domingo, 7 de março de 2021

AULO




 
AULO

Instrumento de sopro, feito de madeira, marfim ou metal, com uma palheta dupla, originário da Ásia Menor e muito utilizado na Grécia antiga nos actos de homenagem a Dionísio.

Existiam diversas variantes, umas de um só tubo (aulo simples), outras de duplo tubo.

A sua utilização deu lugar à aulodia, forma de execução musical unicamente com aulo.




in “Auditorium”


sábado, 6 de março de 2021

S.M.I. O SENHOR D. PEDRO II DO BRASIL VISITOU ALEXANDRE HERCULANO




S.M.I. O SENHOR D. PEDRO II DO BRASIL VISITOU ALEXANDRE HERCULANO

Sua Majestade Imperial visitou o sr. Alexandre Herculano. Isto é inteiramente incontestável. Todos são acordes.
No que porém a opinião está radicalmente desacordada – é acerca do lugar em que o Imperador brasileiro visitou o historiador português.

O Diário de Notícias diz que o Imperador foi à mansão do sr. Herculano.

O Diário Popular afirma que o Imperador foi ao retiro do sr. etc.

O sr. Silva Túlio declara que o Imperador foi ao Tugúrio de Herculano; ainda que linhas depois se contradiz narrando que o Imperador esteve na Tebaida do ilustre historiador que…

Uma correspondência para um jornal do Porto afiança que o Imperador foi ao aprisco do grande, etc.

Outra sustenta que o Imperador foi ao abrigo desse que…

Outros jornais de Lisboa ensinam que Sua Majestade foi ao albergue daquele que…

Outro exclama que Sua Majestade foi à solidão do eminente vulto que…

Outro conta que o imperante foi ao exílio do venerando cidadão que…

Ora, no meio disto, uma coisa terrível se nos afigura: é que Sua Majestade se esqueceu de ir simplesmente – a casa do sr. Alexandre Herculano!

Infeliz príncipe! tinha marcado aquela viagem no seu programa – casa de Herculano – e falha-a! Que infinit, amarga mágoa o não torturará agora nas sombras murmurosas do Catete – que é o Campo Grande de lá!




EÇA DE QUEIROZ e RAMALHO ORTIGÃO,  in “As Farpas”.





sexta-feira, 5 de março de 2021

ANTÓNIO JOSÉ PINHEIRO



ANTÓNIO JOSÉ PINHEIRO
(Tavira, Portugal -1867 – Lisboa, 1943)
Actor

***

Foi uma das principais figuras do teatro português de finais do século XIX e da primeira metade do século XX.

A sua extensa carreira de actor – em companhias como a Rosas & Brazão, a Sociedade Artística e a Rey Colaço-Robles Monteiro – foi apenas suplantada pelo seu trabalho como ensaiador/encenador, através do qual foi responsável pelo crescimento artístico de muitos actores e companhias na passagem para o modelo realista e naturalista de representação.

Foi no teatro ambulante e sobretudo no “mambembe” do Brasil – aos quais se dedicou na última década do século XIX – que declarava ter encontrado o seu verdadeiro baptismo de fogo e a sua capacidade e versatilidade como actor.

Estreou-se em 1886 no Teatro Ginásio em Nobres e Plebeus

Membro da companhia que daria origem à Rosas & Brazão, António Pinheiro trabalhou num palco privilegiado onde se jogava a paciente mas clara mudança de paradigma entre o Romantismo e as tendências naturalistas. 

Defensor da veracidade da vida em palco, crítico feroz das representações exacerbadas características do Romantismo, escreveu artigos onde expõe a sua defesa do que deve ser a representação, os figurinos e a encenação. Em simultâneo, critica o ensino de teatro e aponta caminhos para um curso bem estruturado. 

Põe o dedo na ferida sobre o ambiente que se vive nas companhias, sobre o mau profissionalismo dos actores em geral, e a sua falta de camaradagem.

