terça-feira, 6 de agosto de 2019

UMA ÓPERA PARA CRIANÇAS




UMA ÓPERA PARA CRIANÇAS


O célebre conto de Hansel, Gretel e a casinha de chocolate é levado à cena por Engelbert Humperdinck na sua ópera Hansel e Gretel, estreada em Weimar em 1893. Cheia de melodias populares, esta obra, herdeira, por outro lado, da tradição wagneriana, converteu-se num verdadeiro clássico infantil.




in “Crónica da Música”



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

FRIEDRICH NIETZSCHE – Sabedoria do Mundo



                          FRIEDRICH NIETZSCHE
(Alemanha, 1844 – 1900)
Filósofo, poeta, compositor

***

SABEDORIA DO MUNDO

Não fiques em terreno plano.
Não subas muito alto.
O mais belo olhar sobre o mundo
Está a meia encosta.



in "A Gaia Ciência"
Imagem: pintura de Mary Bassett





domingo, 4 de agosto de 2019

MANOEL DE BARROS - Prefácio




MANOEL DE BARROS
(Cuiabá, Brasil, 1916 - Campo Grande, 2014)
Poeta

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PREFÁCIO

Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) -
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas -
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anónimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anónimas –
Passaram essa tarefa para os poetas.





sábado, 3 de agosto de 2019

O DIA-A-DIA DAS CRIANÇAS ESCONDIDAS (II)




O DIA-A-DIA DAS CRIANÇAS ESCONDIDAS (II)

(continuação)


As experiências diárias das crianças escondidas variavam de acordo com a situação em que viviam. Enquanto algumas podiam viver em certa liberdade e, talvez, até frequentar a escola e socializar com outras crianças da sua idade; outras tinham que permanecer escondidas dentro de casas, porões, florestas, galinheiros, etc. Para estas últimas crianças, a vida foi marcada por muita dor, sofrimento e tédio. 

Ler, brincar e outras formas de expressão criativa muitas vezes ajudaram a preencher as longas horas de solidão e a fazer com que a criança temporariamente se abstraísse de sua situação desesperadora.

(continua)



in “Holocaust Encyclopedia”
Imagem: Crianças escondidas num gueto



sexta-feira, 2 de agosto de 2019

ARY DOS SANTOS – Retrato de Sophia


ARY DOS SANTOS
Lisboa, Portugal, 1937 – 1984)
Poeta, declamador, publicitário

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RETRATO DE SOPHIA

Senhora dona águia  água  égua
inglesa num jardim de potros gregos
mordiscando beleza  rega cega
do regador de inês em seus sossegos.

De muitos anos colhes o magro fruito
que depressa transformas em compota
receita tão bem feita que de há muito
nos açucara o travo da chacota.

Porém quando por vezes és de pedra
não mármore  mas árvore  mas dura
do fundo do teu mar levanta-se a cratera
da nossa lusitana sepultura.
 





quinta-feira, 1 de agosto de 2019

ISABEL WOLMAR – Os meus pais



ISABEL WOLMAR

(Lisboa, Portugal, 21 de Março, 1933 – 21 de Julho, 2019)
Locutora, apresentadora, produtora, repórter, actriz, poetisa, declamadora, cantora

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OS MEUS PAIS

“Foram várias as pessoas que me marcaram enquanto cresci. O professor João Soares, o Manuel Lereno, meu mentor, e a minha família, claro, sobretudo a minha mãe.

O meu pai e a minha mãe eram pessoas muito diferentes. Ele era muito inglês, toda a gente o achava um gentleman, encantador, um amor de pessoa, mas era muito frio; ela era muito carinhosa.

O meu pai não nos dava um beijo. Lembro-me que quando a minha irmã mais nova teve um garrotilho, tinha ela uns sete anos, esteve a morrer, e quando voltou a poder falar, disse à minha mãe: «mamã, afinal o papá gosta de mim. Ele deu-me um beijo!»

A mim, o meu pai só começou a dar-me beijos depois de eu me ter casado e ter saído de casa, mas eu sei que ele gostava muito de mim. Eu era a sua companheira dos concertos. Só que ele era muito distante, até com a minha mãe. Ela dizia: «eu que gosto tanto de beijinhos e abraços, casei com o homem de que gosto, mas que não me dá um carinho.» Só muito mais tarde é que eu comecei a vê-lo de outra maneira. Por isso é que eu gostava de homens mais velhos, porque gostava de ter tido um pai mais companheiro, que falasse, que fosse meu pai a sério.

O meu pai conciliava o seu trabalho como empregado de escritório no Diário de Notícias com a carreira de compositor e pianista. De facto, eu venho de uma família de artistas de canto, de piano e de violino. 

Os nossos serões de infância eram uma coisa maravilhosa. Quase todos os Sábados, reuniam-se lá em casa vários actores, poetas, dramaturgos e músicos. Tínhamos uma sala grande, com cadeiras, como se fosse uma plateia, e tínhamos os programas, como em qualquer teatro – feitos à mão pelo meu pai! 

Ele arranjava temas, por exemplo um serão de música clássica ou ligeira, uma ópera, uma orquestra, e tudo vinha explicado no programa, bem como quem participava. Iam lá casa, entre outros, o Paulo Alexandre, o Nuno de Almeida, a Maria de Lourdes Resende, o António Calvário, a Simone de Oliveira, a Madalena Iglésias, artistas que o meu pai começou a acompanhar de perto. Eram serões muito agradáveis.”




in “A Vida com um Sorriso” – Patrícia Costa Dias

OLAVO BILAC - Agosto


OLAVO BILAC
(Rio de Janeiro, Brasil, 1865 -1918)
Poeta, contista, cronista, jornalista

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Coro de crianças:

Passem os meses desfilando!
Venha cada um por sua vez!
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês!

AGOSTO:

Com as chuvas derradeiras,
Molham-se as verdes palmeiras
E os canteiros do jardim.
Já que o tempo não melhora,
Deixemos em paz lá fora
O balanço e o trampolim…

Depois das lições, abramos
Livros de contos; leiamos
As ardentes narrações
De aventuras, de viagens
Por inóspitas paragens
E por selvagens sertões…

— De explorações arrojadas
Feitas em zonas geladas,
Em zonas de vivos sóis;
E percorramos a História,
Honrando e amando a memória
Dos justos e dos heróis!

Coro de crianças:

Fugiu Agosto! Pede entrada
Um novo mês que nos vai dar
A Primavera perfumada!
É o nono mês que vai entrar!

 




MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...