terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

MARIA MONTESSORI – ‘A Criança’



MARIA MONTESSORI
(Itália, 1870 - Países Baixos, 1952)
Pedagoga, médica, escritora

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Foi a primeira mulher a concluir uma licenciatura em Medicina numa universidade italiana, mas ficou conhecida sobretudo pela sua actividade como pedagoga e pelo desenvolvimento de um método educacional que ainda hoje leva o seu nome, sendo ensaiado e praticado em diversas escolas e centros espalhados pelo mundo.

O livro A Criança foi inicialmente publicado em França em 1936, altura em que Montessori já se exilara voluntariamente devido ao advento do fascismo em Itália. Começando por ser o apanhado de uma série de lições dadas pela pedagoga em Barcelona, a edição portuguesa dividida em três partes, conta com quarenta e oito capítulos, sendo possível encontrar no livro uma visão das principais ideias de Montessori.

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«Enfim, o adulto é como que o criador da criança e considera o bem e o mal das acções da criança sob o ponto de vista das suas relações com ela. O adulto é a pedra de toque do bem e do mal, é infalível, é o bem sobre que se deve modelar a criança: tudo quanto se afasta do carácter do adulto é um mal que se esforça por corrigir. Com tal atitude, que inconscientemente, cancela a personalidade da criança, actua o adulto convencido do seu cuidado amor e sacrifício.»



in “O Sino”
in “Mulheres do Século XX”




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

MARC CHAGALL - Pintor



MARC CHAGALL
(Império Russo, 1887 - França, 1985)

Pintor, ceramista, gravurista

Formou-se na Rússia e em 1910 vai para Paris onde entra em contacto com sucessivas vanguardas do mundo das artes plásticas.

Expõe em Paris, Moscovo e Berlim. 
Inicialmente foi aceite pelo regime soviético, mas em 1922 afasta-se dele e regressa à França. Durante a Segunda Guerra Mundial viveu nos Estados Unidos.

Artista criativo, cultiva, além da pintura, a cenografia, os vitrais, mosaicos, etc. O seu mundo pictórico desliga-se de certo modo das vanguardas e é profundamente pessoal. Contêm elementos cubistas e surrealistas, assim como símbolos judaicos e russos. A variedade cromática, um certo infantilismo e a facilidade decorativa repetem-se incessantemente na sua pintura.

Palavras de Marc Chagall
"Haverá sempre crianças que amarão a pureza, apesar do inferno criado pelos homens."




in “Saber Cultural” (excertos)
Imagem:  “Auto-retrato com Sete Dedos” 

domingo, 3 de fevereiro de 2019

AUGUSTO ABELAIRA - Quem era na verdade, FERNADO PESSOA? (III)

  
                             AUGUSTO ABELAIRA
(Coimbra, Portugal, 1926 - Lisboa, 2003)
                  Dramaturgo, tradutor, jornalista     

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 QUEM ERA NA VERDADE, FERNANDO PESSOA? (III)



Em vez de espírito de sistema, espírito de aventura, por ter concluído que a aventura é que leva à Verdade? Quer-me parecer que não. Que a Verdade é coisa que não preocupou o nosso poeta (e observe-se que não está no meu espírito a ideia de dogmatizar; pretendo apenas lançar uma ideia que eu mesmo afastarei se melhores razões vierem. Mais uma razão para que, quem possa, traga elementos para o estudo Fernando Pessoa ocultista). 

Pessoa não poucas vezes raciocina pelo puro prazer de raciocinar, e isso sem que se preocupe com o ajustar de seu raciocínio à realidade. Se não me engano, ele muitas vezes ignorará mesmo, ao começar a escrever, até onde o levará seu virtuosismo lógico. Pura aventura, em que as conclusões lhe surgirão, muitas vezes, completamente inesperadas.


A ser isto assim (como digo, não o considero mais verdadeiro nem menos verdadeiro do que aquilo que se tem dito ou possa ainda vir a dizer-se em favor ou em contrário) é o momento preciso para perguntar: Que levou Pessoa – tão caracteristicamente metafísico como era – a não se preocupar com a Verdade?







in ‘Mundo Literário – Semanário de Crítica e Informação Literária, Científica e Artística’ – 1947


 




sábado, 2 de fevereiro de 2019

ARY DOS SANTOS – Retrato de António Botto



ARY DOS SANTOS
(Lisboa, Portugal, 1937 – 1984)
Poeta, declamador, publicitário

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RETRATO DE ANTÓNIO BOTTO


Um efebo cavalo
uma nereide potro
o falus ou o halo
           és o outro  és o outro!

És a grande diferença
de seres intermitente
mar de mágoa  presença
dos deuses entre a gente.
És o Olimpo limpo
pela água da fonte
o azulíneo limbo
da linha do horizonte.

          Um efebo cavalo
          uma nereide potro
          o falus ou o halo
                     és o outro  és o outro!

É para além do pólo
magnético do cio
teu desvio de Apolo
a tiritar de frio.


É para lá que vives
é para lá que morres
e cantando proíbes
desesperando corres.

Um efebo cavalo
uma nereide potro
o falus ou o halo
           és o outro  és o outro!

És a simples fragata
chamando o marinheiro
és a gota  és  a  gata
de puro corpo inteiro.
A menina varina
sardinheira de Alfama
e às vezes a vagina
que um homem tem na cama

És o silvo  o apito
o encoberto dos cais
és o mito  és o grito
de quem não pode mais.

          Um efebo cavalo
          uma nereide potro
          o falus ou o halo
                     és o outro  és o outro!

Isto eu diria acaso  ou isso ou isso
se a palavra que temos nos chegasse
para clamar poeta  flor  justiça
como se amor, António, não bastasse!



in ‘Obra Poética’
 


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

OLAVO BILAC - Fevereiro


 OLAVO BILAC
(Rio de Janeiro, Brasil, 1865 -1918)
Poeta, contista, cronista, jornalista

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     Coro das crianças

Venham os meses desfilando!
Cante cada um por sua vez!
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês…


FEVEREIRO:

Fevereiro, muitas vezes,
No meio dos doze meses,
É o mês mais jovial.
É o mês da mascarada,
Da alegria desvairada,
Das festas do Carnaval.
Saem à rua os diabos,
De longos, vermelhos rabos,
E caras de horrorizar,
E o velho, que, dando o braço
Ao dominó, e ao palhaço,
Diz graçolas, a pular.
Brincai! por estes treze dias
De festas e de alegrias,
Os vossos livros deixai!
Para alegrar vossas almas,
Batei aos máscaras palmas,
– Depois… aos livros voltai!

     Coro das crianças:

Saia da roda Fevereiro,
Pois já passou a sua vez!
Entre na roda o mês terceiro!
Venha outro mês! venha outro mês!

 


MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...