ELISABETH BADINTER
(Boulogne-Billancourt, França, 1944)
Filósofa,
escritora
***
Elisabeth Badinter demonstra nesta obra,
O Amor Incerto: História do Amor Maternal,
que já fez correr muita tinta, que o amor maternal não é, contrariamente a uma
ideia divulgada, um instinto: é, de acordo com o título deste livro, “incerto”e
não inato. Baseando-se em dois exemplos retirados dos últimos séculos, do XVII
ao XX, a autora sublinha que ser mãe não está inscrito na natureza das mulheres.
A história do amor maternal revela-nos que se trata em primeiro lugar, de um sentimento
que evolui ao longo dos tempos.
in "Mulheres Século XX"
in "Mulheres Século XX"
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“O amor maternal não é mais que um
sentimento humano. E como todos os sentimentos é incerto, frágil e imperfeito. Contrariamente
às ideias dominantes, talvez não se encontre inscrito em profundidade na natureza
feminina. Quando observamos a evolução das atitudes maternais, verificamos que o
interesse e a dedicação pela criança ora se manifestam, ora não se manifestam. A
ternura ora existe, ora não existe. As diferentes maneiras de expressão do amor
maternal vão do mais ou menos, passando pelo nada, ou pelo quase nada.”
“A mãe, no sentido habitual do termo (quer
dizer, a mulher casada dotada de filhos legítimos), é um personagem relativo e tridimensional.
Relativo, porque a mãe não é concebível a não ser por referência ao pai e à criança.
Tridimensional, porque, para além desta dupla relação, a mãe também é uma mulher,
quer dizer, um ente específico dotado de aspirações próprias que muitas vezes nada
têm a ver com as do esposo e com os desejos da criança.”
in”O Amor Incerto: História do Amor Maternal"
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