segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Henriqueta Lisboa

 

Henriqueta Lisboa  (1901-1985) nasceu em Lambari, no Estado de Minas Gerais, Brasil.

Foi escritora, professora, poetisa e tradutora.

Regeu cursos de Literatura Hispano-Americana, na Universidade Católica de Minas e de Literatura Universal, na Escola de Biblioteconomia de Belo Horizonte.

Obteve o primeiro prémio da Academia Brasileira de Letras, em 1930, com o livro de poemas “Enternecimento”.

Em 1970, publicou “Cante de Dante”, que mereceu o prémio “Presença de Itália no Brasil”, instituído pelo Círculo Italiano.

Henriqueta Lisboa foi a primeira mulher eleita membro da Academia Mineira de Letras.

 

Palavras de Henriqueta Lisboa: “Força é reconhecer: nenhum poeta sobrevive se se distancia do tempo em que vive. O que se alienar trairá seu coração e sua consciência. Mesmo sem alusão direta a circunstâncias, o poeta se acusa como ser comunitário.”
 
 


                                                

                                             Os Lírios
 
Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.

Quero saber como crescem
simples e belos - perfeitos! -
ao abandono dos campos.

Antes que o sol apareça
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.

Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.

Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.

Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre os lírios
adormecerei tranquila.
 
Henriqueta Lisboa, in “A Face Lívida”


 
 

 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Linhares Barbosa

 
 

 
Linhares Barbosa  (1893-1965) nasceu em Lisboa.

Foi um dos mais inspirados e  fecundos poetas do fado.  
Seguindo na linha do sentimentalismo ultra-romântico, escreveu mais de mil poemas.
Os seus primeiros versos foram publicados no Jornal  “A Voz do Operário”.
 
Durante vários anos foi Director Artístico do Salão Luso, situado  no típico Bairro Alto, em Lisboa, considerado, então, o “Templo do Fado”. Por lá passaram fadistas, como Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva.
Em 15 de Julho de 1922, fundou e dirigiu o jornal “Guitarra de Portugal”, onde publicou centenas de poemas para o reportório fadista.
 
Alguns dos sucessos de Linhares Barbosa: “É tão bom ser Pequenino”, “As Sardinheiras”, “O Leilão da Mariquinhas”, “O Fado da Mouraria”, “Fado das Tamanquinhas”, etc.
 
Em 1963, Linhares Barbosa foi homenageado com o “Prémio da Imprensa” para o “Melhor Poeta de Fado”.
Foi, justamente, considerado o “Príncipe dos Poetas”.
 
 
Duas Lágrimas de Orvalho

 
Duas lágrimas de orvalho
caíram nas minha mãos
quando te afaguei o rosto.
Pobre de mim pouco valho
para te acudir na desgraça
para te valer no desgosto.

Porque choras não me dizes
não é preciso dizê-lo
não dizes eu adivinho.
Os amantes infelizes
deveriam ter coragem
para mudar de caminho.

Por amor damos a alma
damos corpo damos tudo
até cansarmos na jornada.
Mas quando a vida se acalma
o que era amor é saudade
e a vida já não é nada.

Se estás a tempo recua
amordaça o coração
mata o passado e sorri.
Mas se não estás continua
disse-me isto minha mãe
ao ver-me chorar por ti.


Linhares Barbosa         


sábado, 18 de janeiro de 2014

Gonçalves Dias

 

 
Gonçalves Dias (1823-1864) nasceu em Caxias, Maranhão, Brasil,

Foi poeta, advogado, professor de Latim e História do Brasil, jornalista, etnógrafo e teatrólogo.

Em 1838, viajou até Portugal, para estudar Direito em Coimbra. Após terminar o curso, regressou ao Maranhão.

Destacado representante do romantismo brasileiro e do indianismo, tornou-se famoso pelo poema “Canção do Exílio”.

Foi autor de muitos poemas nacionalistas e patrióticos, tendo sido considerado o “poeta nacional do Brasil”.

As suas “Poesias Completas” foram publicadas em 1944.

 
Palavras de Gonçalves Dias:
"O  Sonho e a Vida são dois galhos gêmeos; são dois irmãos que um laço amigo aperta. A noite é o laço..."
 
 
    Canção do Exílio
 
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 
 
Gonçalves Dias, in “Primeiros Cantos”.
 
 

 
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Prémio Camões – 1995

 


José Saramago (1922-2010) foi galardoado com o Prémio Camões, em 1995.
Recebeu-o em Lisboa, em Novembro do mesmo ano.
A sua actividade literária desenvolveu-se em diversos géneros, tais como,  ensaísta, jornalista, romancista, dramaturgo, crítico literário, tradutor, cronista, poeta.

 
          Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.


Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"


Epitáfio para Luís de Camões

Que sabemos de ti, se versos só deixaste,
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos,
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?


