terça-feira, 7 de abril de 2020

OS ESCRITORES ROMANOS




OS ESCRITORES ROMANOS

Seguindo as pisadas dos Gregos, os antigos Romanos produziram uma série de escritores notáveis.

O poeta Virgílio (70-19 a.C.) escreveu a Eneida, um épico que conta a história de Eneias, o fundador lendário de Roma. Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.) foi outro poeta que usou material mitológico. O seu livro As Metamorfoses é uma colecção de histórias mitológicas, todas elas envolvendo algum tipo de transformação mágica. Juvenal (c.55 d.C. – c.140) era um escritor mais terreno. Produziu uma série de poema satíricos atacando os hábitos e estilo de vida dos romanos seus contemporâneos.

O escritor que mais nos contou acerca do mundo romano foi provavelmente Plínio, o Velho (23-79). A obra mais famosa de Plínio foi a sua História Natural, em 37 volumes.

Esta obra engloba tudo o que Plínio observou, desde factos a ficção. Apesar do título, inclui informação sobre as artes e invenções humanas, assim como descrições do mundo natural.   





in “Mil Anos”


segunda-feira, 6 de abril de 2020

ANTÓNIO PEDRO - Se houve engano de olhos




ANTÓNIO PEDRO
(Cabo Verde, 1909 - Portugal, 1966)
Encenador, actor, artista plástico, poeta

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Possuidor de uma grande versatilidade cultural, é, porém, na poesia e no teatro, que mais se evidenciou. Imprimiu uma dinâmica cénica ao Teatro Experimental do Porto (TEP) que ainda hoje está na razão e na base da sua existência.

Durante o período da última guerra prestou inestimável serviço à causa da liberdade nos serviços de radiodifusão da BBC. Altura em que pertenceu ao movimento surrealista de Londres, de onde trouxe o gérmen que esteve na origem da fundação do Grupo Surrealista Português.


in “Dicionário da Literatura Portuguesa”

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SE HOUVE ENGANO DE OLHOS

Se houve engano de olhos,
Nunca esta alma minha
Se levou dos olhos,
Bem-amada minha.

Olhos de alma, claros
Pela tua graça
E onde o teu sorriso
Namorado passa.

- Meu sorriso, aberto,
Porque é derradeiro,
Este foi, decerto,
Meu amor primeiro.

domingo, 5 de abril de 2020

O ROQUE E A AMIGA



O ROQUE E A AMIGA 

Roque meteu a chave à porta e, ouvindo acordes de um tango, franziu o sobrolho, interrogativo.
A amiga, aparecendo à porta da cozinha secando uma última lágrima, deu de caras com Roque que, sorrindo, lhe oferecia um ramo de cravos, Vendo-a descomposta, Roque perguntou, apaziguador:
- Mas então o que é isso?
A mãe surgiu por trás da amiga, protectora. Roque avançou rápido, beijou-a prodigamente e perguntou afável:
- Então, minha querida sogra, por cá?
- Não me beije – deitou-lhe a sogra, tarde demais. – Você é um monstro!
- Eu? – surpreendeu-se Roque, voltando-se, inocente, para a amiga.
- É, Roque – a amiga hesitou. – Sabe… você às vezes excede um bocadinho a minha escala…
Roque abraçou-a pela cintura e perguntou, quase meigo:
- Não é por causa da americana, pois não?
A amiga sorriu ao de leve.
- Não, Roque – e acrescentou: - Estou tão contente por você ter voltado!
A amiga beijou-o longamente e a mãe insurgiu-se:
- Mas então… tanto barulho para nada?
A amiga voltou-se para a mãe e, piscando-lhe o olho, murmurou:
- É que o Roque, mãe … O Roque é diferente: o Roque é outra música.




in “Pão com Manteiga” (1980) – Bernardo Brito e Cunha, Carlos Cruz, Eduarda Ferreira, José Duarte, Mário Zambujal, Orlando Neves.




sábado, 4 de abril de 2020

CASALS TOCA PELA PAZ





CASALS TOCA PELA PAZ


Por ocasião do 13º aniversário da instituição, o violoncelista Pau Casals toca em 1958 diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, num concerto retransmitido para todo o mundo. 