António Pinheiro, figura incontornável e pioneira do Associativismo no campo teatral, criou a "Caixa de Socorros dos Artistas do Teatro D. Amélia" em 1902, e em 1907 fundou a “Associação de Classe dos Artistas Dramáticos”, organização esta que visava melhorar as condições laborais dos actores.

Como professor de Estética e Plástica Teatral, elaborou o programa da sua cadeira como lugar de estudo da correcta organização da cenografia, guarda-roupa, acessórios e adereços, oferecendo propostas de estudo para uma encenação equilibrada. 

Propôs o estudo da anatomia do corpo humano e a sua correcta utilização na composição verosímil de personagens, aspectos que ficou a dever ao curso de Medicina que frequentara, e que acabariam por trazer grandes avanços na preparação dos futuros profissionais de teatro.

A pedagogia acaba por ser, atendendo às vertentes do seu percurso, a palavra que melhor define o trabalho de António Pinheiro.






Fonte: “Instituto Camões” (excertos)



quinta-feira, 4 de março de 2021

MUSEU NACIONAL DA MÚSICA




 
MUSEU NACIONAL DA MÚSICA


O Museu Nacional da Música, em Portugal, possui uma das mais ricas colecções da Europa de instrumentos musicais (cerca de 1.000 na sua maioria de origem europeia) dos séculos XVI a XX, de tradição erudita e popular, alguns deles classificados como Tesouros Nacionais.

O Museu é particularmente notável pela quantidade e qualidade dos instrumentos manufacturados em Portugal, como o cravo de Joaquim José Antunes (1758), os violinos e violoncelos de Joaquim J. Galrão, as guitarras de D. J. Araújo e as flautas da família Haupt.

Pelo seu valor e raridade merecem ainda destaque outros instrumentos, como o cravo de Pascal Taskin construído em 1782 para o Rei D. Luís XVI de França, o piano (Boisselot & Fils) que Franz Liszt trouxe de França em 1845, o oboé de Eichentopf, os cornes ingleses de Grenser e de Grunman & Floth ou o violoncelo de António Stradivari que pertenceu e foi tocado pelo rei D. Luís.

Além de instrumentos, o Museu integra ainda vários espólios documentais e colecções fonográficas e iconográficas.





in “Património Cultural”

quarta-feira, 3 de março de 2021

“UM EXEMPLO DE DETERMINAÇÃO E AMOR À HUMANIDADE!”




“UM EXEMPLO DE DETERMINAÇÃO E AMOR À HUMANIDADE!”


Aos 38 anos, ALBERT SCHWEITZER surpreendeu a família, os amigos e a comunidade académica da Europa. Doutor em filosofia, teologia, medicina e música, o professor alemão deixou para trás uma posição confortável e segura na Europa, em 1913, e seguiu para a vila de Lambaréné, na África Equatorial Francesa (hoje Gabão).

Lá iria construir um hospital para a população, tão necessitada como em qualquer outra colonial europeia. Trinta e nove anos depois de sua partida, em 1952, Schweitzer receberia o “Prémio Nobel da Paz”, não apenas pelo imenso trabalho assistencial que desenvolveu, mas também por seus elogiados estudos e concorridas conferências alertando sobre o perigo das armas nucleares.
Com o dinheiro do prémio, Schweitzer construiu uma colónia para leprosos perto de seu hospital.
Schweitzer era também um exímio organista. Foi um dos melhores intérpretes de Bach.

Tinha com a religião uma relação conturbada. Para ele, o maior problema era a forma com que o Evangelho era pregado pela Igreja: "Os nativos têm ânsia de religião, não de uma religião formal, mas da religião do amor."

Após a sua morte, em 1965, na sua amada vila de Lambaréné, seu maior legado seria o exemplo de seu trabalho missionário e a crença de que "um dia a Humanidade vai perceber que a destruição de vidas é incompatível com a Ética".

Schweitzer é um exemplo de determinação e amor à humanidade.



