quinta-feira, 7 de maio de 2015

MULHERES PIONEIRAS - ILDA AURORA PINHEIRO DE MOURA MACHADO

 
 




Ilda Aurora Pinheiro de Moura Machado (Porto, Portugal, 1918 – 2000).

Licenciou-se em Matemática, Engenharia Geográfica e Ciências Pedagógicas.

Foi membro do Sindicato dos Engenheiros Geógrafos e trabalhou na Empresa Nacional de Estudos Técnicos.

Frequentou aulas de meteorologia na Faculdade de Ciências de Lisboa.

Participou na formação da Estação Meteorológica de Pedras Rubras, Porto.

Foi chefe de divisão de Meteorologia Marítima.

Escreveu vários livros sobre temas da sua especialidade.

Ilda Machado foi a primeira meteorologista portuguesa.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

JOSÉ GOROSTIZA - A Casa do Silêncio

 
 
 
 
 
 
 JOSÉ GOROSTIZA (Villahermosa, Tabasco, México, 1901 – Cidade do México, México, 1973).

Poeta, professor e diplomata, foi um dos membros mais destacados do grupo “Contemporâneos”, movimento que tinha como objectivo recuperar o carácter universal da poesia.

A sua obra, embora seja escassa, é marcada por um alto nível de perfeccionismo.

Morte sem Fim, é um dos poemas longos mais importantes, escrito em espanhol do século XX.

Pertenceu à “Academia Mexicana da Língua”.
 
 
Palavras de José Gorostiza:
“A morte tem um sabor a terra. E a angústia, um sabor a fel.”
 
 
 
         A Casa do Silêncio

 

 

A casa do silêncio
ergue-se numa dobra da montanha,
com o capuz de telhas carcomido.
E parece tão dócil
que se comove com o ruído
de uma árvore vizinha, onde sonha
o amoroso conclave de um ninho.
 

Ninguém talvez a tenha habitado
nem querido,
e lá nunca vivessem homens;
mas o seu lento coração palpita
com profundo pulsar de resignado
quando o rumor a fere
e sangra pelo trêmulo costado.
 
Imagino, na casa do silêncio,
um pátio luminoso, decorado
pela erva que rói os canais
e um muro despintado
ao cair das chuvas torrenciais.
 
E nas noites azuis,
penso-a conturbada se pressente
um balbucio de luz nos escabelos,
e ouço-a verter com um ruído
quase imperceptível já, contido,
seu choro paternal de três mil anos.


José Gorostiza
Tradução: Horácio Costa

                      

 
 
 
 

 
 
 
 

 

 

 
 

terça-feira, 5 de maio de 2015

CONTOS TRADICIONAIS DO POVO PORTUGUÊS – O caldo de pedra

 
 
 
 
 

O caldo de pedra

 
 
Um frade andava ao peditório; chegou à porta de um lavrador, mas não lhe quiseram aí dar nada. O frade estava a cair com fome, e disse:

— Vou ver se faço um caldinho de pedra. E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Diz o frade:

— Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa muito boa.

Responderam-lhe:

— Sempre queremos ver isso.

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, disse:

— Se me emprestassem aí um pucarinho.

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

— Agora se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas.

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, disse ele:

— Com um bocadinho de unto é que o caldo ficava de primor.

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada para o que via. Diz o frade, provando o caldo:

- Está um bocadinho insosso; bem precisa de uma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou, e disse:

- Agora é que com uns olhinhos de couve ficava que os anjos o comeriam.

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras. O frade limpou-as, e ripou-as com os dedos deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados disse o frade:

- Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça...

Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço; ele botou-o à panela, e enquanto se cozia, tirou do alforge pão, e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo. Comeu e lambeu o beiço; depois de despejada a panela ficou a pedra no fundo; a gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou-lhe:

- Ó senhor frade, então a pedra?

Respondeu o frade:

- A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.

E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.

