domingo, 18 de dezembro de 2016

PÁGINA FEMININA – Pernas Bonitas




PERNAS BONITAS


O português é assim - que se há-de fazer? Mal viu a cara, olha logo para as pernas.
Ora quer saber que cuidados deve ter com elas? Então leia:

- Nem um pelo.
- Todas as noites fricção com creme.
- Meia bem centrada com a costura ao meio.
- Se o tornozelo é grosso, fazer ginástica em ponta de pés; seguir uma dieta que queime as gorduras. 

- Não usar sapatos com pulseira; preferir tacões não demasiadamente altos, evitar meias muito claras e brilhantes, escolher sapatos pontiagudos, sem buraco na frente, e ter o máximo cuidado ao sentar, pois qualquer posição menos graciosa, acentuará a grossura do tornozelo.

- Se as pernas são demasiado finas, pode seguir-se um regime tendente ao aumento de peso. E muito exercício: natação, patinagem, dança. Usar saias com roda e não muito curtas, meias de tons claros e luzidios.

- Para que o andar seja harmonioso, é necessário que o pé esteja tratado. Lavado todas as manhãs, poderá ser metido, todas as noites, numa solução de água e sal. Fazer massagens aos dedos, puxando-os para cima e para baixo. Depois polvilhar abundantemente com talco. Se houver calosidade na planta do pé, deve atribuir-se à má construção do sapato. Passar pedra-pomes todos os dias, depois do banho, até que desapareça.

- Fazer ensaios em frente do espelho quanto à maneira de andar, sentar, cruzar a perna. Conservar os pés unidos.




in “Mundo Gráfico” (1940–1948), revista quinzenal de “actualidades nacionais e internacionais. “Página Feminina” de autoria de Aurora Jardim- 1942.

Imagem:pintura de Devin Crane (Los Angeles, Estados Unidos).

sábado, 17 de dezembro de 2016

ÁLBUM DAS GLÓRIAS





ÁLBUM DAS GLÓRIAS


Publicação biográfico-caricatural de Rafael Bordalo Pinheiro, contendo um grande número de retratos-caricaturas dos vultos mais célebres do seu tempo nas artes, nas letras, na política e na diplomacia. 

A primeira série começou a publicar-se em 1880, com desenhos de Rafael Bordalo Pinheiro e textos de João de Rialto, pseudónimo usado por Guilherme de Azevedo; a segunda teve início em 1902, esta já com textos de Manuel Gustavo, filho do mestre da caricatura.




in “Literatura Portuguesa”


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

FERNANDA DE CASTRO - Se os Poetas Dessem as Mãos




Fernanda de Castro (Lisboa, Portugal,1900 – Lisboa, 1994).

Estreou-se, literáriamente, em 1919, com a publicação de um livro, de bucólicas e sonetos, intitulado: Antemanhã, tendo, então, recebido unânimes elogios da crítica.

O seu lirismo revela-se essencialmente contemplativo, associando a espiritualidade da Natureza com a sua própria espiritualidade. 

Muito dedicada à protecção da infância, fundou e dirigiu a “Associação Nacional dos Parques Infantis”. 

Apresentou na Estufa Fria, em Lisboa, espectáculos infantis com números de canto, poesia, teatro e bailado, sob a designação de “O Pássaro Azul”, interpretados por crianças dos Parques Infantis. Em 1964 realizou, no Teatro Tivoli, “Tardes de Poesia”.

Algumas das suas obras: Cidade em Flor, Trinta e Nove Poemas, O Veneno do Sol, Maria da Lua, Náufragos, O Empresário e a Actriz, A Pedra no Lago.



in “Dicionário de Mulheres Célebres”


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Palavras de Fernanda de Castro:
“Porque chamamos vivos aos que esperam a vez, marcando passo? E mortos aos que se libertaram e são livres no espaço?”



