sexta-feira, 4 de outubro de 2019

UMA BOFETADA A TEMPO




UMA BOFETADA A TEMPO


Corre o ano 1748 e o violinista Felice Giardini improvisa durante a interpretação de uma ária de Niccolò Jommelli, em presença do compositor. Como única resposta, Jommelli interrompe-o com uma sonora bofetada. Giardini qualificou o incidente como «a melhor lição de interpretação que me deram».




in “Crónica da Música”
 



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

LUÍS DE MONTALVOR - Baby!



LUÍS DE MONTALVOR
(S. Vicente, Cabo Verde, 1891 - Lisboa, Portugal, 1947)
Poeta

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Pertenceu ao grupo modernista tendo sido um dos fundadores das revistas “Orpheu” (1915) e “Centauro” (1916).

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BABY!

Baby! Sossega a tua voz. Não digas mais
Essas canções do Mundo. Deixa que eu esqueço
Que fui menino ao colo de seus pais.
Deixa! Que o coração em si mesmo o adormeço...

Com olhos de criança olho os desiguais
Dias e nuvens, sós, passando, e empalideço...
Canto de Prometeu todo desfeito em ais!
E a vida, a vida até, brinquedo que aborreço…

Mundo dos meus enganos como a desventura!
Experiência, - pobre fumo! Anela o meu cabelo
E põe-me o bibe azul e antigo da Ternura…

Que a vida, essa Babel desfeita que se embala,
ainda é para mim - criança de Deus, pesadelo
Da infância das fanfarras, fogo de Bengala!




quarta-feira, 2 de outubro de 2019

ARY DOS SANTOS – Retrato de António Nobre


ARY DOS SANTOS
(Lisboa, Portugal, 1937 – 1984)
Poeta, declamador, publicitário

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RETRATO DE ANTÓNIO NOBRE

É de linho o teu verso  fiado no destino
dum país ao luar  dum fio de azeite.
Nasceste nobre  por isso é que menino
para sempre ficaste homem de leite.

Cantaste numa torre  verde pino!
Morreste numa tosse  e foi bem feito.
Mas nunca ninguém soube que sozinho
morrias por matar o dó de peito.

Quem fala só coalha.  Tinhas medo
António de ser puro e ser azedo
seja o teu Portugal fosse qual fosse.

Agora ficas só.  E que remédio
haverá  para a rima   para o tédio
do bacilo de Koquelicodoce?



terça-feira, 1 de outubro de 2019

OLAVO BILAC - Outubro


OLAVO BILAC
(Rio de Janeiro, Brasil, 1865 -1918)
Poeta, contista, cronista, jornalista

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Coro de crianças:

Passem os meses desfilando!
Venha cada um por sua vez!
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês!

OUTUBRO:

Foi neste mês que, por mares
Cheios de névoas e azares,
Cristóvão Colombo viu
Um novo e esplêndido Mundo
Surgir do Oceano profundo…

E a América descobriu.
As intrigas, os perigos,
A inveja dos inimigos
Não o puderam vencer;
Viu passarem as procelas
Sobre as suas caravelas,
Sem a esperança perder.

Glória ao Génio destemido,
Que navegou conduzido
Pela sua intrepidez!
Ergamos a voz em festas
Àquele que estas florestas
Viu pela primeira vez!

Coro de crianças:

Um outro mês já pede entrada:
Deixem-no entrar, que é sua vez!
Em nossa roda bem formada,
Entre cantando um outro mês!

 





MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...