 

 
Contos Tradicionais do Povo Português coligidos por Teófilo Braga




 

 

 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

OLINDO GUERRINI - Talvez que um dia em teu balcão sentada...

 
 
 
 
 
Olindo Guerrini (Forli, Itália, 1845 – Bolonha, Itália, 1916).

Poeta, escritor, crítico literário e bibliófilo liderou o movimento realista entre os escritores líricos italianos.

Utilizou diversos heterónimos: Lorenzo Varas, Mercúrio, Marco Balossardi, Argia Sbolenfi, John Dareni, entre outros.

Algumas das suas obras: Póstumamente, Polémica, Job, Canções de Vida.

Foi director da Biblioteca da Universidade de Bolonha.

 

 

Palavras de Olindo Guerrini:

“E eu que ouvi o que não dizias, apaixonei-me por ti porque calavas.”
 
 
 
 

Talvez que um dia em teu balcão sentada...
 

Talvez que um dia em teu balcão sentada,
sob a luz das estrelas meditando,
tu ouças nessa noite enluarada
um grito dolorido te saudando.
E verás uma lágrima parada,
à luz do sol sobre uma flor brilhando.
Pensando ser orvalho, minha amada,
para o cabelo a colherás, passando.
Não é de orvalho a gota que tremeu
e como prata sobre a flor tombou,
mas o vestígio só de pranto meu.

Nem o grito que ouviste foi o vento.
Sou eu que estou morrendo e que te dou
meu derradeiro beijo e o meu lamento.
 
Olindo Guerrini
Tradução: Altair de Almeida Carneiro.

 
 

 

 

sábado, 2 de maio de 2015

JUANA DE IBARBOUROU - Silêncio

 
 
 
 
 
 
 
 
 Juana de Ibarbourou (Melo, Uruguai, 1892 – Montevidéu, Uruguai, 1979).

Iniciou a carreira literária no jornal “La Razón”, publicando os seus primeiros poemas caracterizados por um profundo lirismo. Depois, evoluiu para o misticismo.

Algumas das suas obras: As Línguas de Diamante, Raiz Selvagem, A Rosa-dos-Ventos, Melhores Poemas, Elegia, Oiro e Tormenta.

Foi Presidente da Academia de Letras.
Recebeu, entre outros, o “Grande Prémio da Cultura Hispânica”.

 

 
Palavras de Juana de Ibarbourou:

“Não há lágrimas que resgatem o mundo que se perde ou o sonho que desvanece.”
 
            
                 Silêncio
 
Minha casa tão longe do mar.
Minha vida tão lenta e cansada.
Quem me dera deter-me a sonhar!
Uma noite de lua na praia!
Morder musgos avermelhados e ácidos
E ter por fresquíssimo travesseiro
Um montão dessas curvas pedras
Que há polido o sal das águas.
Dar o corpo aos ventos sem nome
Abaixo o arco do céu profundo
E ser toda uma noite, silêncio,
No vazio ruidoso do mundo.
 
Juana de Ibarbourou
Tradução: Hector Zanetti
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 

 
 

 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN - Pranto pelo Dia de Hoje

 
 
 
 
 
 
 
 

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, Portugal, 1919 – Lisboa, Portugal, 2004) é uma das poetisas e escritoras mais importantes da Literatura Portuguesa.

Autora de uma vasta e diversificada obra que inclui poesia, conto, teatro, ensaio e histórias para crianças, notabilizou-se também na tradução de Shakespeare, Dante, Eurípedes, Claudel.

É nos quatro elementos essenciais – terra, água, ar e fogo – que Sophia procura não só a beleza poética, mas a evocação dos objectos, dos seres, dos tempos, dos mares, dos dias.

A sua obra, várias vezes premiada, está traduzida em várias línguas.

 

Palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen:

“As coisas que passam ficam para sempre numa história exacta.”
 
 
 
           Pranto pelo Dia de Hoje                        
 
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
 
 
Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Livro Sexto”
 

 
 
 

 

MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...