“Estas quatro perguntas foram retiradas do livro “Os Poemas Possíveis”, publicado em 1966. Até hoje, mais de quarenta anos passados, ainda não lhes encontrei resposta. Talvez nem a tenham.
Escrevo isto em 10 de junho, aniversário da morte do autor de “Os
Lusíadas”, livro fundamental da literatura portuguesa. Camões
morreu pobre e esquecido, embora hoje os escritores em língua
portuguesa vivam como uma honra única receber o Prémio que leva
o seu nome.”
 

José Saramago
 
 
   

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Marguerite Duras

 


 
Marguerite Duras (1914-1996) nasceu em Saigão, Indochina (agora Vietname), onde os seus pais eram professores.
Em 1931, viajou até Paris. Estudou na Sorbonne, onde se licenciou em Direito e Ciência Política.
Foi escritora, romancista, dramaturga e cineasta.
O tema central de seu trabalho é a revolta contra a mediocridade opressora da rebelião social, a loucura e, acima de tudo, o amor.
Em 1943, publicou o seu primeiro romance, “Les Impudents e, em 1967, realizou o primeiro filme, “La Musica”.
Algumas das suas obras literárias: “Uma Barragem Contra o Pacífico”; “O Marinheiro de Gibraltar” ; “O Jardim”; “A Dor”.
Em 1959, escreveu o argumento do filme “Hiroshima Meu Amor” realizado por Alain Resnais.
Em 1984, editou o romance “O Amante”, baseado na sua juventude, vivida na Indochina, que lhe garantiu o mais prestigiado galardão literário francês, o “Prémio Goncourt”.
 
Palavras de Marguerite Duras:
“Muito cedo foi tarde demais em minha vida.”
 
 Ontem à noite
 
Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés-do-chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês de junho, esse mês que inaugura o Inverno.
Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral.
Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba.
Tinha lavado as minhas coisas, quatro coisas, estava tudo limpo, o meu corpo, o meu cabelo, a minha roupa, e também aquilo que encerrava o todo, o corpo e a roupa, estes quartos, esta casa, este parque.
E depois comecei a escrever...


Marguerite Duras, in “O Homem Sentado No Corredor / O Homem Atlântico”.
 
 
 

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Poemas São como Vitrais Pintados

 
 
 

                            
 
                   Poemas São como Vitrais Pintados
 
                        Poemas são como vitrais pintados!
                        Se olharmos da praça para a igreja,
                        Tudo é escuro e sombrio;
                        E é assim que o Senhor Burguês os vê.
                        Ficará agastado? — Que lhe preste!...
                        E agastado fique toda a vida!

 
                        Mas — vamos! — vinde vós cá para dentro,
                        Saudai a sagrada capela!
                        De repente tudo é claro de cores:
                        Súbito brilham histórias e ornatos;
                        Sente-se um presságio neste esplendor nobre;
                        Isto, sim, que é pra vós, filhos de Deus!
                        Edificai-vos, regalai os olhos!

 
 
Johann Goethe, in "Poemas"
Tradução de Paulo Quintela
Ilustração: “Catedral  de Notre-Dame de Paris”. É das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico. Em 1163, iniciou-se a sua construção. Os seus vitrais filtram  a luminosidade para o interior do templo, criando um ambiente sublime de paz e cor.
 
                       
 

 

 


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Stéphane Mallarmé

 
 

 
Stéphane Mallarmé (1842-1898) nasceu em Paris, França.   

Foi poeta, professor de inglês, tradutor e crítico literário.

Os seus primeiros poemas foram publicados em 1862.

 Para além de poeta, Mallarmé foi um teórico da poesia, um dos simbolistas mais influentes que constituíam a vanguarda literária do movimento.

 O poema “ L'après-midi d´un faune”, é considerado como um dos melhores poemas simbolistas da literatura francesa.

 
Palavras de Stéphane Mallarmé: Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor.”



                  Brisa Marinha
 
A carne é triste e eu, aí! Já li todos os livros.
Fugir! Fugir p’ra longe. Oiço as aves aos gritos
Ébrias na espuma ignota e sob o céu, em bando!
Nada, nem vãos jardins nos olhos se espelhando
Retém meu coração que se embebe de mar,
Oh noite! Nem a luz da candeia a alumiar
O deserto papel que a brancura defende;
Nem mesmo jovem mãe que seu filho amamente.
Hei-de partir! Vapor em marítimas crises,
Iça o ferro e faz rumo a exóticos países.
 
Um tédio triste, em cruel e inútil esperar,
Crê no supremo adeus dos lenços a acenar.
Que os mastros, porventura, atraindo presságios,
São os mesmos que um vento inclina nos naufrágios.
Soltos no mar, no mar, sem ilhas nem esteiros.
Mas ouve, coração, cantar os marinheiros.
 
Stéphane Mallarmé
Tradução: Herculano de Carvalho
 
 





MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...