quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

ESCRITA GREGA

 
 
 
 
 
 

A Escrita Grega, de origem semítica, provem directamente do fenício arcaico. Todavia, ao adoptar este alfabeto, os gregos procederam a modificações importantes: fizeram-no regressar a uma escrita realizada da esquerda para a direita, transformando as vogais em letras especiais.
Fixado desde o princípio do séc. V a.C., impôs-se a todo o mundo helénico pelo prestígio da civilização ática, sem sofrer grandes alterações.

 

Fonte: Museu da Imprensa

Imagem: excerto da Ilíada de Homero

 
 
 
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

SALVATORE QUASIMODO – Sem memória de morte

 
 
 
 
 

Salvatore Quasimodo (Modica, Itália, 1901 – Nápoles, Itália, 1968).

Quando terminou os estudos básicos em Modica, mudou-se para Roma onde estudou grego e latim.

Foi nomeado professor de Literatura Italiana no Conservatório de música “Giuseppe Verdi”.

Publicou, em 1930, o seu primeiro livro de poemas: Acque e Terre.

Foi um dos representantes da escola hermetista.

Traduziu peças de dramaturgos trágicos gregos, William Shakespeare, EE Cummings, Pablo Neruda, Molière, entre outros.

Recebeu, em 1959, o “Prémio Nobel de Literatura”.

 

 
Palavras de Salvatore Quasimodo:

“A poesia é a revelação de um sentimento, que o poeta acredita que é pessoal e interior e que o leitor reconhece como verdadeiro.”




Sem memória de morte

 

A primavera desperta árvores e rios;
a voz profunda não ouço,
em ti perdido, amada.

 
Sem memória de morte,
unidos na carne,
as trombetas do último dia
nos despertam adolescentes.

 
Ninguém nos ouve:
o leve respirar do sangue!

 
Feita ramo
floresce em teu flanco
a minha mão.

 
De plantas pedras águas
nascem os animais
ao sopro do ar.

 

Salvatore Quasimodo, in “Poesias”
Tradução: Geraldo Holanda Cavalcanti
Imagem: pintura de Odilon Redon (França, 1840-1916).

 

 
  


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

RIBEIRO SANCHES - Médico, Filósofo e Cientista

 
 
 
 

Ribeiro Sanches (Penamacor, Portugal, 1699 – Paris, França, 1783).

Doutorado pela Universidade de Salamanca, propôs a reforma da Faculdade de Medicina de Coimbra que também frequentara.

Saíu de Portugal em 1726 com receio da Inquisição, uma vez que se declarara judeu. (…)

Pertenceu à Academia Real das Ciências de Lisboa, Real Sociedade de Londres e Academia das Ciências de Paris. Colaborou na Enciclopédia de D´Alembert e Diderot.

As ideias de Ribeiro Sanches deram a base científica ao estudo de medicina segundo as doutrinas de Boerhaave e tiveram o mérito de restabelecer as teorias  de Hipócrates no ensino médico e cirúrgico.

Dotado de uma inteligência excepcional e profundo espírito de observação, o amor ao estudo, que nunca o deixou, assim como o seu desejo de saber proporcionaram-lhe uma vasta cultura e uma rara erudição que o tornaram uma das grandes figuras europeias do seu tempo.

Em 1722 recebeu o grau de doutor em Filosofia na Universidade de Salamanca. (…)

Em Moscovo, 1731, Ribeiro Sanches é médico-chefe e, nessa qualidade, examina médicos e cirurgiões que iam praticar na capital. Por aí se ficaria se, em 1733, o doutor Ruger, médico da corte e presidente da chancelaria de Medicina, o não tivesse chamado a Sampetersburgo. Dois anos depois foi nomeado médico dos exércitos imperiais, que acompanhou durante a rápida campanha da Polónia. De 1735 a 1737, e pela grande amizade que o unia ao marechal Munich, tomou parte em toda a longa guerra com a Turquia. (…)

A partir de 1747, fixa-se em Paris, onde vive o resto da sua existência.
 
Fonte: Génios da Medicina
 
 
Palavras de Ribeiro Sanches:
“Tenho sido destinado, desde o nascimento, a ser considerado pelos Cristãos como Judeu, e pelos Judeus como Cristão.
 
Imagem: Ribeiro Sanches segundo o pintor António Barata (Quadro  existente no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Penamacor).
 
