sábado, 21 de setembro de 2013

FRANCISCO BORJA DA COSTA

 
          Francisco Borja da Costa nasceu em 1946, no distrito de Manatuto, Timor Português. Viveu até 7 de Dezembro de 1975.
        Foi poeta e jornalista.
        Esteve em Lisboa a estagiar num jornal diário, regressando a Timor como jornalista do jornal “Voz de Timor”.
        Escreveu a letra de “Pátria”, o Hino Nacional da República Democrática de Timor-Leste, composto em 1975, e tocado pela primeira vez, no dia 28 de Dezembro do mesmo ano.
        Grande parte da sua obra foi escrita na língua Tétum.
        A Fundação “Borja da Costa”, criada com apoio de Organizações não governamentais, tem como objectivo o estudo e difusão da língua Tétum e a divulgação cultural de Timor-Leste. A Fundação Calouste Gulbenkian colabora atribuindo Bolsas a estudantes timorenses.
        Borja da Costa foi assassinado, no dia 7 de Dezembro de 1975, pelas forças indonésias, que invadiram Timor.
 
Pátria
 
Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
Abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
Não, não, não à exploração.
Avante unidos firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo
O inimigo dos povos, até à vitória final.
Pelo caminho da revolução.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A POESIA E A PAZ – (I)

 
 
 
                         
                       A Paz
 
 
 
E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inútil, crê! Tudo é ilusão...
Quantos não cismam nisso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!
 
Mas a Arte, o Lar, um filho, António? Embora!
Quimeras, sonhos, bolas de sabão.
E a tortura do além e quem lá mora!
Isso é, talvez, minha única aflicção...
 
Toda a dor pode suportar-se, toda!
Mesmo a da noiva morta em plena boda,
Que por mortalha leva... essa que traz...
 
Mas uma não: é a dor do pensamento!
Ai quem me dera entrar nesse convento
Que há além da Morte e que se chama A Paz!
 
António Nobre, in “Só”.
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

MÁRIO QUINTANA

 

          Mário Quintana nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, Brasil, no dia 30 de Julho de 1906. Viveu até 5 de Maio de 1994.

         Foi poeta, jornalista e tradutor.

        Aos 34 anos de idade publicou o primeiro livro de poesias, “A Rua dos Cataventos”.

        Traduziu mais de cento e trinta obras de grandes escritores, tais como, Proust, Virgínia Woolf, Voltaire.

         Recebeu vários prémios, entre eles: “Prémio Fernando Chinaglia”, entregue pela União Brasileira de Escritores e o “Prémio Machado de Assis”, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da sua obra.

        O antigo prédio onde estava instalado o Hotel Majestic, em Porto Alegre, no Brasil, foi transformado na “Casa de Cultura Mário Quintana”.
 
A Canção da Vida
 
 
A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar aí...
como um salso chorando
na beira do rio…
(Como a vida é bela! Como a vida é louca!)
 
Mário Quintana, in “Esconderijos do Tempo”
 
 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O QUE PENSAM OS POETAS SOBRE… A LOUCURA ? (II)

 
 

O que pensam os poetas sobre... a loucura?
 
- Ana Hatherly: "A ideia de que o mundo é o reino da loucura é uma convicção muito arreigada. O louco, como “out-sider”, marginal supremo, é útil e portanto necessário. As qualidades do outro fazem parte da lista dos crimes essenciais."

 - Júlio Dinis: "A loucura é inseparável do homem; umas vezes toma-lhe a cabeça e deixa-lhe em paz o coração, que nunca se empenha no desvairar a que ela é arrastada; outras vezes há na cabeça a frieza da razão e ao coração desce a loucura para o perturbar com afectos."

 - Florbela Espanca: "Afinal, quem é que tem a pretensão de não ser louca?... Loucos somos todos, e livre-me Deus dos verdadeiros ajuizados, que esses são piores que o diabo!"

 - Edgar Poe: "A ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências."

- Anatole France: “As grandes obras deste mundo foram sempre realizadas por doidos.”

- Vergílio Ferreira: "Amanhã é dos loucos de hoje, diz Pessoa. E dos loucos de amanhã? Se é depois de amanhã, os tipos com juízo nunca mais têm uma oportunidade. E serão loucos sem amanhã nenhum."

