se afirma como tal
                                    só porque sabendo ler
                                    o que lê entende mal
                                    todos os que são formados
                                    deviam ter que fazer
                                    exame de analfabeto
                                    para provar que sem ler

                                    teriam sido capazes
                                    de constituir cultura
                                    por tudo que a vida ensina
                                    e mais do que livro dura

                                    e tem certeza de sol
                                    mesmo que a noite se instale
                                    visto que ser-se o que se é
                                    muito mais que saber vale

                                    até para aproveitar-se
                                    das dúvidas da razão
                                    que a si própria se devia
                                    olhar pura opinião

                                    que hoje é uma manhã outra
                                    e talvez depois terceira
                                    sendo que o mundo sucede
                                    sempre de nova maneira

                                     alfabetizar cuidado
                                     não me ponham tudo em culto
                                     dos que não citar francês
                                     consideram puro insulto

                                     se a nação analfabeta
                                     derrubou filosofia
                                     e no jeito aristotélico
                                     o que certo parecia

                                     
deixem-na ser o que seja
                                     em todo o tempo futuro
                                     talvez encontre sozinha
                                     o mais além que procuro.

Agostinho da Silva, in “Poemas”


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

SAROJINI NAIDU

 

         Sarojini Naidu nasceu em Hyderabad, na Índia Britânica, no dia 13 de Fevereiro de 1879. Viveu até 2 de Março de 1949.

        Foi poetisa e activista da independência indiana.

        Começou a escrever poesia aos 12 anos de idade.

        Estudou no “King´s College”, em Londres, na “Universidade de Edimburgo” e na “Universidade de Madras”.

        Foi a primeira mulher indiana a exercer o cargo de Presidente do Congresso Nacional Indiano.

        É considerada uma das mais famosas heroínas do século XX.

        Publicou três colecções de poemas: “Golden Threshold”; “The Bird of Time” e “The Broken Wings”. 
 
 
                  Nos Bazares de Hyderabad
 
What do you sell, O ye mO que você quer vender, ó comerciantes?
Richly your wares are displayed, Ricamente seus produtos são exibidos,
Turbans of crimson and silver, Turbantes de vermelho e prata,
Tunics of purple brocade, Túnicas de brocado roxo,
Mirrors with panels of amber, Espelhos com painéis de âmbar,
Daggers with handles of jade. Daggers com alças de jade.
 
 What do you weigh, O    O que você pesa, ó fornecedores?
Saffron, lentil and rice. Açafrão, lentilha e arroz.
What do you grind, O ye maidens? O que você moer, ó donzelas?
Sandalwood, henna and spice. Sândalo, henna e especiarias.
What do you call, O ye pedlars? O que você chama, ó mascates?
Chessmen and ivory dice. Xadrez e dados do Marfim.
 
 What do you make, O ye goldsmiO que você quer fazer, ó ourives?
Wristlet and anklet and ring, Pulseira e tornozeleira e um anel,
Bells for the feet of blue pigeons, Sinos para os pés dos pombos azuis,
Frail as a dragon-fly's wing, Frágil como uma asa de libélula,
Girdles of gold for the dancers, Cintas de ouro para os dançarinos,
Scabbards of gold for the king. Bainhas de ouro para o rei.
 
What do you cry, O fruitmen? O que você chorar, O fruitmen?
Citron, pomegranate and plum. Citron, romã e ameixa.
What do you play, O ye musicians? O que você quer jogar, ó músicos?
Sitar, Sarangi and drum. Sitar, Sarangi e tambor.
What do you chant, O magicians? O que você canta, ó magos?
Spells for the aeons to come. Magias para as eras vindouras.
 
 What do you weave, O ye flower-girlsO que você tece, ó flor de meninas?
With tassels of azure and red? Com borlas de azul e vermelho?
Crowns for the brow of a bridegroom, Coroas para a testa de um noivo,
Chaplets to garland his bed, Terços para guirlanda sua cama,
Sheets of white blossoms new-gathered Folhas de flores brancas recém-reunidos
To perfume the sleep of the dead. Para perfumar o sono dos mortos.
 