O intérprete catalão é escolhido em reconhecimento do seu compromisso com a paz e a sua oposição a todo o tipo de totalitarismos. 




in “Crónica da Música”



sexta-feira, 3 de abril de 2020

CARLO MARIA CIPOLLA - As leis fundamentais da estupidez humana



CARLO MARIA CIPOLLA
(Pavia, Itália, 1922 – 2000)
Historiador económico

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Estudou na “Sorbonne” e na “London School of Economics”. Foi um autor prolífero, criativo e com diversidade de interesses. A sua autoridade foi sempre reconhecida na história económica.
Um dos seus trabalhos mais divulgados é a sua breve análise económica, demográfica e histórica da estupidez humana que publicou no seu livro Allegro ma non troppo de 1988.


in “Enciclopédia Eumed” (excerto)


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AS LEIS FUNDAMENTAIS DA ESTUPIDEZ HUMANA


Primeira lei: Cada um subestima sempre inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos que existem no mundo.

Segunda lei: A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica desta mesma pessoa.

Terceira lei: É estúpido aquele que desencadeia uma perda para outro indivíduo ou para um grupo de outros indivíduos, embora não tire ele mesmo nenhum benefício e eventualmente até inflija perdas a si próprio.

Quarta lei: As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem constantemente que, em qualquer momento e lugar, e em qualquer circunstância, tratar e/ou associar-se a indivíduos estúpidos demonstra-se infalivelmente um custosíssimo erro.

Quinta lei: O indivíduo estúpido é o tipo de indivíduo mais perigoso que existe. Entre os burocratas, os generais, os políticos e os chefes de Estado, é fácil encontrar exemplos impressionantes de indivíduos fundamentalmente estúpidos. E também se não deve esquecer os altos dignitários da Igreja.





quinta-feira, 2 de abril de 2020

PIERRE DE MARBEUF - À Philis



PIERRE DE MARBEUF
(França, 1596-1645)
Poeta

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Autor de sonetos barrocos e da colecção de versos (publicada em Rouen em 1628), ele é apreciado não apenas por suas qualidades poéticas, mas também por seus talentos satíricos. Seu soneto mais famoso, Philis, combina com virtuosismo o tema do mar e o do amor.

in “Biographies”


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À PHILIS

Et la mer et l'amour ont l'amer pour partage,
Et la mer est amère, et l'amour est amer,
L'on s'abîme en l'amour aussi bien qu'en la mer,
Car la mer et l'amour ne sont point sans orage.

Celui qui craint les eaux, qu'il demeure au rivage,
Celui qui craint les maux qu'on souffre pour aimer,
Qu'il ne se laisse pas à l'amour enflammer,
Et tous deux ils seront sans hasard de naufrage.

La mère de l'amour eut la mer pour berceau,
Le feu sort de l'amour, sa mère sort de l'eau,
Mais l'eau contre ce feu ne peut fournir des armes.

Si l'eau pouvait éteindre un brasier amoureux,
Ton amour qui me brûle est si fort douloureux,
Que j'eusse éteint son feu de la mer de mes larmes.


quarta-feira, 1 de abril de 2020

ALEXANDRE O'NEILL – Amigos pensados: José Cardoso Pires



ALEXANDRE O'NEILL
(Lisboa, Portugal, 1924 - 1986)
Poeta

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Foi um dos fundadores do Movimento Surrealista de Lisboa.
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AMIGOS PENSADOS: JOSÉ CARDOSO PIRES

Ao Zé Cardoso peço uma miúda
com um toque de chiado ou de grandella
às nove e duas pernas da manhã,
que, como o peixe, tesa de frescura,
tenha perdido a escama de donzela,
mas não venha falar-me do Vailland…






MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...