- Fernando Pessoa: "A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido. Ter consciência dela e ela ser grande é ser génio."

 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

ALMEIDA GARRETT




Almeida Garrett nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1799, e viveu até 9 de Dezembro de 1854.

Por razões políticas, a sua família foi obrigada a refugiar-se nos Açores, durante a segunda invasão francesa, que entrou em Portugal por Chaves, seguindo-se a ocupação da cidade do Porto. Assim, a sua adolescência foi passada na Ilha Terceira, onde entrou para a Ordem de Cristo, na qual recebeu uma rigorosa educação religiosa.

Quando regressou ao Continente, frequentou Direito na Universidade de Coimbra. Nesta cidade organizou uma loja maçónica, que obteve muitas aderências dos alunos da Universidade.

Participou na revolução de 1820. Foi dirigente estudantil.

O golpe militar de D. Miguel, em 1823, conhecido como a Vilafrancada, pôs fim à primeira tentativa liberal em Portugal. Garrett exilou-se em Havre. Mais tarde foi para Paris.

Foi considerado um dos melhores oradores portugueses e um acérrimo opositor ao Cabralismo (Costa Cabral).

Em conjunto com mais de cinquenta personalidades, subscreveu o protesto contra a proposta sobre a Liberdade de Imprensa, vulgarmente designada por “lei das rolhas”.

Com o fim do Cabralismo, Garrett regressou à vida política e foi eleito deputado. Desempenhou o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Foi de sua iniciativa a organização da Inspecção-Geral dos Teatros, a edificação do Teatro D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática e do Panteão Nacional.

Em relação à sua profícua actividade literária é impossível neste pequeno texto destacar o imenso espólio composto por peças teatrais, romances, poesias, artigos, ensaios, biografias, etc. de um escritor que é uma das maiores figuras do romantismo português.

No entanto, não é possível deixar de salientar a grande obra-prima, “Frei Luís de Sousa”. “Viagens na minha Terra” foi outro dos belos livros que escreveu.

 
Quando eu sonhava

 
Quando eu sonhava, era assim

Que nos meus sonhos a via;

E era assim que me fugia,

Apenas eu despertava,

Essa imagem fugidia

Que nunca pude alcançar.

Agora, que estou desperto,

Agora a vejo fixar…

Para quê? – Quando era vaga,

Uma ideia, um pensamento,

Um raio de estrela incerto

No imenso firmamento,

Uma quimera, um vão sonho,

Eu sonhava – mas vivia:

Prazer não sabia o que era,

Mas dor, não na conhecia…

 

Almeida Garrett, in “Folhas Caídas”.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O POETA PEDE A SEU AMOR QUE LHE ESCREVA

 
 
O POETA PEDE A SEU AMOR QUE LHE ESCREVA
 
Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
 
 
Federico García Lorca, in "Poemas Esparsos"
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 

domingo, 15 de setembro de 2013

HAROLD PINTER

 

Harold Pinter nasceu em Hackney, Londres, Inglaterra. (1930-2008)

Foi dramaturgo, actor, poeta, activista político.

É considerado um dos grandes representantes do teatro do absurdo.

        Contestou as políticas de George Bush e Tony Blair, nomeadamente em relação à invasão do Iraque em 2003.           

Recebeu vários prémios, entre eles:  “Prémio Nobel de Literatura”, “Legião de Honra” e o "Prémio Franz Kafka".

Nos últimos anos da sua vida, usou a poesia para expressar a sua indignação política.
 
 

          Morte

Onde foi o corpo morto encontrado?
Quem encontrou o corpo morto?
Estava morto o corpo quando foi encontrado?
Como foi o corpo morto encontrado?

Quem era o corpo morto?

Quem era o pai ou filha ou irmão
Ou tio ou irmã ou mãe ou filho
Do corpo morto e abandonado?

Estava morto o corpo quando foi abandonado?
O corpo foi abandonado?
Por quem foi ele abandonado?

Estava o corpo morto nu ou vestido para viagem?

O que te fez declarar morto o corpo morto?
Declaraste o corpo morto?
Conhecias bem o corpo morto?
Como soubeste que o corpo morto estava morto?

Será que levaste o corpo morto
Será que cerraste ambos os olhos
Será que enterraste o corpo
Será que o deixaste abandonado
Será que beijaste o corpo morto.
 
 

 


MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...