quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

BRINQUINHO




Brinquinho

Instrumento musical composto por uma cana furada ao longo do seu interior para que aí se coloque uma vareta metálica, a qual, accionada para cima e para baixo pelo tocador, faz bater pequenas castanhetas que se encontram no topo, agarradas ao corpo de bonecos, bem como caricas de garrafas. 

Existente noutras regiões do país (onde leva correntemente o nome de zuca-truca), ganhou na Madeira uma elaboração e ornamentação especiais que, pela sua beleza, tornaram este instrumento um elemento característico desta região autónoma. 

O seu nome deve provir de brinco, nome que ali se dá aos encontros de cantadores ao desafio e baile (no continente brincar também é sinónimo de bailar, em que o instrumento acompanha ritmicamente os cordofones da região.



in “Enciclopédia Terra Mater” (excertos)


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

ARNALDO GAMA – Escritor



ARNALDO GAMA
(Porto, Portugal, 1828 - 1869)
Escritor e poeta

Formou-se em Direito em Coimbra, dedicando-se desde cedo ao jornalismo e à literatura. Fundou o "Jornal do Norte", tendo colaborado, entre outros, em "A Península", "O Nacional", "O Porto" e a "Carta".

Os seus romances tornaram-se populares na época. Fixando-se, do ponto de vista literário, no segundo Romantismo português, foi influenciado pelo escritor francês Eugène Sue e por Camilo Castelo Branco. Dedicou-se sobretudo à escrita de romances de ambiente histórico.

Algumas das suas obras: Génio do Mal; Poesias e Contos; Um Motim há Cem Anos; Honra ou Loucura; O Balio de Leça.



in” Universidade do Minho”  (excertos)

Imagem: Estátua de Arnaldo Gama junto das Muralhas Fernandinas, Porto. Autor: Rogério de Azevedo.



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

JORGE LUÍS BORGES – A Luís de Camões




JORGE LUÍS BORGES
(Buenos Aires, Argentina, 1899 - Genebra, Suíça, 1986)
Escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta

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Entrelaçando ficção e factos reais, Borges concentrou-se em temas universais, o que lhe garantiu reconhecimento mundial. É considerado o maior escritor argentino de todos os tempos e um dos mais importantes nomes da história da literatura.

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Palavras de Jorge Luís Borges
“Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções directamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção.”


in “Bula – Revista”
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A Luís de Camões

Sem lástima e sem ira o tempo vela
As heróicas espadas. Pobre e triste
Em tua pátria nostálgica te viste,
Oh capitão, para enterrar-te nela

E com ela. No mágico deserto
A flor de Portugal tinha perdido
E o áspero espanhol, antes vencido,
Ameaçava o seu costado aberto.

Quero saber se aquém dessa ribeira
Última compreendeste humildemente
Que tudo o que se foi, o Ocidente

E o Oriente, a espada e a bandeira,
Perduraria (alheio a toda a humana
Mudança) na tua Eneida Lusitana.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

GOMES LEAL – As crianças



GOMES LEAL
(Lisboa, Portugal, 1848 - 1921)
Poeta e crítico literário

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As Crianças

Repele alguém do Mestre, brutalmente,
Os louros querubins de rostos finos.
- Mas o sábio Rabi lhes diz, clemente:
«Deixai virem a mim os pequeninos.

Deixai-os vir a mim. Sou o ceifeiro
Que nada perde, e os mundos vem ceifar.
Feliz de quem como estes é rasteiro.
Ai daquele, cruel, que os molestar!»



sábado, 3 de fevereiro de 2018

ADEUS, PROFESSOR




Adeus, Professor

A 27 de Janeiro de 1901, morre em Milão Giuseppe Verdi, a grande figura que tinha dominado, juntamente com o alemão Richard Wagner, a cena lírica durante toda a segunda metade do século XIX.

Retirado da composição desde 1893, quando deu ao teatro a magistral ópera Falstaff, nos seus últimos anos recebeu numerosas homenagens, como a imposição da Legião de Honra pelo presidente da República Francesa, Casimir Perrier, em 1894.

No dia 30, foi enterrado no Cemitério Monumental milanês, ao lado da sua fiel companheira Giuseppina.

Um mês mais tarde, Arturo Toscanini dirige o funeral oficial do músico, em que um coro de 850 vozes cantou o Va pensiero, de Nabuco.

Na actualidade, os restos de Verdi e os da sua esposa descansam na Casa de Repouso para Artistas, que o compositor fundou em Milão em 1889.



in “Crónica da Música”
Imagem: Giuseppe Verdi, pintura de Giovanni Boldini




sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA - Madrigal da terceira idade para afastar a solidão



ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA
(Viana do Castelo, Portugal, 1823 - Lisboa, 2010)
Poeta, dramaturgo, actor, encenador

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Madrigal da terceira idade para afastar a solidão

É um amor discreto,
Ignorado, até.
Só um gesto de afecto,
Um sorriso secreto,
Desfeito, se alguém vê.

É um amor tranquilo,
De alguém que quer alguém
Prá solidão do asilo.
— Coração, ao senti-lo,
Nem aceleras, nem…

É um amor-amizade.
Um amor-simpatia.
Mas, mesmo assim, ele há-de
Deixar dor e saudade
E gerar poesia.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

CAMILO PESSANHA - Quem Rasgou os Meus Lençóis de Linho



CAMILO PESSANHA
(Coimbra, Portugal, 1867 - Macau, China, 1926)
Poeta

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Quem Rasgou os Meus Lençóis de Linho


Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer, meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?

Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear, d tábua tosca de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
- Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...

Ó minha pobre mãe!... Não te ergas mais da cova.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.

Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais,
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.



in “Clepsidra”

Imagem: Mural de Camilo Pessanha, situado no jardim do Consulado de Portugal em Macau, cidade onde o poeta viveu e morreu. Autor: Alexandre Farto, conhecido como Vhils.


MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...