domingo, 28 de setembro de 2014

Cancioneiro Popular - (XIII) - Cantiga da Natureza

 
 
 
 
 
 

Cantiga da Natureza

 

Já chove, já quer chover,
Já correm os ribeirinhos,
Já semeiam os alqueires
Já cantam os passarinhos.

Já lá vem no Sol nascendo
Qu' é o rei das alegrias;
Como pode o Sol ser velho,
Nascendo todos os dias?

O Sol é arco de prata,
A Lua é a fechadura,
As estrelas são as chaves
Que fecham pouca ventura.

O Sol é trabalhador,
Anda no campo lavrando.
É abugão do Senhor,
As 'strelas anda mandando.

O sol-posto vai doente,
A Lua o vai sangrar, 
As estrelas são bacias
Que o sangue vão aparar.

O sol quando nasce, é rê
E às dez horas é c'roado,
E à tardinha já não vê
E à tarde já vai doente

Rompe o Sol, cantam as aves,
Abrem as flor's no jardim
Tudo alegre, tudo canta
Só há tristezas em mim.

 

Cancioneiro Popular Português de J. Leite de Vasconcellos

 


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