Se os Poetas Dessem as Mãos


Se os Poetas dessem as mãos
e fechassem o Mundo
no grande abraço da Poesia,
cairiam as grades das prisões
que nos tolhem os passos,
os arames farpados
que nos rasgam os sonhos,
os muros de silêncio,
as muralhas da cólera e do ódio,
as barreiras do medo,
e o Dia, como um pássaro liberto,
desdobraria enfim as asas
sobre a Noite dos homens.

Se os Poetas dessem as mãos
e fechassem o Mundo
no grande abraço da Poesia.




in "Ronda das Horas Lentas"

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

ALFREDO DA COSTA – Pioneiro da Obstetrícia em Portugal





Alfredo da Costa (Goa, Índia, 1859 - Lisboa, Portugal,1910).

Foi um ilustre professor e cirurgião português. 
O reconhecimento que obteve resultou, especialmente, dos seus estudos e iniciativas no domínio da obstetrícia. 

Em 1885 foi nomeado cirurgião de banco no Hospital de São José, onde foi também director da enfermaria de Santa Maria Ana e onde instalou provisoriamente uma maternidade, iniciando uma orientação para esta área da medicina, a qual lhe veio a conferir o maior reconhecimento público.

Foi Presidente da Sociedade Médica Portuguesa, entre 1905 e 1907, organização onde foi também Vice-presidente e membro benemérito.
Desde sempre procurou ser um interveniente activo na sociedade científica da sua época, dando conferências e fazendo apresentações, entre as quais se destaca, pela sua actualidade e importância do conteúdo, “A protecção às mulheres grávidas pobres”.

É-lhe atribuída a primeira colecistectomia e a operação de Estlander em Portugal, bem como a introdução do método de Volkman na cura do hidrocelo. Distinguiu-se pela notável colaboração médico-social que deu à Rainha D. Amélia na luta contra a tuberculose, tendo presidido à Comissão Técnica de Assistência Nacional aos Tuberculosos.

Consciente dos problemas da sociedade em relação à saúde da grávida, projectou a criação de uma unidade hospitalar, que fosse responsável pelos partos e pela saúde preventiva das futuras mães, que lhes ensinasse os cuidados a ter com o bebé e que prestasse ainda assistência aos quadros mais graves dos recém-nascidos. Para além disso, desenhou algumas medidas de prevenção para a patologia das puérperas, ganhando um lugar de destaque perante a medicina social da época.

A sua morte precoce, com apenas 51 anos, impediu-o de concluir o seu grande sonho – o de dotar Lisboa com uma maternidade exemplar e moderna. Essa maternidade viria, de facto, a ser inaugurada 22 anos após a sua morte, sendo-lhe atribuído o nome de Maternidade Dr. Alfredo da Costa



in “Dicionário de Médicos Portugueses” (excertos)



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

LUIS DE GÓNGORA - Os brancos lírios que, de cento em cento





Luis de Góngora (Córdova, Espanha, 1561-1627).

Poeta, figura exponencial do cultismo e do conceptismo e criador do movimento literário chamado gongorismo. 

Mal compreendido na sua época, em virtude da afectação e dos requintes estilísticos da sua obra, viu-se Góngora atacado e ridicularizado por muitos dos seus contemporâneos, como Lope de Veja e Quevedo, não obstante a admiração apaixonada de alguns poucos.

Foi somente no século XX que ele se viu reabilitado e consagrado como uma das maiores expressões da literatura espanhola. 

Habilíssimo sonetista, a sua obra culmina com a Fábula de Polifemo e Galatéia, o Panegírico ao Duque de Lerma e, sobretudo, com as Soledades, que apesar de inacabadas, são hoje consideradas a obra-prima da literatura espanhola de todos os tempos.



in “Dicionário Larousse”


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Os brancos lírios que, de cento em cento

Os brancos lírios que, de cento em cento,
filhos do sol, nos dá a primavera,
a quem do Tejo são nesta ribeira
ouro seu berço, perlas o alimento;

as frescas rosas, que ambicioso o vento
com pluma solicita lisonjeira,
como quem de uma ou outra folha espera
purpúreas asas, se lascivo alento,

ao vosso belo pé cada qual deve
toda a beleza, que fará a mão,
se tanto pode o pé, que ostenta flores,

por que vosso esplendor supere a neve,
vença seu rosicler, e por que em vão,
falando vós, espirem seus olores?          


