domingo, 6 de janeiro de 2019

CARTA A RAINHA ISABEL II



CARTA A RAINHA ISABEL II 

Bloomsburg
    Universidade 
Departamento de Filosofia
6 de Maio de 2004
      Rainha
      Buckingham Palace
      London SWIA IAA.


Majestade,

      É com muito prazer que vos convido a participar com um artigo num livro intitulado A Filosofia segundo Monty Python. Irei editar o livro com George A. Reisch e irá ser publicado pela Open Court Publishing Companyn.
      Como, sem sombra de dúvida, é do vosso conhecimento, o humor dos Monty Python abordou importantes e fascinantes temas filosóficos. O nosso livro irá incluir artigos que farão esta intersecção entre os Monty Python e a filosofia.
      Eminentes filósofos e reconhecidos intelectuais contribuíram, e posso assegurar-vos que o vosso contributo irá ficar em boa companhia intelectual.
      É possível que estejais paralisada por falta de ideias. Lembrai-vos de que o humor dos Python se fez, muitas vezes, à custa da vossa própria Família Real, e de instituições caras a Inglaterra. Esta poderá ser a vossa oportunidade para ajustar contas, ou, se isso não for do vosso agrado (eu próprio tendo a ignorar pura e simplesmente as críticas e, talvez, seja essa a vossa maneira de lidar com o assunto), podereis considerar que esta é a oportunidade de comentar o lugar que os Python têm nos corações da Família Real. Está inteiramente nas vossas mãos.
      É claro que deveis ter uma agenda muito ocupada. Mas espero que consigais arranjar tempo para contribuir com um artigo – nem que sejam apenas algumas palavras – para o nosso livro.
      Apesar de tudo, o espaço é limitado, pedimos que, por favor, não demoreis na vossa resposta. Por outro lado, poderíamos ter de empurrar um professor assistente para arranjar espaço para a vossa contribuição, se isso acontecesse. Mas, por favor, tende este facto sob a vossa coroa.
      Espero ansiosamente pela vossa resposta. Sempre vosso,

      Gary L. Hardcastle
      Professor Assistente de Filosofia
      Universidade de Bloomsburg





in “A Filosofia Segundo Monty Python”, organizado por Gary L. Hardcastle e George A. Reisch.
Tradução: José Pedro Barreto


sábado, 5 de janeiro de 2019

ALBERTO MORAVIA – O Gosto pela Contemplação



ALBERTO MORAVIA 
(Roma, Itália, 1907 -1990)

Escritor, jornalista

 ***

 O GOSTO PELA CONTEMPLAÇÃO



O poder interior do homem pode-se comparar ao de um rio que, impedido por um dique, forme uma bacia artificial dando assim origem a uma fonte de energia. Mas há séculos que este dique tem uma falha, a bacia está quase vazia, a energia pouco menos que gasta e todas as regiões em volta estão na escuridão.

Deve-se portanto reforçar o dique e permitir que o nível da água suba. Por outras palavras, para encontrar uma ideia do homem, isto é, uma fonte de verdadeira energia, necessita-se que os homens reencontrem o gosto pela contemplação. A contemplação é o dique que alimenta de água a bacia. Ela permite aos homens acumular de novo a energia de que a acção os privou.



in "O Homem Como Fim" (Citador)


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

MÚSICA CELESTIAL


 



MÚSICA CELESTIAL


Martinho Lutero foi, além de teólogo, um talentoso compositor que deixou numerosos hinos, cantatas e melodias. A sua paixão pela música fica bem clara na seguinte reflexão, escrita em 1530, depois de assistir a um concerto: «Se Deus nos proporciona estes gozos em vida, que não é mais que um vale de lágrimas, como será depois!»





in “Crónica da Música”



quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

NÍKOS ENGONOPOULOS - Rolos compressores


                           NÍKOS ENGONOPOULOS
 (Atenas, Grécia, 1910 – 1985)
Poeta, pintor, ensaísta

***

ROLOS COMPRESSORES

Meu coração é um sólido objecto de borracha. Dentro tem dois pregos de vidro dolorosos e indignos. Pego esse objecto e, enquanto ele resiste com unhas e dentes, consigo escondê-lo com grande dificuldade na gaveta onde guardo ocultamente palavras e histórias do país das bicicletas. Não temo nem a virgem do falo nem o homem de olhos peludos que sobe e desce a escada em trevas. Conheço desde criança o espelho das flores. Canto a glória dos rolos compressores, recito o salmo das garrafas enquanto a minha coruja de papel diz dentro dela – com o seu funil – precisamente a palavra “estrangeira”.



Tradução: José Paulo Paes


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

ARY DOS SANTOS – Retrato de Luís de Camões



ARY DOS SANTOS
(Lisboa, Portugal, 1937 – 1984)
Poeta, declamador, publicitário

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RETRATO DE LUÍS DE CAMÕES


Não do mar  meu Luís  mas dessa mágoa
marchetada de tudo  apartada de quem
não mais trouxer os olhos rasos de água
por esta terra de ninguém.

Não do mar meu  Luís  mas da raiz
da nossa amarga pátria portuguesa
chulando o mal de bernardim
até á ultima grandeza.

Não do mar  meu Luís  mas da galega
couve de  pranto aberta  pranto raro
pranto tão canto que a cantar te quero
neste deserto de quem fala claro.








terça-feira, 1 de janeiro de 2019

OLAVO BILAC - Janeiro



OLAVO BILAC
(Rio de Janeiro, Brasil, 1865 -1918)
Poeta, contista, cronista, jornalista

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JANEIRO
Coro das crianças:

Venham os meses desfilando!
Cante cada um por sua vez!
Dancemos todos, escutando
O que nos conta cada mês…
Janeiro:
Eu sou o mês primeiro,
O cálido Janeiro!
Ouvi minha canção!
Dou festas e presentes…
E os corações contentes,
Quando apareço, estão.
Quando apareço, os sinos
Começam cristalinos,
A erguer o alegre som.
Trago para as crianças
Afagos, esperanças,
E festas de Ano-Bom.
Mas, se a alegria espalho,
Desejo que o trabalho
Vos possa reunir:
Meses, eu vos saúdo!
Eu sou o mês do estudo:
As aulas vão se abrir!

Coro das crianças:

Saia da roda o mês primeiro!
Prossiga a dança jovial!
E entre na roda Fevereiro,
Que é o belo mês do Carnaval!



in “Os Meses”
 









MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...