ALBERT SCHWEITZER (Alemanha, 1875 - Gabão, 1965)

                                


terça-feira, 2 de março de 2021

THEO ANGELOPOULOS



THEO ANGELOPOULOS


THEO ANGELOPOULOS (Grécia, 1935-2012) é um autor maior do cinema contemporâneo cuja obra, possuidora de uma atmosfera nostálgica de forte carga poética, se tem vindo a afirmar desde a década de 70, aproximando-se em vários aspectos do trabalho de grandes cineastas como Antonioni ou Mizoguchi, que Angelopoulos sempre reclamou como seus mestres, pelo trabalho com o plano-sequência e a importância atribuída ao espaço em off.

Uma obra composta por cerca de vinte filmes desenvolvidos ao longo de cerca de quarenta anos, que se centra na realidade grega do último século ao procurar analisar a sua história e questioná-la à luz das transformações da ordem mundial e do cinema, cujo reconhecimento internacional é definitivamente conquistado em 1998 quando A ETERNIDADE E UM DIA ganha a Palma de Ouro em Cannes, depois de O OLHAR DE ULISSES ter vencido o Grande Prémio do Júri do mesmo Festival três anos antes.

Sempre entendeu o cinema como um meio de reflexão e de intervenção sobre a realidade, e é nesse sentido que a sua última longa-metragem, cujas filmagens foram interrompidas na sequência do acidente que conduziu à sua morte, abordava a actual situação política e financeira da Grécia, consistindo no último opus de um tríptico sobre o século XX e a falência da Grécia e da Europa.

Foi com a primeira longa-metragem, RECONSTRUÇÃO, em 1970, que Angelopoulos afirmou a originalidade do seu cinema, mas é a chamada trilogia político-histórica, composta por DIAS DE 36, A VIAGEM DOS COMEDIANTES e OS CAÇADORES, que o coloca entre os pioneiros de um cinema atento aos acontecimentos da história e à memória de um povo.




Fonte: “Cinemateca Portuguesa” (excertos)

segunda-feira, 1 de março de 2021

O QUE ELES PENSAVAM SOBRE A POESIA




O QUE ELES PENSAVAM SOBRE A POESIA



FEDERICO GARCÍA LORCA: Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas.

PABLO NERUDA: A história provou a capacidade demolidora da poesia e nela me refugio incondicionalmente.

FERNANDO PESSOA: Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.

FLORBELA ESPANCA: A poesia não comporta gralhas como a prosa, que às vezes até fica melhor... É coisa tão delicada que só vive de ritmo e de harmonia. Quase dispensa as ideias. Quem lhe tocar, assassina-a sem piedade.

NADINE GORDIMER: A poesia é ao mesmo tempo um esconderijo e um altifalante.

JOHN KEATS: Se a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que não surja mesmo

TEIXEIRA DE PASCOAES: A ciência desenha a onda; a poesia enche-a de água.

EDGAR POE: A poesia é a criação rítmica da beleza em palavras.


JUAN RAMÓN JIMÉNEZ: Para mim, o importante em poesia é a qualidade da eternidade que um poema poderá deixar em quem o lê sem a ideia de tempo.
PIERRE RONSARD: A poesia é um fogo cuja chama faz arder o espírito de quem ama.

ERNESTO SÁBATO: Arte e literatura unificam-se naquilo a que chamamos poesia.

ARTHUR RIMBAUD: A poesia não voltará a ritmar a acção; ela passará a antecipar-se-lhe.

HERBERTO HELDER: O prestígio da poesia é menos ela não acabar nunca do que propriamente começar. É um início perene, nunca uma chegada seja ao que for.

EUGÉNIO DE ANDRADE: É possível que a poesia seja ficção, mas eu prefiro pensá-la como Goethe: inseparável da verdade.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN: A poesia é uma luta contra a treva e a imperfeição. É a tentativa de ordenar o caos, de nos salvarmos do caos, embora dele sempre alguma coisa fique, uma certa rouquidão que é a sua voz. E que também é uma energia que nos liga ao cosmos, que estabelece uma dialéctica com ele.







MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...