Tradução:Fernando Mendes Vianna



terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CARTA DE ANTERO DE QUENTAL A MARIA AMÁLIA VAZ DE CARVALHO





Carta de Antero de Quental a Maria Amália Vaz de Carvalho


Vila do Conde, 23 de Fevereiro de 1889                          

Exm.ª Amiga:

Li com muito prazer o volume que teve a bondade de me oferecer. O que diz da boa George Sand encantou-me. Tive sempre grande simpatia por aquela perfeita mulher. Os erros que foram os do seu tempo e da sua sociedade, mas as suas virtudes pertenciam-lhe exclusivamente. (…)
Em contraste com o período de refinado egoísmo em que viveu, brilhou sempre nela grande bondade, que por ser filha do coração não era menos inteligente.
Ora a bondade é uma tal potência da natureza humana, que só por isso estou em pôr a nossa boa Sand acima de muitos arrogantes e secos filósofos que dogmatizam por esse mundo.

Também me agradaram as páginas que consagrou ao livro de Feuillet. Mas o que é indubitável é que as ideias modernas estão ainda muito longe de apresentar aquela consistência, unidade e, sobretudo, humanidade indispensável para serem a base segura da educação. Daí facilmente o produzirem monstros e mostrengos.

Havemos de convir em que os mitos, as lendas, os símbolos, numa palavra os sonhos do velho credo, envolvem em si um sentir humano, um elemento psicológico, uma expressão moral que falta em grande medida, senão totalmente, aos nossos naturalismos, determinismos, positivismos e outros.(…)

O homem, minha nobre Amiga, esse famoso “animal racional”, aquilo que de justamente tem menos é de racional, e enquanto se lhe falar só à inteligência consegue-se pouco dele. (…)

O Transcendentalismo tem de ser restaurado, de um feitio ou de outro. Só ele pode satisfazer, ou pelo menos iludir e entreter as desmedidas aspirações, as ambições e esperanças incorrigíveis do coração humano. Sem isso, receio que, apesar de toda a ciência que já há, e de muita que se há-de ir ainda produzindo e acumulando (coisa aliás excelente e até indispensável), o bípede (…) não tenha outra alternativa, para não cair numa soez mediocridade, senão a de uma maldade diabólica.

Beija as mãos de V. Ex.ª o seu amigo muito sincero.

Antero de Quental




Antero de Quental (Ponta Delgada, Açores, Portugal, 1842 – 1891).
Poeta, filósofo e político, licenciado em Direito.

Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa, Portugal, 1847 – 1921).
Poetisa, contista, ensaísta.





segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

GUIMARÃES ROSA - Gargalhada





Guimarães Rosa (Cordisburgo, Brasil, 1908 — Rio de Janeiro, 1967).

Sua estreia literária deu-se, em 1929, com a publicação, na revista "O Cruzeiro", do conto O mistério de Highmore Hall, que não faz parte de nenhum de seus livros. Em 1936, a colectânea de versos Magma, obra inédita, recebe o Prémio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida.

A publicação do livro de contos Sagarana, em 1946, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos. Com ele, o regionalismo estava novamente em pauta, mas com um novo significado e assumindo a característica de experiência estética universal.

Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto Com o vaqueiro Mariano, que integra, hoje, o livro póstumo Estas estórias (1969), sob o título "Entremeio: Com o vaqueiro Mariano".

A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contacto com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em Grande sertão: Veredas

É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira.



in “Academia Brasileira de Letras” (excertos)


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Palavras de Guimarães Rosa:
“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?”


                 Gargalhada

Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo...








MALMEQUER

MALMEQUER Português, ó malmequer Em que terra foste semeado? Português, ó malmequer Cada vez andas mais desfolhado Ma...