sábado, 27 de abril de 2019

HORÁCIO – Carpe Diem


                                                               HORÁCIO
(Roma, Itália, 65 a.C. – 8 a.C.)
Poeta, filósofo

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CARPE DIEM

Não procures, Leucónoe — ímpio será sabê-lo —,
que fim a nós os dois os deuses destinaram;
não consultes sequer os números babilónicos:
melhor é aceitar! E venha o que vier!
Quer Júpiter te dê inda muitos Invernos,
quer seja o derradeiro este que ora desfaz
nos rochedos hostis ondas do mar Tirreno,
vive com sensatez destilando o teu vinho
e, como a vida é breve, encurta a longa esp’rança.
De inveja o tempo voa enquanto nós falamos:
trata pois de colher o dia, o dia de hoje,
que nunca o de amanhã merece confiança.



Tradução: David Mourão-Ferreira

sexta-feira, 26 de abril de 2019

CESÁRIO VERDE - Sardenta


CESÁRIO VERDE 
(Lisboa, Portugal, 1855 - 1886)
Poeta

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É um dos precursores do modernismo português. No seu tempo foi ostensivamente ignorado. O reconhecimento, a admiração, vieram muito depois da morte, aos 31 anos de idade.


in “Literatura Portuguesa” 

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SARDENTA

Tu, nesse corpo completo,
Ó láctea virgem doirada!
Tens o linfático aspecto
Duma camélia melada.

 




quinta-feira, 25 de abril de 2019

UMA EXPLOSÃO DE LIBERDADE





                      UMA EXPLOSÃO DE LIBERDADE

Em 1941, o director de orquestra alemão Bruno Walter, dois anos depois de abandonar Viena por causa da anexação nazista da Áustria, apresenta-se no Metropolitan de Nova Yorque com a ópera Fidélio, um dos maiores cantos à liberdade da história da música. A representação tornar-se-á lendária.



in “Crónica da Música”


quarta-feira, 24 de abril de 2019

ANAÏS NIN – ‘Diário’


ANAÏS NIN
(França, 1903 - EUA, 1977)
Escritora

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A bordo de um navio que a levaria aos EUA, uma menina de 11 anos escreve uma carta ao pai. A carta nunca foi enviada mas a menina continuou a escrevê-la e ela tornou-se longa, longa, a menina tornou-se mulher e a carta não parou de crescer.
Foi assim que nasceu O Diário de Anaïs Nin. O Diário consta de cento e cinquenta cadernos redigidos ao longo de mais de 30 anos e nunca poderá ser publicado na íntegra. Dele emanaram no entanto muitos dos romances de Anaïs.


in “Mulheres do Século XX"


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«A minha vida foi, desde a infância, rodeada por uma atmosfera de música e de livros, e de artistas, sempre construindo, criando, escrevendo, desenhando, inventando peças, desempenhando papéis nelas, escrevendo um diário, vivendo em sonhos criados como dentro de um casulo, sonhos nascidos da leitura constante, crescendo, disciplinando-me na aprendizagem, no estudo, orlando abismos e perigos com uma inocência incrível, o corpo sempre sensível, mas esquivando-se à fealdade. O erotismo de Paris despertou-me, mas permaneci sempre uma romântica.»



in “Diário” - 1988

 





terça-feira, 23 de abril de 2019

JÁN KOSTRA – Dava a última camisa por um poema


JÁN KOSTRA
(Eslováquia, 1910 – 1975)
Poeta, pintor, tradutor

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Foi um poeta com uma expressão extremamente refinada e filosofia lírica original. Durante toda a sua vida confirmou o conceito de que o poema continua sendo o único castelo de segurança humano: seguro para o poeta e um paraíso aberto para uma alma miserável.

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DAVA A ÚLTIMA CAMISA POR UM POEMA

Dava a última camisa por um poema.
Domingo ao fim da tarde só restam cinzas.
Todos. Tudo inteiramente consumido. Tudo, o quê?
Segunda, sobrava alguma palavra intacta na lareira?

Terça
tão comprida como um ano

Quarta, outra vez a esperança
Não, sem poema não se pode viver!

Quinta a memória entra em pânico
A pouca claridade que restava anoiteceu

também na sexta as vagonetas com o meu minério
perdem-se no túnel.

Sábado:
trabalho em vão!
 
Domingo tudo recomeça e voltava a dar
a última camisa por um poema



Tradução: Ernesto Sampaio

 




MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...