segunda-feira, 10 de junho de 2019

CARLOS NEJAR - Luís Vaz de Camões


CARLOS NEJAR
(Porto Alegre, Brasil, 1939)
Poeta, tradutor, crítico literário
                                 
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Foi bolsista, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, em viagem a Lisboa, em Outubro de 1981, com o fito de organizar a Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, saída no Brasil, São Paulo.

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 LUÍS VAZ DE CAMÕES

Não sou um tempo
ou uma cidade extinta.
Civilizei a língua
e foi resposta em cada verso.
E à fome, condenaram-me
os perversos e alguns
dos poderosos. Amei
a pátria injustamente
cega, como eu, num
dos olhos. E não pôde
ver-me enquanto vivo.
Regressarei a ela
com os ossos de meu sonho
precavido? E o idioma
não passa de um poema
salvo da espuma
e igual a mim, bebido
pelo sol de um país
que me desterra. E agora
me ergue no Convento
dos Jerónimos o túmulo,
que não morri.
Não morrerei, não
quero mais morrer.
Nem sou cativo ou mendigo
de uma pátria. Mas da língua
que me conhece e espera.
E a razão que não me dais,
eu crio. Jamais pensei
ser pai de santos filhos.



domingo, 9 de junho de 2019

AS CRIANÇAS DURANTE O HOLOCAUSTO (III)




AS CRIANÇAS DURANTE O HOLOCAUSTO (III)

 (continuação)


As autoridades alemãs eram indiferentes a esses assassinatos em massa, pois consideravam a maioria das crianças dos guetos improdutivas e, portanto, “consumidores inúteis de comida”.

Quando as crianças eram muito jovens para serem mandadas para o trabalho forçado, as autoridades alemãs seleccionavam-nas, assim como aos mais velhos, doentes e deficientes, para serem os primeiros judeus a serem deportados para os campos de extermínio, ou então eram levadas até as covas de destruição em massa como as primeiras vítimas a serem metralhadas.

(continua)



in “Holocaust Encyclopedia”
Imagem: Crianças à espera da execução pelo Einsatzgruppen - Unidade móvel de Extermínio.





sábado, 8 de junho de 2019

KONSTANTÍNOS KAVÁFIS - Quanto puderes



 KONSTANTÍNOS KAVÁFIS
(Alexandria, Egipto, 1863 - 1933)
Poeta
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É um dos principais nomes da poesia grega moderna.

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QUANTO PUDERES

E se não podes fazer a tua vida como a queres,
pelo menos procura isto
quanto puderes: não a aviltes
na muita afinidade com o mundo,
nos muitos movimentos e conversas.

Não a aviltes levando-a,
passeando-a frequentemente e expondo-a
em relações e convívios
da parvoíce do dia-a-dia,
até se tornar como uma estranha pesada.




Tradução: Joaquim Manuel Magalhães e Nikos Pratsinis





 






sexta-feira, 7 de junho de 2019

RUI KNOPFLI – Ginástica Aplicada



RUI KNOPFLI
(Moçambique, 1932 - Portugal, 1997)
Poeta, crítico literário

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A sua poesia apresenta um tom discursivo e descritivo, mas sempre orientada para a interiorização. 

in “Grande Livro dos Portugueses”

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GINÁSTICA APLICADA


Meu verso cínico é minha terapêutica
e minha ginástica. Nele me penduro
e ergo, em sua precisão de barra fixa.
Nele me exercito em pino flexível,
sílaba a sílaba, movimento controlado
de pulso, e me volteio aparatoso
na pirueta lograda, no lance bem ritmado.

Há um sorriso discreto em minha segurança.

Porém, se às vezes me estatelo, folha seca
(o verso é difícil e escorregadio), meu verso,
como de vós, ri-se de mim em ar de troça.
 




quinta-feira, 6 de junho de 2019

A ORIGEM DE UMA MARCA CÉLEBRE



A ORIGEM DE UMA MARCA CÉLEBRE


Um desenho do artista Francis Barraud em que aparece um cãozito diante de um fonógrafo foi adquirido por cem libras esterlinas pela companhia Gramophone em 1899. Nesse mesmo ano, os novos proprietários da imagem registaram-na como logótipo com o nome de «A voz do dono»



in “Crónica da Música”
 



MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...