 
 

 

 

 
 
 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

CARTA DE AMÁLIA RODRIGUES A AMÉLIA REY COLAÇO

 
 
 
 
 
 
 

Carta de Amália Rodrigues a Amélia Rey Colaço

 

Os destinos são fatais
Foi só por duas vogais
Foi o e em vez do a
Só por serem desiguais
Duas pequenas vogais
A diferença que faz

Quem inventou os destinos
Que logo de pequeninos
Nos fazem como Deus quis
Inventou duas vogais
Que nascerão desiguais
Para pôr os pontos nos ii

Amélia queria ter sido
Só o não fui por um triz
O meu a tratou-me mal
O seu e fê-la uma grande actriz

 

 

Amália Rodrigues, in “Versos”

Imagem: fotografia de arquivo do “Institut national de l'audiovisuel"


domingo, 3 de janeiro de 2016

FRANÇOIS RABELAIS - Gargântua

 
 
 
 

François Rabelais (Chinon, França, 1494 – Paris, França, 1553)

Escritor, médico, professor e padre, foi um dos principais nomes do Renascimento Literário europeu da Idade Moderna.

Lutou com entusiasmo para renovar, à luz do pensamento antigo, o ideal filosófico e moral do seu tempo.

Os seus escritos tratavam de forma sarcástica os vícios da sociedade da sua época. Sofreu, por isso, perseguições de seus pares católicos e intelectuais.

Foi autor de duas obras-primas: Pantagruel e Gargântua.

 
 
 

Gargântua (excerto)

(…) Pouco tempo depois, ela começou a suspirar, a se lamentar e a chorar. Subitamente, de todos os cantos vieram as parteiras e, apalpando por debaixo, encontraram algumas saliências nojentas, e pensaram que era o bebê. Mas era o fiofó dela que havia lhe escapado, por causa do amolecimento do intestino — chamado de entranhas — porque havia comido muitas tripas, como havíamos declarado anteriormente.

Então, uma velha feia da companhia, que tinha a reputação de ser uma grande médica, vinda de Brisepaille, perto de Saint Genou, sessenta anos atrás, fez-lhe um constipante tão horrível que suas pregas se obstruíram e se fecharam tanto, que, até com os dentes, seria difícil abri-las, o que é algo horrível de se pensar: mesmo imitando o diabo, que na missa de Saint Martin, transcreveu o bate-papo de duas galesas, esticando o pergaminho com os dentes.

Por este inconveniente, soltaram-se os cotilédones de seu útero, através do qual a criança saltou pra cima e entrou na veia cava. Então, escalando o diafragma até os ombros (onde a veia se divide em duas), ela tomou o caminho da esquerda e saiu pela orelha esquerda.

Assim que nasceu, não chorou como as outras crianças: “Miez, miez", mas gritou em voz alta, "beber! beber! beber!", como se convidasse todo o mundo a beber. E o barulho era tão alto que podia ser ouvido ao mesmo tempo nos países de Beausse e Bibaroys.

Questiono-me se você não acredita totalmente neste estranho nascimento. Se não acredita, não me importo; mas um homem de bem, um homem de bom senso, acredita em tudo que lhe contam e em tudo que lhe chega por escrito. Isto é contra nossa lei, nossa fé, nossa razão, contra as Santas Escrituras?

De minha parte, não encontro nada na Bíblia Sagrada que seja contra isto. Mas, se esta foi a vontade de Deus, você diria que ele não o fez? Ah, misericórdia, não emburreça jamais seu espírito com estes vãos pensamentos, pois eu lhe digo que nada é impossível para Deus e, se ele quisesse, todas as mulheres dariam à luz, doravante, pela orelha. (…)

 
Tradução: Henry Alfred Bugalho

Imagem: ilustração de Gustave Doré

 

sábado, 2 de janeiro de 2016

LENDA DO GALO DE BARCELOS

 
 
 
 
 
Lenda do Galo de Barcelos
 
A curiosa lenda do galo está associada ao cruzeiro medieval que faz parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade. Segundo esta lenda, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, com o facto de não se ter descoberto o criminoso que o cometera.
Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém acreditou. nele. Ninguém acreditava que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela, em cumprimento de uma promessa, sem que fosse fervoroso devoto do santo que, em Compostela, se venerava, nem de S. Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.
Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado que, nesse momento, se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa, exclamando: “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”.
Risos e comentários não se fizeram esperar mas, pelo sim pelo não, ninguém tocou no galo. O que parecia impossível tornou-se, porém, realidade!
Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz correu à forca e viu, com espanto, o pobre homem de corda ao pescoço. Todavia, o nó lasso impedia o estrangulamento. Imediatamente solto foi mandado em paz.
Passados anos voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor a S. Tiago e à Virgem.
 
Fonte: Município de Barcelos
 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

JÁ REPARARAM COMO É BOM DIZER "O ANO PASSADO"?

 
 
 
 
Já repararam como é bom dizer "o ano passado"?
 
É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraordinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas.
 
Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da “Associeted Press” em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:
 
"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".
 
Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...
 
Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado. Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.
 
 
Mário Quintana (Rio Grande do Sul, Brasil, 1906-1994).
Imagem: pintura de Sofia Areal (Lisboa, Portugal, 1960).

MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...