domingo, 7 de dezembro de 2014

TIMOR-LESTE - Francisco Borja da Costa : Um Minuto de Silêncio

 
 
 
 
 



Francisco Borja da Costa (Manatuto, Timor Português, 1946 – Díli, Timor-Leste, 1975).
Foi o autor do hino timorense.
Morreu, em 7 de Dezembro de 1975, no mesmo dia da invasão de Timor-Leste pela Indonésia.


Um Minuto de Silêncio

 
Calai
Montes
Vales e fontes
Regatos e ribeiros
Pedras dos caminhos
E ervas do chão,
Calai
 
Calai
Pássaros do ar
E ondas do mar
Ventos que sopram
Nas praias que sobram
De terras de ninguém,
Calai
Calai
Canas e bambus
Árvores e "ai-rús"
Palmeiras e capim
Na verdura sem fim
Do pequeno Timor,
Calai
 
Calai
Calai-vos e calemo-nos
POR UM MINUTO
É tempo de silêncio
No silêncio do tempo
Ao tempo de vida
Dos que perderam a vida
PELA PÁTRIA
PELA NAÇÃO
PELO POVO
PELA NOSSA
LIBERTAÇÃO
CALAI – UM MINUTO DE SILÊNCIO...
 
Francisco Borja da Costa

sábado, 6 de dezembro de 2014

BENIN - Rashidah Ismaili AbuBakr : El Hijo de Cualquiera

 
 




Rashidah Ismaili AbuBakr (Benin, 1947) é poetisa, dramaturga, professora e crítica de arte.
Fez parte do ”Movimento das Artes Negras”.

 
 
El Hijo de Cualquiera

 
Dos pies en unos zapatos
abiertos, sin cordones,
sucios, forros
gastados, niño perdido.   


Pantalones grises y raídos,
las piernas se sacuden sobre
unos tobillos desnudos,
sin bañar, adoloridos.

Deambulando a solas,
una manzana podrida,
un pan rancio dentro
de sus bolsillos sin rotos

su dinero está a salvo.
Alrededor de su cuello
cuelga una cuerda.
Una medalla de plata con nombres

marcados, padres muertos.
Una dirección de una casa desalojada,
familiares silenciosos
que solían llamar

cuando las baterías eran nuevas
y el teléfono sonaba.
El hijo de cualquiera camina
por senderos anónimos.

Durmiendo donde sea:
bajo árboles,
en los túneles
de algún parque oscuro,

a las puertas de iglesias,
en corredores, camina.
Camina bajo la lluvia
dejando que el agua lave

sus ropas, que moje
su cabello, su espalda.
No hay baños calientes
que lo esperen,
ni caldo de pollo,
no hay té caliente con limón.
El frío se endurece
en su cabeza,

congestiona su nariz
que limpia su manga andrajosa.
Éste fue algún día

el hijo de alguien,
ha dejado de llamar en
noches colmadas de sueño
“Mamá! Mamá!”.

 

Rashidah Ismaili AbuBakr
Tradução: Ricardo Gómez

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

CUBA - Fina García Marruz : O Menino Bonito

 
 
 



Fina García Marruz (Havana, Cuba, 1923).
É poetisa e investigadora literária.
Está presente, em muitos dos seus poemas, a tendência místico-religiosa.
Pertenceu ao grupo de poetas “Origens”.

 

 

                   O Menino Bonito

 

Só você, menino bonito, pode entrar num parque.
Eu entro em certos campos, em certas folhas ou em aves.

Só você, menino bonito, pode levar a roupa
ausente do defunto, distraída e remota.

A roupa desenhada, o chapéu da ave.
Só você nesse reino indissolúvel e grave

tocou a magia do exterior, as coisas
indizíveis. Eu levo a roupa maliciosa

de quem sabe da morte e da amarga inocência.
Você não sabe que tem toda a ciência possível.

Mas ai! quando o saiba, o parque estará destruído,
você conhecerá a estranha lucidez do adormecido,

e por que o sol que ilumina seus álamos dourados
hoje os tinge de ouro com palavras e dias melancólicos.  

 

Fina García Marruz
Tradução: Alai Garcia Diniz e Luizete Guimarães Barros.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

SENEGAL - Modou Kara Faye : Quiero ser Hombre

 
 
 
 
 
 
 

Modou Kara Faye (Senegal, 1985-2003).      

Com apenas 18 anos de idade, demonstrando uma rara maturidade, deixou impressionantes e intensos poemas que falam de amor e fraternidade.   



