quarta-feira, 20 de novembro de 2013

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA

 
 
 
 
           Em 20 de Novembro de 1959, a UNICEF aprovou a “Declaração Universal dos Direitos da Criança”, baseada nos seguintes princípios:
I - À igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade.

II - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.

 III - Direito a um nome e a uma nacionalidade.

 IV - Direito à alimentação, moradia e assistência médica  adequadas para a criança e a mãe.

V - Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.

VI - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

VII - Direito á educação gratuita e ao lazer infantil.

VIII - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.

IX - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.

X - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.

                                     

                                   Criança

 

Cabecinha boa de menino triste,
de menino triste que sofre sozinho,
que sozinho sofre, — e resiste,

Cabecinha boa de menino ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativo,
e não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
que não teve nada, que não pediu nada,
pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
que do alto se inclina sobre a água do mundo
para mirar seu desencanto.

Para ver passar numa onda lenta e fria
a estrela perdida da felicidade
que soube que não possuiria.


 Cecília Meireles, in 'Viagem'


terça-feira, 19 de novembro de 2013

A POESIA E AS GUERRAS – (III)

 
       
 
 

                                                            
                                                        Guerra

 

                                    
                                    São meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
                                    Via-os chegar, às tardes, comovidos,
                                    nupciais e trementes
                                    
do enlace da vida com os sentidos.


                                     
Estiveram no meu colo, sonolentos.
                                     Contei-lhes muitas lendas e poemas.
                                     Às vezes, perguntavam por algemas.
                                     Respondia-lhes: mar, astros e ventos.
 
 
                                     Alguns, os mais ousados, os mais loucos,
                                     desejavam a luta, o caos, a guerra.
                                     Outros sonhavam e acordavam roucos
                                     de gritar contra os muros que há na Terra.


                                     
São meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
                                      Nove meses de esperança, lua a lua.

                                      Grandes barcos os levam, lentamente…


 

 
Natércia Freire, in “Obra Poética”.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

EDUARDO LOURENÇO

 
 
 
         Eduardo Lourenço nasceu em São Pedro do Rio Seco, no dia 23 de Maio de 1923.

Professor universitário, ensaísta e filósofo, é uma das personalidades mais destacadas da cultura portuguesa contemporânea.

       Foi Assistente de Filosofia na Universidade de Coimbra; Leitor na Universidade de Hamburgo; Leitor na Universidade de Heidelberg; Leitor na Universidade de Montpellier; Professor convidado na Universidade da Baía; Leitor na Universidade de Grenoble; Professor na Universidade de Nice; Professor na Universidade Nova de Lisboa; Conselheiro Cultural junto da Embaixada Portuguesa em Roma.
        
        Recebeu doutoramentos Honoris Causa pelas seguintes Universidades: Rio de Janeiro, Coimbra, Nova de Lisboa, Bolonha.
      
        Foi galardoado com diversos prémios, destacando-se o "Prémio Camões" e o "Prémio Pessoa".
 
        Eduardo Lourenço nunca se submeteu a qualquer corrente de pensamento ou escrita, sendo a sua obra vincadamente personalizada.
 
 
            Um excerto do livro: “Labirinto da Saudade”:
 
       "A consciência da nossa fragilidade histórica projecta os seus fantasmas simultaneamente para o passado e para o futuro. Já noutra ocasião, a propósito do Frei Luís de Sousa o tentámos mostrar. O drama de Garrett é fundamentalmente a teatralização de Portugal como povo que só já tem ser imaginário (ou mesmo fantástico) - realidade indecisa, incerta do seu perfil e lugar na história, objecto de saudades impotentes ou pressentimentos trágicos. (...) Lembro-me, eu, se não será tudo, ainda hoje, a continuidade do destino português?”
 
 
 

 

sábado, 16 de novembro de 2013

LORD BYRON

 

Lord Byron nasceu em Londres, Inglaterra, no dia 22 de Janeiro de 1788. Viveu até 19 de Abril de 1824.

Foi um dos mais destacados poetas europeus e uma das figuras mais importantes do Romantismo.

Herdou o título nobiliárquico do tio-avô William, tornando-se o sexto Lord Byron.

Em 1807, publicou o primeiro livro de poesia, intitulado: Hours of Idleness”.

Em 1823, participou na guerra da independência grega contra os Turcos.

 
 
   Estâncias para  Música


Muita mulher tem beleza,
nenhuma a tua magia;
e a tua voz tal riqueza,
que nem a da melodia
por sobre as águas do mar:
quando, num encantamento,
sonhando adormece o vento
e a onda pára um momento
e desfalece, a brilhar...

E a lua no céu fiando
a sua teia, a sorrir;
e o mar brandamente arfando
qual criancinha a dormir:
assim, dentro da minha alma,
eu me inclino, ao encontrar-te,
me suspendo, a escutar-te,
me curvo, para adorar-te:
com funda emoção, mas calma.



Lord Byron
Tradução:Luiz Cardim
 


 

 


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O PORTUGAL FUTURO

 
 
 

      O Portugal Futuro


Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável.
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
Portugal será e lá serei feliz.
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz.
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão.
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro.


Ruy Belo, in “Todos os Poemas”.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

RABINDRANATH TAGORE

 

          Rabindranath Tagore nasceu em Calcutá, Índia, no dia 6 de Maio de 1861. Viveu até 7 de Agosto de 1941.

        Foi poeta, contista, dramaturgo, ensaísta e romancista.

        Escrevia em bengali, uma das línguas do seu País.

        Em 1901, fundou uma escola de filosofia, em Santiniketan.
        A poesia de Tagore foi influenciada pela poesia tradicional indiana. Existe, na sua obra, um forte elemento místico.

        A sua criação mais conhecida, “Oferenda Lírica”, foi publicada em 1910.

        Ganhou, em 1913, o “Prémio Nobel de Literatura”. Foi o primeiro poeta asiático a receber este galardão.
 

 
                                      A Prisão do Orgulho

 
Choro, metido na masmorra
do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
este muro à minha volta;
e à medida que se ergue no céu,
esconde-se em negra sombra
o meu ser verdadeiro.

 
Este belo muro
é o meu orgulho,
que eu retoco com cal e areia
para evitar a mais leve fenda.

 
E com este cuidado todo,
perco de vista
o meu ser verdadeiro.
 
 
Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Tradução:Manuel Simões
 

 
 

 


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CANCIONEIRO POPULAR (III)

 
 
 

 
O Santo António

 
 
Oh moças, andem ligeiras,

Vão pedir a Santo António

Que as ponha todas em linha

No livro do matrimónio.

 

Oh moças, se querem noivos,

Vão esta noite à ribeira,

Que os moços em honra ao santo

Vão armar uma fogueira.

 

Santo António, Santo António,

Às moças estende a mão,

Corram moças, vão depressa,

Façam-lhe uma petição.

 

 Santo António aviva os mortos

E dá saúde aos doentes;

Não é muito que despache

Mil sadios pretendentes.

 

 
Nota: Este poema está incluído no “Cancioneiro Popular” de 1867, no qual estão coligidos, por Teófilo Braga, fados, canções de rua, orações, profecias, etc.


MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...