sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

CADA PORTUGUÊS QUE SE PREZA




CADA PORTUGUÊS QUE SE PREZA


É escusado. Cada português que se preza é uma muralha de suficiência contra a qual se quebram todas as vagas da inquietação. 

Conhece tudo, previu tudo, tem soluções para tudo. E quando alguém se apresenta carregado de dúvidas, tolhido de perplexidades, vira-lhe as costas ou tapa os ouvidos. Um mínimo de atenção ao interlocutor seria já uma prova de fraqueza, uma confissão de falibilidade. 

Quanto mais apertado o seu horizonte intelectual, mais porfia na vulgaridade das certezas que proclama. Não à maneira humilde e cabeçuda dos que se limitam a transmitir sem análise um saber ancestral, mas como um presumido doutor, impante de mediocridade.




MIGUEL TORGA - (São Martinho de Anta, Portugal, 1907 - Coimbra, 1995), poeta, escritor.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

O PRIMEIRO HISTORIADOR PORTUGUÊS




O PRIMEIRO HISTORIADOR PORTUGUÊS


FERNÃO LOPES inaugurou uma maneira nova de investigação histórica, baseando-se em documentos e rejeitando os relatos fantasiosos ou as tradições e memórias não confirmadas.




Imagem: uma página da Crónica de D. João I







quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

AS PREFERÊNCIAS DO DIVINO




AS PREFERÊNCIAS DO DIVINO


Um sacerdote passava frente a uma humilde aldeia. Ouviu uns risos alvoraçados e aproximou-se para ver a que se deviam. Havia uma mãe a dar de comer aos seus quatro filhos, mas o que surpreendeu o sacerdote foi ver que também dava de comer a uma imagem da divindade. 

O sacerdote irritou-se e gritou: «Mulher blasfema, como te atreves a brincar com a imagem de Deus?» Pegou na imagem e levou-a. Não podia permitir que fizessem dela um brinquedo. As crianças ficaram muito tristes e a mulher envergonhada. 

O sacerdote colocou a imagem sagrada no templo. Essa noite, em sonhos, Deus apareceu-lhe e disse: «Insensato! Quem te manda meter o nariz onde não és chamado? Não aceitarei nenhum sacrifício nem qualquer oferenda dos sacerdotes, porque onde eu era realmente feliz era naquela casa, com aqueles meninos. Portanto, assim que acordares amanhã, leva-me a eles. O templo é escuro e triste.»


A solenidade é o símbolo dos medíocres. O sábio tem um grande sentido de humor e o seu coração transborda de ternura e seu entendimento, de compreensão. Uma religião que fecha as portas à alegria e que não celebra a vida perdeu o seu sentido original de aliviar o sofrimento e pôr a uso os meios para que as criaturas sejam mais felizes. Não se chega ao Absoluto com oferendas vazias e rituais empedernidos, mas sim pela vontade de contribuir para o bem-estar e a alegria dos outros.



RAMIRO CALLE, (Madrid, Espanha, 1943), escritor
Imagem: pintura de Paula Rego


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

AGATHA CHRISTIE



AGATHA CHRISTIE
(Reino Unido, 1890 - 1976)
Escritora

***

Escritora de policiais e de ficção de mistério.

Criou as figuras de Hercule POIROT, um detective belga, gorducho e refinado, e de Miss MARPLE, uma velha solteirona com queda para a resolução de crimes misteriosos.

Agatha Christie escreveu cerca de 70 policiais, muitos dos quais têm sido adaptados ao cinema (Um Crime no Expresso Oriente e Morte no Nilo, por exemplo).

A sua peça A Ratoeira é o espectáculo que se mantém há mais tempo em cartaz. Está em cena em Londres, ininterruptamente, desde 1952.




in “Dicionário Ilustrado”
Imagem: Agatha Christie na sua casa de Wallingford, Berdshire, em 1950, rodeada pelas suas obras.







segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

À ESPERA DE GODOT



À ESPERA DE GODOT


Peça de SAMUEL BECKETT, escrita em francês em 1953 e dois anos mais tarde em inglês.

Dois vagabundos, Vladimir e Estragon, passam toda a peça à espera de uma misteriosa personagem chamada Godot, que nunca aparece.

À Espera de Godot foi um marco no desenvolvimento do Teatro do Absurdo.





domingo, 3 de janeiro de 2021

PÉRICLES




PÉRICLES

PÉRICLES (c.495-429 a.C.), estadista ateniense do século V, governou a cidade desde c. 450 até à sua morte.

Nessa época a arquitectura e a escultura gregas alcançaram o seu ponto mais alto.

Ficou famoso sobretudo pelo seu programa de construção pública, durante o qual mandou erguer numerosas estruturas públicas sagradas.




in “Arquitectura” – Neil Stevenson


sábado, 2 de janeiro de 2021

ALEXANDRE HERCULANO - A Caricatura




ALEXANDRE HERCULANO - A Caricatura


Já lá vão muitos anos.

Rafael Bordalo Pinheiro começava a traçar umas figuras grotescas, finamente lançadas, com uma grácil intenção irónica.

Era o início do grande caricaturista que depois, durante o período de 1878-1899, de enorme degradação política e moral, se afirmou um grande destruidor de várias porcarias políticas e literárias.

Rafael Bordalo encontrava Alexandre Herculano na livraria Bertrand e o notável historiador, com bonomia perguntou a Rafael Bordalo, um rapazote, o que andava ele por ali a fazer.

Bordalo explicou a Herculano que tinha planeado a publicação dum álbum de caricaturas que expusessem à curiosidade do público as maiores individualidades da nossa terra.

O historiador achou excelente a ideia, e com aquele seu feitio catedrático, tanto à moda do tempo, desatou a expor ao jovem caricaturista… a história da caricatura. Foi essa exposição rodeada de lances eruditos. 

Herculano afirmava que a caricatura é antiga, muito mais antiga que a coluna de Pasquino, mas que tem uma função nova nas sociedades modernas, entregues à triunfante democracia, porque visa a destruir pelo ridículo as individualidades perniciosas que o preconceito engendra.

Rafael depois de ouvir com atenção a erudita conversa de Herculano, tirou do bolso uma carteira, e da carteira uma caricatura de um grotesco achincalhador.

- Sr. Herculano - disse Rafael - para começar o meu álbum lembrei-me de começar por esta caricatura... que é a de V. Exa , diga-me se o ofendo com ela. - E mostrou a caricatura ao historiador.

Herculano fitou a caricatura, corou porque ali se via amesquinhado nas suas ambições de grande homem; mas não quis confessar o seu desgosto ao rapaz que o expunha na ponta do seu lápis à hilaridade pública, e limitou-se a dizer a Bordalo:

- Claro está que me não ofende, porque se me ofendesse... dava-lhe dois pontapés.

E ficou-se com a recôndita vontade de lhos dar.


Carneiro de Moura



in “A Farça ”- quinzenário humorístico ilustrado – 1910.
Imagem: caricatura de Alexandre Herculano por Rafael Bordalo Pinheiro.


MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...