domingo, 11 de setembro de 2016

PÁGINA FEMININA – A mulher como centelha artística





A mulher como centelha artística


Todas as manhãs, antes do marido chegar para almoçar, a mulher penteada, maquilhada, harmoniosamente vestida e sorridente.

Não é um carinhoso objecto de arte?

Quando sai, escolhe o chapéu melhor, enfia o vestido predilecto, deita uma gôta de perfume nas mãos e outra no lóbulo da orelha e olha mais uma vez, para o espelho.

Encontra-se mesmo a sair a porta. Não fica encantado?

Depois, como prefere vê-la? De sapatos quadrados e rasos, vestido escorrido, cabelo cortado à homem, passo largo, chapéu qualquer – ou vendo-se que folheia um livro, não deixando de comprar uma revista e trincando gulosamente a já tradicional tortazinha de maçã?

Seja franco. A feminista nunca foi o seu fraco, pois não?

Outra vez em casa. O quebra-luz dá mais conforto ao seu maple. Ela fixa o rádio onde sabe que lhe agrada. Tem um delicioso vestido de casa em veludo azul com fourreau prateado.
Sorri.

Você é feliz só de a ver, só de a sentir a seu lado.
É uma boneca? E porque diz tanto mal do pó de arroz?

Que, afinal, não é uma boneca, não, é uma obra de arte – com ternura, beleza e dedicação. Vá, cale-se…consinta em ser plenamente feliz.




in “Mundo Gráfico” (1940–1948), revista quinzenal de “actualidades nacionais e internacionais. “Página Feminina” de autoria de Aurora Jardim- 1943.



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