 
Nota: Este poema também conhecido como: “The Nightingale da Índia”, está incluído no currículo das escolas secundárias da Índia.
 

 

       


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

POESIA INFANTIL (I)

 
 

 
Timidez

 
 
O bicho-de-conta
Faz de conta, faz
Que é cabeça tonta

 
Mas lá bem no fundo
Não é mau rapaz.

 
Se a gente lhe toca,
Logo se disfarça:
Veste-se de bola.

 
Por mais que se faça
Não se desenrola.

 
Lá dentro escondendo
Patinhas e rosto
É todo um segredo:
 
Se eu fosse menino
Comigo brincava
Sem medo sem medo.

 
Maria Alberta Menéres, in Conversas com Versos”


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

ALEXANDRE HERCULANO

 
 

          Alexandre Herculano nasceu em Lisboa, no dia 28 de Março de 1810. Viveu até 13 de Setembro de 1877.

Foi escritor, jornalista, poeta e historiador, um dos grandes nomes do romantismo português.

Estudou francês, alemão e latim.

Frequentou as tertúlias literárias de Marquesa de Alorna, que seria sua conselheira.

Em 1831, envolveu-se numa conspiração contra o regime miguelista e foi obrigado a exilar-se em Inglaterra, e depois em França.

No ano seguinte regressa a Portugal, participando no desembarque das tropas liberais em Mindelo.

Foi director das Bibliotecas Reais das Necessidades e da Ajuda, a convite do Rei D. Fernando.

Em 1855, foi nomeado Vice-Presidente da “Academia Real das Ciências”, e convidado para uma tarefa importante: recolher documentos históricos anteriores ao século XV. Este trabalho foi publicado com o nome “Portugaliae Monumenta Historica”.

 Dirigiu a revista literária “O Panorama” que foi considerada a mais importante publicação do Romantismo português.

Da sua vasta obra, destaque para os livros: “História de Portugal” (4 volumes); “Poesias”; “História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal”; “O Bobo”; “Eurico, o Presbítero”; “O Monge de Cister”; “Lendas e Narrativas”.
 
 
          Felicidade

 
Mas, enfim, eu te achei, meu consolo;
Eu te achei, oh milagre de amor!
Outra vez, vibrará um suspiro
No alaúde do pobre cantor


Eras tu, eras tu que eu sonhava;
Eras tu quem eu já adorei,
Quando aos pés da mulher enganosa
Meu alento em canções derramei

Se na terra este amor de poeta
Coração há que o possa pagar,
Serás tu, virgem pura dos campos,
Quem virá a minha harpa acordar?


Alexandre Herculano, in “A Geração de 70”

 

 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

PRÉMIO CAMÕES - 1989




          O Prémio Camões é o maior galardão literário dedicado à Literatura em Língua Portuguesa.

         Foi instituído em 1988, pelo Protocolo Adicional ao Acordo Cultural entre os Governos da República Portuguesa e da República Federativa do Brasil.

        O Prémio Camões é atribuído, anualmente, a um autor de Portugal, do Brasil e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, pelo conjunto da sua obra e pelo contributo prestado ao enriquecimento do património literário e cultural do universo lusófono.    

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         Miguel Torga (1907-1995) foi o primeiro autor galardoado com o Prémio Camões, em 1989. Recebeu-o em Lisboa, em Junho do mesmo ano.

        A vasta obra de Miguel Torga é constituída por poesia, memórias, novela, ensaio, teatro, romance, conto, discursos, traduções.

       
                 Camões

 
Nem tenho versos, cedro desmedido,
Da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
Que fico a olhar de longe tal grandeza.


Quem te pode cantar, depois do Canto
Que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto,
Chega aos teus pés e como que arrefece.


Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói, é dar-te um só poder.
Poeta de um império que era louco,
Foste louco a cantar e louco a combater.


Sirva, pois, de poema este respeito
Que te devo e professo,
Única nau do sonho insatisfeito
Que não teve regresso!

 
Miguel Torga, in “Poemas Ibéricos”.

 
"A desgraça dos verdadeiros poetas de Portugal, é que cada livro seu tem de ser desenterrado de uma avalanche diária de pseudo-poesia."

 
Miguel Torga, in “Diários”.


MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...