Quiero ser Hombre

 

Quiero ser hombre
ser el hombre de la tierra
La mujer el niño la tierra aún la tierra
Pero nunca ser
Un viejo con corazón carroñero
El malvado vertebrado
Nunca el hombre que pudre
Cuanto es bello

 

Quiero vivir sin permiso
Reír sin permiso
Llorar sin permiso
Quiero bailar sin permiso
Odiar sin permiso
Perdonar sin permiso
Quiero morir sin permiso
Pudrirme sin permiso
Llegar a ser flor sin permiso

 

Brotar como hierba silvestre
Ser tierra y mar sin permiso
Sin permiso ser sueño
Sin memoria sin rostro
Quiero hacer callar de vergüenzas la noche
Sin permiso resonar como tam-tam salvaje
Sin permiso gritar
Libertad

 

Puede que mañana seamos viejos
Con tantos soles en nuestros corazones
Tanto amor por vivir
Tantos ecos locos por contestar
Tantas ofrendas en que empeñarse
Tantas sendas noches en las que dejar
la huella de nuestra juventud
Quizá mañana seamos sí
por fin compañeros del invierno

 

 
Modou Kara Faye
 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

CABO VERDE – Eugénio Tavares : Partindo

 
 
 
 
 

Eugénio Tavares (Cabo Verde, 1867-1930) foi uma personalidade influente no panorama cultural e político cabo-verdiano.
A sua obra inclui poesia, música, ficção, ensaio.

 

                   Partindo

 

Triste, por te deixar, de manhãzinha
Desci ao porto. E logo, asas ao vento,
Fomos singrando, sob um céu cinzento,
Como, num ar de chuva, uma andorinha.

Olhos na Ilha eu vi, amiga minha,
A pouco e pouco, num decrescimento,
Fugir o Lar, perder-se num momento
A montanha em que o nosso amor se aninha.

Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera.

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

 
Eugénio Tavares
 
 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ZIMBABWE - Freedom Nyamubaya : Nuevamente en el Camino

 
 
 
 

Freedom Nyamubaya (Uzumba, Zimbabwe, 1958).

Pertence a um grupo de ex-guerrilheiros, todos poetas, para os quais a guerra de libertação não deveria ser sanguinária, mas um sofrimento necessário para alcançar a liberdade e a justiça.

 
 

Nuevamente en el Camino

 
Nueve meses en el vientre
Inocente y cómoda,
Nunca más podré descansar,
Siempre en movimiento hacia ninguna parte
Desde que abandoné el vientre de mi madre.


Estudiante en la mañana
A media mañana maestra
Constructora al mediodía
A la hora del almuerzo cocinera
A la tarde esclava
A la hora de la cena perro
Y por el resto de mi vida seré una combatiente


En la escuela existen las vacaciones
Los obreros tienen sus días de descanso
Los esclavos una hora para comer y descansar
Pero la lucha sigue, continúa
El camino es un viaje sin fin.


Me arrastro
Camino,
Muchas veces corro,
Pero la mayoría de las veces
Me empujan de aquí para allá.

 

Freedom Nyamubaya
Tradução: Esteban Moore
 

 


 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

ALBÂNIA - Dritëro Agolli: Duas Palavras aos Poetas que Virão

 
 
 
 
 
 
Dritëro Agolli (Albânia, 1931) é dramaturgo, tradutor, ensaísta e um dos mais destacados poetas albaneses.
 
 
Duas Palavras aos Poetas que Virão
 
 
Não tivemos tempo de escrever sobre o amor,
apesar de termos sido amantes impetuosos,
o país precisou de canções livres,
o país precisou de canções sobre os cereais no campo. O país pediu-nos a nós, pobres poetas,
que ensinássemos em cursos que combatessem a iliteracia,
que construíssemos represas nos rios,
que acendêssemos a chama do socialismo nas montanhas.
Não queiram saber, oh poetas por nascer,
e não nos julguem por aquilo que não conseguimos.
 
Comparados convosco, pareceremos monges
carregados de cereais e correntes pesadas.
Nós que passámos muitas noites em branco,
nós que realizámos muitas acções,
não poderíamos nós pelo menos ter escrito dois
ou três poemas de amor, não poderíamos ter
soletrado um "oh meu amor"?
Não acreditem que não tivéssemos coração.
 
Se pudessem ver as paixões que sentimos
por miúdas que amámos, se ouvissem os pequenos
nadas que sussurrámos nos seus ouvidos
naquelas noites radiantes...
Mas nós faltámos ao tempo de publicar esses
doces nadas.
As nossas gráficas estavam cheias de coisas
mais importantes.
 
 
 
Dritëro Agolli
Tradução: Pedro Calouste

MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...